Como “ler” e entender os rótulos dos alimentos?

 

 

 

Ao comprar algo no supermercado, você costuma ler o rótulo dos alimentos? Poucas pessoas têm esse costume, mas saiba que isso é fundamental para a sua saúde. Isso porque é nos rótulos que encontramos todas as informações relativas às propriedades nutricionais dos produtos que pretendemos adquirir.

 

Mas como entender aquelas informações? A nutricionista Vanessa Lobato explica. Segundo ela, a lista de ingredientes está em ordem decrescente, mostrando primeiro o que tem em maior quantidade e terminando com o que tem em menor quantidade. A avaliação deve ser feita usando como referência a coluna da esquerda com o "valor referencial" para consumo do adulto ou da criança.

 

"Devemos nos atentar à quantidade de sódio para que esse não esteja muito próximo do recomendado para um dia. Outra dica é olhar a quantidade de gorduras saturadas e trans. Prefira alimentos que sejam fonte de fibras, que contenham dois ou mais gramas desse nutriente", diz ela.

 

Mas o que é cada um dos ingredientes?

 

Sódio: é um mineral, micronutriente, encontrado em praticamente todos os alimentos. No organismo é imprescindível para o bom funcionamento celular, porém em grande quantidade pode sobrecarregar as funções dos rins, causando retenção de líquido e sobrecarregando o coração, causando um aumento na pressão! Por isso deve ser consumido em baixa quantidade.

 

Na indústria o sódio é utilizado para conservar os alimentos e por isso embutidos, enlatados, sopas em pó e sucos em pó contêm uma quantidade elevada desse nutriente.

 

Carboidratos: nutriente que é fonte de energia. São divididos em dois grupos: os complexos e os simples. Os simples são os açúcares e os complexos são as farinhas, massas, que podem ser integrais ou não. Esse nutriente é importantíssimo para o bom funcionamento do corpo e para gerar energia, mas deve ser consumido controladamente, principalmente os carboidratos simples, para evitar o acúmulo no organismo na forma de gordura. Frutas são ricas em carboidratos, por isso sucos têm uma elevada quantidade desse nutriente; pães e massas também são ricos nesse nutriente, por isso devemos nos atentar na quantidade de consumo. Doces, balas, chicletes, bolachas recheadas são ricos em açúcares simples e por essa razão devemos limitar o consumo diário.

 

Proteínas: nutriente essencial para a construção de tecidos no organismo, como a pele e os músculos, assim como todos os tecidos do organismo. Os alimentos fonte de proteínas geralmente são os de origem animal, mas hoje, com o crescente mercado da soja, temos a opção de alimentos à base desse nutriente também serem fonte de proteínas.

 

Gorduras totais: nutriente importantíssimo para o funcionamento do organismo. Hormônios são produzidos a partir de gordura, e cerca de 60% do cérebro é feito de gordura. Mas não é qualquer tipo de gordura, ele é feito pelas gorduras que chamamos de "boas", as insaturadas e poli-insaturadas. Por isso é importante verificar essa informação nos rótulos.

 

Gorduras saturadas: esse tipo de gordura é encontrado em alimentos de origem animal, e podem causar problemas vasculares quando consumidas em excesso.

 

Gorduras trans: gordura de origem vegetal que sofreu modificação química, transformando uma gordura líquida em sólida para dar melhor palatabilidade aos alimentos. É uma gordura nociva ao corpo e deve ser evitada ao máximo.

 

Fibras: tipo de carboidrato encontrado no reino vegetal que não temos a capacidade de absorver e que tem ação no funcionamento intestinal, aumentando o bolo fecal e facilitando a evacuação. Além disso, é importante ter um bom consumo de fibras, pois essas ajudam no controle da glicemia (açúcar no sangue) e da lipidemia (gordura no sangue).

 

Segundo a nutricionista, não tem como generalizar e falar qual item deve estar em maior ou menor quantidade para ser saudável, isso vai depender do alimento em questão. Ela cita um exemplo: um alimento fonte de proteína como o atum conterá muita proteína e poucos carboidratos, já um suco conterá muito mais carboidratos em comparação a proteínas e não é por isso que será considerado um alimento de má qualidade. "É importante avaliar os valores de referência e ver se esse está acima ou mesmo muito próximo do indicado para consumir em um dia", diz Vanessa.

 

Outro fator importante é a porção. "Pegamos um pacote de bolacha recheada, vemos a quantidade de açúcar e gordura e não nos atentamos que aquela informação é para SOMENTE 30g do produto (cerca de duas unidades)", explica a nutricionista.

 

A última dica dada pela nutricionista é sempre ficar atento às chamadas dos produtos, como os que falam que o alimento é zero, diet, light, integral, entre outros. Mas vale a dica quanto aos "zeros": nem sempre quando informam "zero" quer dizer que "não contém"! Existe um valor referencial que indica uma quantidade mínima em gramas ou miligramas de cada item que precisa ser declarado. Assim, se um alimento contém menos que 0,2g de gordura trans essa informação não precisa ser declarada, porém eles não podem colocar que não contém, e por isso muitas vezes informam 0% de gordura trans ou 0 (zero) de gordura trans não porque não contém, e sim porque contém uma quantidade não significativa de acordo com uma tabela que a Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) disponibiliza para a realização de tabela.

 

Fonte - Idmed





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