Transtornos alimentares: o que são,

 como surgem e o que fazer?

 

 

Os transtornos alimentares são intensas perturbações no comportamento alimentar, provenientes, muitas vezes, de condições psicológicas que devem ser alvo de atenção e cuidado.

 

A anorexia nervosa refere-se a uma perda de peso intencional, com distorção da imagem corporal (enxergar-se gordo estando magro) e negação do próprio emagrecimento, sendo mais comum em mulher adolescente, jovem ou próxima da menopausa, o que não exclui outros grupos – homens, por exemplo.

 

A bulimia nervosa caracteriza-se por ataques de hiperfagia (comer excessivamente), preocupação exagerada com o ganho de peso e uso de comportamentos compensatórios inadequados, como o de provocar o vômito e o uso abusivo de laxantes.

 

O transtorno do comer periódico diz respeito à ingestão de quantidades de alimentos maiores do que a maioria ingeriria em contextos semelhantes, havendo sensação de descontrole frente aos alimentos e desconforto após cada episódio.

 

Sob uma perspectiva sociocultural, constata-se que a obesidade foi considerada padrão de beleza, na Idade Média, possivelmente pela associação com a riqueza dos senhores feudais, portadores de seus próprios moinhos, os quais beneficiavam os alimentos, talvez contribuindo com seus sabores, mas destituindo-os de elementos naturais importantes à saúde. A industrialização traz ainda maiores modificações aos alimentos, conferindo-lhes "artificialidade".

 

A partir dos anos 1960, com a "explosão" do sucesso das manequins, inicia-se a tendência à excessiva valorização da acentuada magreza, coincidindo com o aumento de prevalência da anorexia nervosa e da bulimia nervosa.

 

Ao mesmo tempo, surge a cultura do fast-food, provavelmente um dos fatores contribuintes para o desencadear do transtorno do comer periódico.

Assim, os transtornos alimentares apresentam uma multiplicidade de causas: familiares, socioculturais, psicológicas e biológicas. A anorexia nervosa pode ser influenciada por uma necessidade de desenvolver a própria autonomia, em uma luta pelo próprio reconhecimento como sendo alguém especial / único.

 

Os transtornos alimentares parecem também sofrer influência dos vínculos travados no núcleo familiar, com destaque à relação mãe-bebê, o que sugere a necessidade de busca de prevenção, além das intervenções psicológicas indispensáveis quando o quadro já está instalado.

 

Os pais devem estar atentos à presença de comportamentos alimentares desequilibrados ou descontrolados; a falas que demonstrem uma possível distorção da imagem corporal do(a) filho(a), como a expressão de que está gordo(a) quando não está de fato; à prática de exercícios físicos exagerada; à manifestação de preocupações extremas com o peso.

 

Mediante a percepção de comportamentos alimentares "estranhos", por assim dizer, bem como de outras expressões em relação ao próprio corpo e à comida que não condizem com a realidade e revelam incompatibilidade com a manutenção da saúde, faz-se necessário procurar ajuda profissional. O psicólogo, o psiquiatra, o nutricionista e o endocrinologista fazem parte da equipe multiprofissional que, muitas vezes, dependendo do quadro, precisa atender o paciente com transtorno alimentar.

 

Fonte - Idmed





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