Como aproveitar talos e
cascas de alimentos

O Brasil é considerado por diversas organizações internacionais um dos países que mais desperdiçam
Nós desprezamos uma quantidade imensa de comida. Nas feiras livres se vê inúmeros legumes, frutas e verduras jogados fora. Nos supermercados o panorama é parecido – muitas frutas e folhas amassadas, com sinais de estrago, imprestáveis para o consumo, amontoando-se nas gôndolas. E na nossa casa o desperdício continua. Na hora de preparar uma sopa, um suco ou uma salada, uma grande parte de folhas, talos e cascas é descartada, e com isso um imenso potencial nutritivo vai para o lixo – vitaminas, sais minerais, clorofila e fibras.
As cascas, talos, sementes e folhas externas de frutas, legumes e verduras contêm maior teor de nutrientes que as polpas e folhas internas:
- a casca da banana contém o dobro do potássio presente na fruta;
- os talos de verduras, como do espinafre e da couve, são mais ricos em ferro que as folhas;
- a casca da laranja e do limão é riquíssima em vitamina C;
- a casca do maracujá possui uma grande quantidade de fibras solúveis, que ajudam na função intestinal e no controle da glicemia.
Exceções existem: a mandioca só deve ser consumida cozida, e somente a sua polpa deve ser aproveitada. A casca não é comestível, apesar de ser usada na alimentação de animais.
Jamais se deve cozinhar em excesso – o calor destrói importantes nutrientes, como a vitamina C, as vitaminas do complexo B, e enzimas preciosas (com ação anti-inflamatória, digestiva ou reparadora). Os vegetais devem ser consumidos "al dente", ou seja, ainda firmes e crocantes. Isso permite um maior aproveitamento dos seus benefícios, e o sabor também é muito melhor. O ideal é cozinhar sempre no vapor, mantendo a casca dos legumes (descascar qualquer alimento já faz com que ele perca boa parte da sua riqueza nutricional). Assim, a casca forma uma barreira durante o cozimento e evita que os nutrientes se percam ou sejam inativados. Se for preparar uma sopa, use sempre o fogo baixo. Evite frituras porque as temperaturas são mais altas – no caso das batatas, experimente cortar em palitos, sem descascar, e, em vez da frigideira, coloque-as no forno. Ficam sequinhas, crocantes, menos calóricas e mais saudáveis.
Agrotóxicos e higienização
Alimentos campeões de aproveitamento
Beterraba: suas folhas e talos são excelente fonte de vitaminas A e K, betacaroteno, luteína, clorofila, cálcio, magnésio, potássio, ácido fólico, e podem ser refogadas, usadas em sopas, caldos diversos e no feijão.
Batata: a casca é rica em minerais, vitamina C e fibras, fica bem macia e dá um crocante interessante na batata frita, assada ou cozida – o que atrapalha é o preconceito contra a casca, porque o sabor é ótimo.
Couve-flor: as folhas e os talos são fonte de vitaminas C, K e A, ácido fólico e minerais como cálcio, potássio, magnésio e fósforo. Podem ser refogados, ou usados em recheios de panquecas, ou acrescentados nos sucos.
Kiwi: a casca do kiwi, sempre desprezada, pode ser consumida junto com a fruta ou no preparo de sucos. É rica em compostos fenólicos, bioflavonoides e vitamina C. Por ser fonte de fibra insolúvel, ela tem propriedade laxativa e melhora a função intestinal.
Maracujá: a casca do maracujá possui uma grande quantidade de fibras solúveis (pectina), que ajudam na função intestinal e no controle da glicemia. E tem também antocianina, um bioflavonoide que protege os vasos sanguíneos e o coração. Ela deve ser seca no forno e acrescentada como uma farinha no preparo de bolos, biscoitos, pães e sucos.
Laranja e limão: a casca da laranja e do limão é riquíssima em vitamina C, bioflavonoides e pectina, e pode ser usada no preparo de bolos, geleias, doces e compotas.
Melancia: a casca da melancia (parte branca) é pura pectina, tem potássio e magnésio, vitaminas C, B6 e A, e citrulina (um aminoácido que ajuda a relaxar os vasos sanguíneos e melhora a irrigação dos tecidos), e pode ser usada no preparo de doces e compotas. As sementes de melancia são um verdadeiro arsenal de nutrientes, uma excelente fonte de zinco, cálcio, magnésio, potássio, fósforo, ferro e manganês, vitaminas do complexo B, proteína e ácidos graxos essenciais. Elas podem ser torradas levemente e comidas ao natural ou podem ser moídas e depois acrescentadas em sucos ou no preparo de pães, biscoitos ou bolos.
Abacaxi: a casca de abacaxi é rica em vitamina C, bromelina (uma enzima com ação anti-inflamatória) e muita fibra, e pode ser usada no preparo de sucos, bebidas fermentadas, bolos e doces.
Manga: a casca de manga é rica em vitamina A, betacaroteno, vitamina C e fibras, e pode ser usada no preparo de bolos, geleias e compotas.
Frutas com casca fina: a casca da maçã, da pera, do pêssego, da nectarina e da ameixa contém carotenoides, muita fibra, vitamina C e compostos fenólicos antioxidantes – são cascas finas e que jamais devem ser descartadas, podendo ser usadas em qualquer tipo de preparação e nos sucos.
Fonte - Idmed