História do Kendo
"O Caminho da Espada Samurai "
Kendo literalmente significa "caminho da espada" em japonês. É a arte da tradicional
esgrima japonesa que foi desenvolvida pelos Samurais, tendo as suas origens nas diversas técnicas de luta com espada refinadas por centenas de anos de combate e estudo. O Kendo lida com as habilidades físicas e mentais necessárias para o confronto. O objetivo do Kendo não é apenas desenvolver a habilidade física de luta, mas também os aspectos morais e espirituais que podem eventualmente serem aplicadas na vida real. No Japão, é uma das mais disseminadas artes marciais, mas é também popular nos Estados Unidos, Coréia, Europa e também no Brasil, que tem a honra de ter alguns dos melhores Kendocas do mundo.
A espada é a primeira arma lembrada quando se estuda sobre os guerreiros antigos, onde são encontrados exemplares desde a Grécia antiga até o século passado com os Samurais. Ainda hoje, em muitos exércitos do mundo, a espada é um símbolo de prestígio, honra e dignidade.
A história do Kendô (Caminho da espada ) está inteiramente relacionada com a História do Japão. Em todas as fases ao qual este país já passou a espada e os homens que a portavam foram itens primordiais para o andamento dos fatos. Portanto para conhecer o desenvolvimento desta arte marcial, é necessário que se estude e entenda os acontecimentos que levaram a mudança do Kenjutsu (técnica da espada ) para o Kendo .
O Kendô originou-se diretamente da técnica e tática do manejo da espada Samurai - Kenjutsu, apesar do primeiro estar muito mais ligado à parte espiritual e na busca de valores nobres, não se pode esquecer de suas origens para que sua essência se conserve com o tempo.
O KENDO MODERNO
O Kendo moderno surgiu no século XVIII, no Japão, como uma evolução natural do Kenjutsu, a arte japonesa de combate com a espada.
Entre o fatores que levaram a esta mudança, podemos destacar a paz surgida após a unificação do Japão, promovida pelo Shogum Tokugawa. A era Tokugawa durou 268 anos, onde Tokugawa Ieasu e seus descendentes fizeram a lenta transição da classe dos Samurais, de guerreiros para burocratas.
Ao contrário do Kenjutsu, onde se utilizavam espadas reais ou boken (espada de madeira), junto com o Kendo surgiu também a shinai, uma espada de bambu. Junto ao equipamento protetor, o bogu, a shinai permitiu a popularização do Kendo. Alguns golpes que com a Katana de aço e mesmo com o boken de madeira eram fatais passaram a ser praticados com maior segurança.
Após um curto período de declínio, durante a restauração Meiji, onde os Samurais foram abolidos como classe social, o Kendo voltou a crescer durante os períodos da guerra Sino-japonesa e da guerra contra a Rússia.
Em 1895 foi fundada a Botukukai, uma organização voltada para as artes marciais. Em 1911 o Kendo passa a fazer parte do currículo escolar.
Com a segunda Guerra mundial, a prática do Kendo se torna obrigatória a todos os rapazes do Japão. Nesta época o Kendo recebeu uma forte influência militar e nacionalista. Com a derrota do Eixo e as consequentes restrições impostas ao Japão, a prática do Kendo foi proibida e a Botukukai foi fechada. Somente em 1952 um grupo de antigos praticantes conseguiu restabelecer o Kendo da forma como ele é conhecido hoje, sem as influências militaristas e de ultra-nacionalismo, e com uma aura de esporte.
Hoje em dia o Kendo cresce em número de praticantes, tanto japoneses como ocidentais.
No Brasil o Kendo é ensinado no Instituto Niten, uma organização voltada ao estudo da cultura Japonesa através das artes da espada samurai. A forma de ensino é o método KIR (Ken Intensive recuperation), idealizado pelo médico do esporte e duas vezes penta-campeão brasileiro consecutivo de Kendo, Sensei Jorge Kishikawa. Através do Método KIR, o Kendoka tem sua prática direcionada para o desenvolvimento do potêncial humano, e não para a competição, como o Kendo é transmitido algumas vezes.
O Kendo é uma das artes marciais japonesas que carrega mais puramente os ideais samurais de honra, retidão de caráter e disciplina. Possivelmente este é o motivo de seu crescimento e sobrevivência através dos anos e entre diferentes culturas.