Considerações sobre o Boxe
Há muitos tipos e variações de boxe

Coisas que não podemos deixar de levar em conta - Enquanto que o uso dos punhos como arma em brigas de rua deve remontar aos primórdios da Humanidade, os mais antigos documentos evidenciando a prática de pugilismo como esporte tem entre
Assim que existem, ou ao menos existiram muitos estilos de pugilismo: o dos sumérios e babilônios, o egípcio, o minóico, o grego, o etrusco, o romano, o francês, o chinês, vários tipos de boxe indianos (o boxe muki, o malla-yudha, etc.).
O boxe que nos interessará aqui: o boxe inglês
Por brevidade, nos limitaremos a tratar apenas da origem e evolução daquele pugilismo que hoje denotamos simplesmente por "boxe" e que, para sermos mais precisos, deveríamos chamar de "boxe inglês".
Geograficamente falando, a história do boxe inglês teve três grandes etapas:
Origens e desenvolvimentos iniciais: Inglaterra entre 1000 e 1850 DC
Centrado nos USA: de
Difundido pelo resto do mundo: a partir de 1920, aproximadamente.
Existiram várias regras regendo as lutas de boxe
Ao longo dos tempos, o boxe inglês foi lutado sob três tipos de regras: as Regras de Broughton (introduzidas em 1743), as Regras de Londres (introduzidas em 1838 e modificadas em 1853 e 1866) e as Regras de Queensberry (introduzidas em 1867 e que já sofreram várias alterações).
Mas o que é realmente importante apontar desde já é que, conforme veremos adiante, essas regras influíram decisivamente nas técnicas de combate (guarda adotada, socos preferidos, defesas usadas etc.), na duração das lutas, na freqüência com que um lutador atuava e até no tipo de pessoas que se dedicava ao boxe. Só para adiantar um exemplo: na metade do século vinte existiam muitos profissionais com mais de 100 e até 200 lutas, enquanto que até a época das Regras de Londres, como se lutava sem luvas, raramente um boxeador chegava a fazer 20 lutas em sua vida.
As apostas muito influíram no boxe
Conforme veremos em detalhe mais tarde, a origem e evolução do boxe inglês foram determinadas decisivamente pelas apostas
Contudo, essa repressão teve seu lado bom: ela ocasionou a maioria das modificações de regras que o boxe teve ao longo dos tempos e que lhe permitiram evoluir esportivamente.
Só recentemente foi proibida a luta de agarramento no boxe
Até pouco mais de cem anos, antes das Regras de Queensberry, o fato de os lutadores não usarem luvas fazia com que o ritmo das lutas fosse muito mais lento do que atualmente. Todo soco dado machucava muito tanto a quem dava como a quem recebia. Como conseqüência, muito poucos socos eram aplicados durante a luta: os lutadores tinham grande preocupação com a defesa e só usavam os punhos quando achavam que o soco poderia ser aplicado perfeitamente. Grande parte do tempo das lutas, principalmente depois dos primeiros rounds, era gasto com manobras defensivas e com agarramentos visando desgastar o adversário segurando-o com uma mão e batendo com a outra ou procurando sua projeção ao chão para então chutá-lo (era o que se chamava de purring).
A seqüência de figuras abaixo mostra algumas características do boxe francês, uma mistura do savate com o boxe inglês, como praticado há cerca de duzentos anos. Além de observar a curiosa guarda e o uso de desvios (parries) como defesa dos socos, note o uso de golpes de luta de agarramento. A técnica de projeção aí mostrada é uma variante do "cross buttock" que era a mais popular projeção do boxe inglês até o final do século XIX.
O boxe sempre fascinou membros de todas as classes sociais
Quanto a isso, é importante apontar que esse fascínio tem algo de paradoxal na medida em que embora a classe média tendesse a abominar o boxe, a elite e a classe pobre sempre o apoiaram e sustentaram. Por exemplo, numa das lutas mais famosas de todos os tempos, a de Heenan versus Sayers em 1860, o parlamento inglês não teve quorum no dia do combate e isso que todo o mundo sabia que a polícia proibira o evento e prometera recorrer à violência para impedir a realização do mesmo. Aliás, talvez quem melhor caracterizasse esse paradoxo tenha sido o Duque de Clarence que, ao ser indagado do que fazia misturado com a ralé que apostava numa luta, respondeu que "estava ali como inglês e não como lord".
O apoio da aristocracia inglesa permitiu o boxe evoluir tecnicamente, tanto pelo patrocínio oferecido aos lutadores como pela abertura de academias que eram freqüentadas pela nobreza. Por outro lado, as maiores perseguições que o boxe sofreu partiram de membros da classe média e ocorreram principalmente na época dos puritanos e na Era Vitoriana.
Foram raras as perseguições do boxe oriundas de membros da aristocracia inglesa. O exemplo mais importante sendo conseqüência da luta entre Broughton e Jack Slack, em 1750, e na qual o temperamental Duque de Cumberland perdeu uma aposta de