O que é Jeet Kune Do

Jeet Kune Do ao contrário do que muitos pensam não é um estilo de Kung–Fu, é um conceito marcial, sem formas fixas, katas ou katis, o atleta não se molda a técnica, mais, antes molda a técnica a ele. Alguns praticantes de outras modalidades marciais ainda não entenderam o real objetivo do pensamento do Mestre Lee Jun Fan, chegam a denominar o JKD de kung–fu não clássico.
Eu continuo entendendo o JKD como um conceito marcial que veio para quebrar os paradigmas doutrinários das instituições marciais clássicas, que ainda não perceberam a evolução das artes marciais que já vem ocorrendo há muitos anos, como pode ser visto no filme Operação Dragão, onde o personagem vivido por Bruce Lee inicia um combate vestindo uma sunga e usando luvas com dedos livres (* o que se assemelham muito com as usadas hoje em dia nas lutas de vale tudo) começando em pé o combate e terminando com o seu oponente imobilizado no chão, personagem este vivido pelo também conhecido ator e lutador Samo Wong.
O que confirma o dado de que Bruce Lee estava realmente uns trinta anos à frente de seu tempo, visto que o citado filme data do ano de 1973.
(*) O que demonstra o pensamento de Bruce Lee em relação aos combates reais, onde um lutador não é dominado por um só estilo marcial e sim domina varias artes.
Em um combate é de extrema importância que se neutralize o oponente no campo onde ele se sente imbatível e depois o force a entrar na área oposta a do conhecimento técnico dele. Sendo assim se o oponente necessita de espaço amplo, mantenha-o a curta distancia, se ele procura sempre a curta distancia ou o agarre, não deixe que ele aproxime-se, com tudo, um lutador de Jeet Kune Do por natureza é um “Striker” e se for agarrado vai bater, usar pontos de pressão e tudo mais que for preciso para neutralizar ou mesmo eliminar as pretensões do oponente, pois
Na situação de rua o importante é a vitória rápida, e não a apresentação cinematográfica de técnicas coreografadas e nem tão pouco o exibicionismo egocêntrico marcial. A situação real requer controle, rapidez, eficiência e anonimato.
Se sua defesa for compacta e tudo cobrir, com certeza o ataque do inimigo não o atingirá como desejado por ele.
As regras, normas e os padrões esportivos devem ser colocados em primeiro plano na vida de um atleta, e em seu treinamento, mais nas situações reais de rua a vitória não será representada por uma medalha, um certificado ou mesmo por um troféu e sim pela própria integridade física e pela vida do combatente.
O sucesso no combate depende principalmente do domínio e da tranqüilidade na execução da técnica. Utilizar uma centena de técnicas ou uma centena de golpes em um combate não é uma demonstração de grande habilidade, “dominar o inimigo sem ter que combater, isso sim é uma grande demonstração de habilidade”.
"Não existe algo como um estilo, se você compreende totalmente as raízes do combate".
Um diferencial para as artes marciais
Um diferencial marcante na formação do artista marcial
As artes marciais oferecem uma variedade de benefícios ao praticante que deseja e esteja disposto a aprender. Que seja para a defesa pessoal, condicionamento físico, autocontrole, competitividade, lazer e etc...
Estas são algumas razões legitimas para se aprender toda e qualquer arte marcial. Para mim, a defesa pessoal sempre foi à razão principal por trás do meu desejo em aprender, o melhor condicionamento, a competitividade e mesmo o fator lazer, eram razões secundárias. Eu comecei meus treinamentos aos 15 anos de idade por volta de março de 1979 no Kung Fu onde treinei por aproximadamente três anos, alguns estilos desta maravilhosa arte chinesa, como, GARRA DE TIGRE com professor Marcos Aurélio aluno do professor Roberto Lou Pak, MAO com professor Wilson “o mugeba” formado pelo mestre Ronaldo, PALMA DE FERRO com professor Paulo Jr, e outros. Aproximadamente na mesma época conhece mestre Reginaldo “Esquisito” e comecei a treinar CAPOEIRA, com a volta dele para Brasília fiquei treinando com professor Demóstenes e depois com mestre Moreno sendo ao todo três anos de treinamento na capoeira. Após essa época novos horizontes marciais foram se abrindo na minha busca, por um principio técnico que me desse uma maior confiança, em relação à defesa pessoal, conhece o boxe, o karate kiokoshinkai e outros.
Entretanto, no treino podemos executar fórmulas, técnica, ritmos, e seqüências com grande precisão e velocidade, mas a aplicabilidade destas técnicas em situações de rua no campo do imprevisível onde o oponente está ali com um objetivo semelhante ou mesmo superior ao seu, disposto a fazer de tudo para obter êxito, sua atuação tem que ser diferenciada. A fim de aplicar verdadeiramente a arte que pratica, você deve fielmente utilizar as técnicas aprendidas em resposta a todas as situações, mais se você não está preparado para realidade. Você observará que a grande maioria dos praticantes permanece fiel a suas técnicas até que estejam em uma situação onde não seja permitido planejar seus ataque e defesas, é quando ele descobre que no momento de uma luta real não se tem mais tempo para se pensar em uma estratégia, é nesse momento que a terra foge de debaixo dos pés, e quando aquelas duas perguntas voltam à cabeça. Eu sei que há alguns lutadores que detém um vasto conhecimento técnico e condições físicas para um sucesso total em uma situação de rua, entretanto, estes são muito poucos e estão distante do meio real.
Na realidade assim como muito praticantes de artes marciais eu nunca me senti completamente seguro em utilizar os movimentos que eu tinha aprendido, nos treino de academia em situações real de rua, percebi que existe uma grande diferença entre o que se treina para competição e o que se treina para situação real. Quando um praticante é exigido sobre pressão verdadeiramente, recorre geralmente aos movimentos instintivos tais como atacar e recuar de maneira desordenada, com socos, chutes, agarres, e neste momento, o praticante com maior velocidade, mais potencia de impacto, e maior resistência, e/ou a maior sorte será com certeza o vencedor, resta para o outro se indagar:
O que eu estou fazendo aqui?
O que aconteceu comigo?
O que sobra é uma frustração generalizada.
Eu devo admitir, que como muitos outros, tive ilusões cinematográficas, Eu imaginava-me fazendo chutes altos de maneira extravagante e outras técnicas difíceis que fariam com que cada um dos meus oponentes se rendasse. Mais é inútil achar que na rua tudo vai sair como imaginado no treino. Depois que entendi esse fato, passei a buscar sempre um treinamento mais direcionado a realidade do combate, já em abril de 1984, conhece o então instrutor e hoje mestre, Francisco Tavares, que me apresentou ao Jeet Kune Do, um conceito de luta, que ao contrario de que muitos pensam, não se opõe as demais artes marciais e sim, trás um diferencial marcante, para o artista marcial. Que para mim mostrou e tem mostrado até hoje eficiência em situações que necessitam de defesa pessoal em confronto real de rua, o JEET KUNE DO, conceito marcial desenvolvido por Lee Jun Fan “Bruce Lee” é um sistema onde o praticante, tem um treinamento totalmente voltado para o combate, onde se treina como se combate e se combate como se treina, sempre de modo rigoroso, visando aumentar sua condição física, sua tolerância a dor, sua flexibilidade, sua velocidade, seu autocontrole sobre pressão, sua capacidade de combate, direcionado sempre à situação real, condicionando o corpo e a mente a responder de acordo com a necessidade do momento.
Por Renan Dourado