Fraca recuperação global depende do progresso da Europa e dos Estados Unidos

 

 

 

PREVISÃO MUNDIAL

 

O FMI - Fundo Monetário Internacional reduz ligeiramente os prognósticos de crescimento para este ano e para o próximo. Os riscos para a estabilidade financeira aumentaram no segundo trimestre. Ajustes fiscais prosseguem dentro das expectativas.

 

Uma já morosa recuperação global mostra sinais de crescente enfraquecimento, principalmente em face dos contínuos problemas financeiros na Europa e um crescimento abaixo do esperado nas economias emergentes, segundo declarou o Fundo Monetário Internacional em uma atualização regular de seu Panorama Econômico Mundial.

 

Dois outros relatórios do FMI foram também lançados no dia 16 de julho último. A atualização do Relatório sobre Estabilidade Financeira Global assinala que os riscos para a estabilidade financeira aumentaram no segundo trimestre de 2012, devido à lenta recuperação global, e os temores acerca da qualidade dos ativos bancários na Europa. Uma atualização do monitor fiscal do FMI indica, contudo que um ajuste fiscal nas economias avançadas e emergentes prossegue dentro das expectativas.

 

As últimas projeções do Panorama Econômico Mundial indicam que a economia global crescerá 3,5 % este ano, menos 0.1 % pontos percentuais do que as projeções de abril de 2012, e 3.9 % em 2013, 0.2% pontos percentuais mais baixo do que o previsto pela tabela de projeções do Fundo Monetário Internacional.

 

RISCOS PARA A RECUPERAÇÃO

 

“Mais preocupantes do que essas revisões dos prognósticos básicos é o aumento dos riscos de queda,” afirmou Olivier Blanchard, economista chefe e diretor do Departamento de Pesquisa do FMI, que prepara o Panorama Econômico Mundial.

 

O FMI enfatizou ainda que a menor queda registrada no panorama global sob projeções básicas é assentada em três suposições importantes:

 

- Que será posta em prática toda uma política de ação em favor da criação de condições financeiras na chamada área periférica do euro, que inclui Grécia e Espanha, que deverá ser atenuada em 2013.

 

-A política fiscal norte-americana não sofrerá um arrocho acentuado em 2013.

 

-Alguns dos maiores mercados emergentes darão passos importantes no sentido de estimular o controle dos ganhos de crescimento.

 

O FMI declarou que o risco mais imediato para a recuperação global é justamente uma demorada ou insuficiente ação política que possa aumentar a escalada da crise na zona do euro. “Em termos simples, os países periféricos do euro, terão que ser bem sucedidos,” afirmou Blanchard.

 

O relatório citou acordos na reunião de cúpula da zona do euro de 28 de junho de 2012, como um passo dado na direção certa. Ela afirma ainda que as ações da reunião de cúpula deverão ajudar a quebrar “os elos adversos entre os Estados soberanos e os bancos”, dando ensejo à criação de uma entidade unificadora das instituições bancárias.

 

Acontece que a recente deterioração no mercado de débitos soberanos demonstra que uma oportuna implementação dessas medidas, aliadas a avanços significativos por parte das coalizões bancárias e fiscais, devem ser uma prioridade.

 

A atualização do World Economic Outlook (Panorama Econômico Mundial) também mencionou a possibilidade que o crescimento dos Estados Unidos seria travado por conta do excessivo arrocho fiscal causado pelo colapso político. “Numa abordagem extrema, se os políticos falharem em atingir um consenso no sentido de aumentar algumas reduções de impostos temporárias, e de reverter profundos cortes de gastos automáticos”, a economia norte-americana pode se deparar com um vertiginoso declínio de mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) no seu deficit fiscal de 2013. O tal chamado precipício fiscal poderia causar um severo declínio no crescimento dos Estados Unidos, com “significativos reflexos para o resto do mundo.” 

 

Além disso, caso os Estados Unidos não ajam prontamente para aumentar o débito de seu teto fiscal, crescerá o risco de uma ruptura no mercado financeiro e uma subseqüente perda de confiança tanto para o consumo como para os negócios.

 

O crescimento sofreu uma queda de ritmo em algumas economias emergentes como o Brasil, a China e a Índia.  Isso se deveu a um fraco ambiente externo e mais uma aguda desaceleração na demanda doméstica como resposta aos limites de capacidade e à política de arrocho. Além de tudo, apesar dos pesares, os mercados emergentes superaram a crise de modo satisfatório.

 

Em contraste com as amplas tendências no resto do mundo, o crescimento no Oriente Médio e no Norte da África será mais forte, na medida em que exportadores chave de petróleo continuam a impulsionar a produção dirigindo para cima a demanda doméstica, enquanto a atividade na Líbia passa por uma fase de recuperação após a agitação de 2011. A África Sub-Saariana, que se manteve ilhada contra os impactos financeiros externos, está também sob expectativa de desfrute de um relativamente robusto crescimento no período entre 2012-2013.

 

RISCOS FINANCEIROS AUMENTAM

 

Riscos para a estabilidade financeira têm aumentado desde o Relatório sobre Estabilidade Financeira Global de abril de 2012, à medida que a recuperação global ainda se debate e apresenta temores acerca da qualidade dos ativos bancários na Europa, causando turbulência nos mercados financeiros, segundo ainda os mais recentes relatórios do FMI.

 

Muitos procedimentos da mesma natureza na Europa e nos Estados Unidos que o Panorama da Economia Global identifica como ameaças ao crescimento global, o Relatório sobre Estabilidade Financeira Global assegura que podem ameaçar a estabilidade financeira e causar uma erosão de confiança no mercado financeiro.

 

A atualização do Relatório sobre Estabilidade Financeira Global citou ainda um acordo da reunião de cúpula no sentido de se criar uma coalizão bancária envolvendo toda a Europa, o que iria ajudar a quebrar os elos negativos entre os governos e os bancos. Ela mencionou também a decisão de se criar um único supervisor bancário, juntamente com a injeção direta de capitais em bancos do fundo de resgate europeu, conhecido como Mecanismo Europeu de Estabilidade.   Na realidade, são passos significativos no intuito de abordar a crise imediata, mas ainda há muitas outras contingências em pauta.

 

“As ações dos líderes europeus constituem um passo significativo na direção do assentamento da união monetária da Europa em solo mais firme,” afirmou José Viñals, Conselheiro Financeiro do FMI e chefe do Departamento de Capital e Marketing que produziu o Relatório sobre Estabilidade Financeira Global.

 

O FMI afirmou ainda que os políticos devem dar passos adicionais no intuito de construir confiança no progresso no qual eles geraram expectativa. Em síntese, os políticos devem resolver a incerteza acerca da qualidade dos ativos bancários, e apoiar o fortalecimento dos balancetes das instituições bancárias, através da recapitalização, reestruturação ou resolução. Os países devem também disponibilizar seus previamente acordados compromissos políticos no sentido de robustecer as finanças públicas e legalizar reformas estruturais saneadoras.

 

Estes passos devem ser complementados por mais progresso em direção a uma desenvolta unificação bancária, e uma mais profunda integração fiscal. Para a unificação bancária, as medidas conducentes a um único regulador devem ser complementadas por um esquema de garantia de seguro de depósito pan-europeu, e um mecanismo de resoluções bancárias com suporte comum.

 

O Relatório sobre Estabilidade Financeira Global afirmou ainda, que o despenhadeiro fiscal nos Estados Unidos não foi satisfatoriamente resolvido, e que pode haver ainda mais descidas da dívida norte-americana, que poderiam ter um impacto negativo na confiança no mercado financeiro.

 

Os mercados emergentes enfrentam desafios tanto domésticos como externos, segundo o Relatório sobre Estabilidade Financeira Global. Na frente doméstica, os políticos são confrontados com um crescimento desacelerado e com o legado de um aumento de crédito muito rápido que vem ocupando espaço nesses últimos anos.  Muitos mercados emergentes encaram também um fluxo de capital volátil e preocupações acerca de rápida depreciação.

 

Alguns países ainda dispõem de espaço para alívio monetário, para responder a grandes e adversos choques domésticos ou externos, enquanto o estímulo fiscal permanece uma segunda linha de defesa. O relatório advertiu que um amplo estímulo ao crédito politicamente induzido, poderia elevar o interesse na qualidade dos ativos, e potencialmente debilitar o crescimento do Produto Interno Bruto e a estabilidade financeira nos anos posteriores.

 

AJUSTE FISCAL NOS TRILHOS

 

Enquanto isso os relatórios atualizados do Monitor Fiscal do FMI, afirmam que o ajuste fiscal está se processando geralmente como esperado em economias tanto avançadas, como emergentes. Os deficits orçamentários nas economias avançadas estão com previsão de declínio em cerca de 0,1 por cento do Produto Interno Bruto-PIB, em 2012, um dado que leva ao compromisso entre restaurar a sustentabilidade fiscal e apoiar o crescimento.

 

Em muitas economias emergentes, os déficits estão projetados para permanecerem amplamente inalterados entre 2012-2013, implicando em um ritmo levemente mais lento de ajuste, do que o previamente esperado, algo que o relatório vê como apropriado, levando-se em conta as posições fiscais geralmente mais fortes desses países, e os riscos para baixo da economia global.

 

Contudo, o FMI faz as mesmas colocações. “Um foco nos alvos de déficit nominal, poderia conduzir a um excessivo arrocho, se o crescimento enfraquecer nas economias avançadas,” afirmou Carlo Cottarelli, Diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, que prepara o monitor fiscal. “Para países que dispõem de espaço para assim procederem, o foco deveria ser nas medidas a serem implementadas para a melhoria das finanças públicas, que seriam preferíveis.”

 

Tanto a Espanha, como a Itália, estão implementando consideráveis reduções de deficit nos próximos dois anos, visando readquirir confiança no mercado, afirmou o FMI.  Nos três países da zona do euro com programas respaldados por empréstimos da União Européia e do FMI-Grécia, Irlanda e Portugal- o ajuste está tendo prosseguimento, mas a recente deterioração no clima político e econômico na Grécia serve como uma advertência acerca do potencial choque da “fadiga de ajuste”, que permanece uma ameaça para as continuadas reformas, afirmou o Monitor Fiscal.  

 

 

Tradução:  Luiz Antônio Alencar, jornalista, músico, eterno Big Brasa

 

Fonte: IMF Survey Magazine: In the News, publicação virtual do Fundo Monetário Internacional





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