Reflexões sobre o ato de julgar
Creio que todos que leiam esse texto saibam que o espiritismo, como uma doutrina baseada no Cristo e nas leis de Deus, orienta-nos a não julgar os nossos irmãos. Mesmo sabedores disso, por vezes torna-se algo difícil praticar essa máxima.
O que é necessário para a reforma íntima relacionada ao não julgamento? Algo que certamente ajuda é uma racionalização palpável sobre o porquê de não fazer nem ao menos sentido condenar mentalmente alguém por fazer algo que desaprovamos, mesmo que esteja se falando de crimes.
Para começar, só nos é possível conceber um julgamento correto em algo preciso, objetivo. As pessoas não agem com a mesma linha de pensamento, cada um é um mundo em si mesmo, com seus pensamentos servindo de ambiente que influencia o tempo todo. Sendo assim, Chico Xavier via o mundo e fazia suas escolhas de acordo com seus pensamentos (pensamentos construídos por ele, mas ainda assim o influenciavam), assim como um assassino faz suas escolhas de acordo com seu mundo mental.
Então estou afirmando que as pessoas são bonecos de seus pensamentos? Não, de modo algum. O mundo mental de uma pessoa lhe dá o modo de pensar e perceber o mundo, dando-a escolhas, que podem ser mais ou menos fáceis de ser tomadas, de acordo com a situação mental que se apresenta.
Sendo assim, para julgarmos com justiça teríamos que ter a empatia necessária para não apenas saber o que se passava na mente do indivíduo no momento do ato, mas, principalmente, sentir todas as sensações e pressões que ele sentia. Quem tem capacidade de fazer isso? Apenas Deus.
Do modo como as pessoas julgam, elas buscam fazê-lo a partir do ato e da situação, sem levar em conta todo o mundo mental do objeto do julgamento, que é por onde o indivíduo percebe e age no mundo. Será que, na mesma situação, com a mesma constituição mental, o julgador não realizaria o mesmo ato que tanto condena?
Devemos sim avaliar as atitudes, mas sem nunca condenar o indivíduo por trás dela. Ele poderia ter escolhido de outra forma? Sim. Acontece que todos erram.
Considerando tudo isso, não se deve esquecer a importância do aprimoramento moral, de forma que a constituição mental de uma pessoa ser de determinado modo não a impede de mudá-la, ainda que lentamente.
Não pretendo com este texto falar sobre a condenação em um nível judiciário, pois o objetivo dela deve ser sempre o de impedir que o condenado siga realizando as ações ilegais. As ressalvas que se poderia colocar nessa questão seriam apenas as de humanizar e enfatizar a verdadeira reforma sobre o indivíduo no sistema legal.
Fonte – Rodrigues.G - Fórum Espírita