O capital humano e a saúde
das organizações

Em gozo de férias, em julho passado, estive em São Paulo, quando fui convidado a participar do SUESP 2013-Simpósio das UNIMEDS do Estado de São Paulo. O convite me foi feito por um cunhado, médico Antônio Marcílio, presidente da UNIMED de Penapólis-SP. O evento, realizado na cidade turística de Guarujá-SP, se constituiu em um forte referencial estratégico para o Sistema UNIMED Paulista e também nacional, com o objetivo de apontar os rumos a serem seguidos no atual momento, tendo em vista a conjuntura econômica nacional.
Dentre as diversas palestras, chamou a minha atenção a proferida pelo Dr. Clóvis de Barros Filho abordando o tema "Mudança: um convite à realidade".
O Dr. Clóvis é advogado, jornalista, professor universitário (USP), mestre em Ciência Política e doutor em Ciências da Comunicação. Em sua explanação o conferencista focou o tema Saúde das Organizações, ressaltando as características positivas dos colaboradores (servidores/empregados) das instituições, taxando-os como verdadeiros protagonistas do desenvolvimento das suas empresas.
Segundo o expositor, o ser humano é dotado de três sentimentos: desejo, alegria e ágape;
O desejo é a ânsia permanente de se conseguir aquilo que ainda não se tem: bom salário, sucesso profissional e outras prendas; já a alegria é a satisfação contínua pelo o que já se tem; cada pessoa deve procurar as condições para energizar sua alegria e o aumento dessa alegria é o ganho de potência que só a própria pessoa pode avaliar.
Para que as instituições cresçam é fundamental que seus membros tenham desejos e alegrias, pois somente movidos por estes sentimentos eles adquirem a capacidade de transformar as empresas e até o próprio mundo.
Finalmente, o ágape é a confraternização, é o clímax, é a alegria sentida pela alegria dos companheiros. Segundo Clóvis de Barros, numa verdadeira equipe seus membros têm que ser detentores de desejos e alegrias e também estarem "impregnados" pelo sentimento do ágape.
Para uma melhor compreensão do assunto, o conferencista citou como exemplo a seleção brasileira de futebol, que na época disputava a copa das confederações, realizada no Brasil.
Os jogadores da seleção brasileira tinham o desejo individual e coletivo de se autopromoverem e a alegria pelas vitórias alcançadas pela equipe, passo a passo; todavia, o sentimento de ágape dominante na equipe foi exteriorizado pelo zagueiro David Luís: após cometer o pênalti que resultou no gol da seleção do Uruguai, constrangido o zagueiro pediu desculpas ao goleiro Júlio César, prometendo se recuperar, logo que possível; na final contra a Espanha, ao tirar de dentro do arco de Júlio César uma bola indefensável, David Luís sinalizou para o arqueiro, como que se redimindo pelo erro anteriormente cometido.
Naquele momento, a alegria do Júlio César era a mesma alegria do David Luís, do técnico Felipão e de toda a equipe. Predominou o sentimento de ágape de uma equipe vencedora que culminou com o título de campeã da Copa América de 2013.
Que lições as organizações podem tirar da mensagem do Dr. Clóvis de Barros Filho? Que estratégias específicas as empresas devem adotar para tornarem-se vencedoras?
Reflitam e mãos à obra!
José Roberto Ribeiro Vieira
Engenheiro Agrônomo