Eu quero viver. Será?

 

 

 

 

Hoje acordei diferente, com um desejo profundo de viver, de sorrir, de compartilhar, de perceber,

 

….no café da manha dei “bom dia” a meus familiares e ninguém respondeu, como o silencio é a rotina não achei estranho, mas gostaria de ter tido uma boa conversa com todos antes de sair pro trabalho,

 

….ao sair à rua dei bom dia ao vizinho e ele não respondeu, continuou a ler o jornal, fiquei pensando quando foi a ultima vez que me dirigi a ele para dar bom dia… me dei conta de que nunca havia feito isso, bem, acho que ele não fala com estranhos, e eu, sou um estranho,

 

….ao andar a caminho para o trabalho desejei cumprimentar as pessoas mas percebi a indiferença delas, algumas falando ao celular, outras ouvindo musicas, nem me notaram, segui em frente,

 

….tentei comprar o jornal, e o jornaleiro não me vendeu, também, eu nunca havia trocado com ele mais que duas palavras ao longo de anos, acho que nem saberia descrever o rosto dele, pois nunca o olhei em seus olhos, estava sempre lendo quando pagava pelo jornal, talvez, ele se sentiu ignorado como eu pelas pessoas que passavam a rua, me senti triste por ele não me atender,

 

….ao chegar ao trabalho sorrio para o porteiro do prédio mas ele não me olhou, parece que nem estava me vendo, também pudera, eu nem sei seu nome, e sei que ele trabalha na portaria ha anos, eta dia complicado, estou a fim de sorrir para todos, estou feliz por estar vivo e ninguém parece me notar,

 

….ao subir o elevador, o ascensorista nem ergue a cabeça para me olhar, dou um sincero – bom dia – e não recebo resposta, ao chegar ao 2 andar poderem entra uma moça, e o ascensoristas desta vez responde ao cumprimento dela, será que estou sendo discriminado, não sei, mas me senti inferior por não ser notado,

 

….finalmente no escritório, paro e me preparo para entrar, respiro fundo e entro com um sorriso enorme e um sincero – bom dia – , ninguém responde, ao contrario, todos ficam em seus lugares e me ignoram, ao fundo, a senhora do café chora, vou em sua direção e observo ela lavando a caneca onde tomo café todos os dias, e por instantes entendo tudo… Ouço sua voz murmurando, – ele nuca sorria, nunca dizia bom dia, ignorava todos, nem sei se ele sabia meu nome, mas mesmo assim estou orando por ele para que ele tenha um boa morte….

 

 

Jose Nelson Matos – Colaborador do Portal Messejana



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