Considerações sobre a violência
Diariamente é noticiado em todos os veículos de comunicação que se encarregam de manter-nos informados sobre o cotidiano, notícias das mais variadas, dentre elas, aqui, tem-se os crimes de morte. Os assassinatos noticiados foram praticados pelos mais variados motivos: matam para roubar; matam por vingança; matam por “amor” (um crime passional); matam até pelo simples prazer de matar; entre outras mais justificativas.
Por um lado têm-se os criminosos, que atentando contra a vida de alguém, pelas suas próprias mãos decidem tirar a vida de um inocente, ceifando-lhe o que ele tem de mais precioso, a vida. Por outro, se tem nossos policiais, com suas atribuições, dentre elas, a de manter a ordem e a paz da comunidade como um todo. Há de se levar em conta, que o ofício de um policial está repleto de perigos, o mesmo poderá vim a enfrentar situações de risco em um maior grau que a maior parte das pessoas que compõem a sociedade como um todo.
Ora, embora fiquemos tristes quando a vida de um de nossos representantes da lei e da ordem é posta em risco, ou até mesmo é tirada, precisamos levar em conta que eles sabem dos riscos da profissão, riscos estes que podem chegar ao extremo, e tirar-lhes a própria vida. No caso dos criminosos não há dúvida quanto ao incomodo da existência dos mesmos, queremos que a justiça atue com o máximo de rigor, para que tais “elementos” sejam punidos e paguem por seus crimes.
Diante da situação incômoda pela qual passamos e passaremos por um bom tempo, quer seja uma situação de óbito, onde morra um policial, ou mesmo onde morra um delinqüente, é preciso que estejam presentes representantes, quer dos direitos humanos, quer do estatuto do menor, entre outras mais instituições Tais entidades existem para que seja estabelecida a justiça, para que não se incorra em arbitrariedades no que diz respeito ao cumprimento da lei.
Sobre estes aspectos é preciso que se entenda a presença e importância de tais instituições, elas não existem para que se proteja a quem quer que tenha cometido um crime, e sim, para verificar a veracidade dos fatos, e levar com segurança o criminoso a responder pelo seu crime, a presença da polícia não é garantia de que a lei seja cumprida na totalidade.
Atento para isso, diante do equivoco na opinião de alguns, que consiste na idéia de que elas (Os direitos humanos, o Estatuto do menor) foram criadas para a proteção de um de um criminoso, o que não passa de ingenuidade, pois os mesmos deveriam entender a necessidade (pelo menos em tese) da presença de tais instituições, em todo e qualquer caso onde esteja afligida a ordem da sociedade.
Logo, não se trata de defender um contraventor da ordem, e sim de garantir que se cumpra a lei, para que a mesma possa vim a ser aplicada
A situação em que nos encontramos inspira cuidados e precisamos de respostas que resolvam a maior parte de nossos conflitos, mas tais respostas não podem se basear apenas em opiniões, as mesmas são de caráter transitório e variam de pessoa para pessoa, a lei é universal, todos temos em nosso interior uma idéia de justiça, é isso que possibilita vivermos ainda em sociedade.
Logo, uma opinião é válida, mas querer fundamentar determinada lei naquilo que alguém, ou determinado grupo, acredita ser justo, se deixando levar apenas pela euforia de alguns insensatos e precipitados em suas decisões, como se fossem “heróis a quererem restabelecer a ordem e a paz, com seus discursos inflamados e cheio de ódio”, é uma atitude irresponsável, não contribuindo em nada para que se tenha uma sociedade de paz e harmonia.
Daí, não termos motivos justos para que pensemos em querer a pena de morte, por exemplo, o desejo pela legalidade da mesma não seria legitimo, pelo simples fato de nos deixarmos levar pela sensibilidade, pelas emoções. Nossa situação é conflitante, não tenhamos dúvidas quanto a isso, mas, precisamos entender que a mesma não é eterna, podemos melhorar nossa convivência sem precisar que para isso reconheçamos na pena de morte, a solução.
Outro equivoco, para concluir, seria o de nos basearmos nas escrituras, na Bíblia em especial, para mostrar as soluções de nossos conflitos do cotidiano, me parece que estamos usando a mesma para justificarmos nossos erros, e não como fonte de iluminação, gloria ou consolo em nossos momentos de angustia. Precisamos ser mais cautelosos em nossas opiniões baseadas nos exemplos bíblicos, pois podemos estar incorrendo no erro, que consiste na interpretação de tais exemplos de maneira tendenciosa, para justificar nossas opiniões sobre determinados assuntos, isso não é correto, muito menos é sinal de um sentimento religioso legitimo e verdadeiro.
Prof. Wagner Souto