Fortaleza, Vila Morena, 409 anos

 

 

 

Dentro de ti uma essência fecunda de Soares Moreno e a índia Iracema!

 

A Fortaleza, Vila Morena. Dentro de ti uma essência fecunda de Soares Moreno e a índia Iracema. Fortaleza irmã do Sol e do Mar. Eu jamais poderia deixar de falar-te sempre dos teus 409 anos de História. Construídas e reconstruídas memórias desde 1604. Jurei ter por companheira Iracema e Fortaleza a tua vontade. À tua vontade Vila Morena, para que não te deixes que os olhares fiquem cada vez mais distantes das margens do Rio Ceará, a tua origem.

 

Ah Vila Morena! Fortaleza que nasceu na Barra do Ceará, morada eterna de Martim Soares Moreno, que já nos foi retratada por José de Alencar no romance Iracema. E quando alguém olvidar-te será possível despertar nos acordes do teu hino a tocar: “A Iracema lembrando o guerreiro, De sua alma de virgem senhor”.

 

Martin Soares e Iracema Fortaleza, Vila Morena. A tua musa Iracema se faz presente em todos os lados da cidade. O Aterro de Iracema que virou ponto de encontro para festejar… A tua referencia étnica será anunciada: Praia de Iracema. Cartão postal para os turistas da Beira Mar que também contemplam o casal Iracema e o Guerreiro Branco.  Patrimônio da cidade é o palco do Theatro José de Alencar que encena o legado indigenista. E não se pode sair da terra alencarina sem ver altiva Iracema na lagoa de Messejana, uma faceta de Fortaleza. Vila Morena!

 

Fortaleza não há como maquiar tua face… e omitir 122 anos!  A nós sujeitos a pagar os impostos que favorecem a Prefeitura Municipal; desde logo é sabido que no portal de entrada da Secretaria de Finanças em bronze está fincada uma esfinge da índia Iracema. Consciência cidadã pode exigir que os proventos dos fortalezenses devessem ser revertidos para manter a História da Vila Morena… Nos últimos anos, mais de 32 milhões foram gastos dos recursos públicos para promover o aterramento das tuas origens mestiças… Tempos de arrogância e imposição: “Às vezes há uma voz que se levanta. Mais alta do que o mundo e do que nós”. Isso nunca mais! O Povo é que mais ordena. Foi preciso resgatar a memória do Marco Zero de Fortaleza. “E abraçar aquele lugar que, tão cinzento. Se esconde sob a névoa que ficou”… Reviver! Canções d’ alma, Cantigas e Fados de amor à Fortaleza, Vila Morena.

 

“E o luar nas areias de prata, Não se apagam no seu coração”.  Certa meia noite se faz poética! “Jangadeiros, caboclos valentes. Dos escravos partindo grilhões”. O Povo é que mais ordena. Terra da Fraternidade. Cravos a oferecer em cada esquina, em cada rosto, Igualdade. Terra da Luz! Fortaleza, Vila Morena.

 

Adauto Leitão 

 

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