O Museu do Ceará

  

No Ano Nacional dos Museus, o museu do Ceará, reinaugurado no dia 25 de março de 1998, encontra-se no prédio da antiga Assembléia Provincial, contíguo à Praça General Tibúrcio, a Praça dos Leões. O edifício foi construído entre os anos de 1856 e 1871 e hoje abriga o mais importante acervo do Ceará.

Adentra-se ao Museu do Ceará por uma porta de 2,55 metros de altura, precedida por quatro colunas com entablamento em estilo dórico-romano, balaústres da imponência do edifício que denotava poder político. No vestíbulo, a portaria com exibição e venda das obras editadas pelo Museu testemunham o potencial cultural casa. A primeira visão de peça histórico-cultural é a estátua de bronze de uma índia, reprodução de original do Museu da República, mas antes de subirmos ao grande acervo, visitemos as exposições no térreo.

No corredor à direita, a primeira porta dá acesso ao Memorial Frei Tito. Ali, as cores e luzes rememoram o calvário do religioso que acabou vítima da ditadura militar brasileira.

O frei Tito de Alencar Lima nasceu no dia 9 de setembro de 1945, filho de Ildefonso Rodrigues Lima e de Laura Alencar Lima. No memorial podem ser vistos documentos como título de eleitor, carteiras de trabalho e de estudante. Também estão expostos ali, os óculos, máquina de escrever, livros, terço, despertador, fotografias e uma carta do religioso à irmã dele, Nildes Alencar.

Ainda no térreo também está a sala de exposições temporárias onde se encontra a exposição temática sobre o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, comunidade messiânica de alta orientação socialista que foi dizimada numa invasão militar em 1936. A exposição denominada Caldeirão 80 Anos exibe roupas usadas pelo beato José Lourenço, líder espiritual da comunidade, durante as orações. Cinco fotografias ampliadas do momento da invasão militar lembram os cenários russos de Tolstói. A expressividade dos rostos dos habitantes do Caldeirão é chocante aos olhos de observadores mais atentos. Estão na sala a cruz de madeira que ocupava lugar de destaque nas orações da comunidade; a foice, o machado e a espingarda do beato José Lourenço completam a coleção. Ali, podem ser vistos oito reproduções, também ampliadas, de jornais da época da invasão, um retrato do governador Menezes Pimentel, mandatário na época da invasão, e um livro de História, do período ditatorial, onde o tema do Caldeirão foi excluído. Em outra parede o bendito cantado na comunidade: ´Dai-me meu Jesus um doce coração pelas cinco chagas da Vossa paixão.´

No restante do térreo estão os escritórios dos funcionários do Museu, um auditório e reserva técnica. O acesso ao primeiro andar pode ser feito pela imponente escada em meio ao vestíbulo ou por elevador.

No primeiro andar uma jangada mostra aos visitantes o equipamento de pesca artesanal com todos seus aparatos. A partir dali pode adentrar-se às salas de acervo pela direita ou esquerda. A disposição das peças no primeiro andar permite uma viagem no tempo e num percurso ovalar se percorre um pouco da história do Ceará e do Brasil.

A exibição do acervo do Museu do Ceará está sendo reestruturada, por isso alguns itens estão sem identificação.

Começando a visita pelo lado direito encontraremos um rico acervo paleontológico. Nos grandes nichos, machados de pedra, pontas de lança, urnas funerárias. Há peças que têm origem na Etiópia e outras da região do Cariri, rica em fósseis, apesar do osso úmero de uma preguiça gigante estar deslocado na penúltima sala de exposição.

Adentra-se ao corredor à direita e encontramos um mosaico de azulejos (acima) com a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, onde está escrito: Aos heróicos jangadeiros cearenses oferece como lembrança a Casa ao faz Tudo José Ramos - Rio, 10 - XI -1941 p/intermédio do Diário da Noite. A peça corresponde à lembrança da viagem dos quatro pescadores que foram de jangada de Fortaleza ao Rio de Janeiro para solicitar ao então presidente Getúlio Vargas, direitos trabalhistas, e acabaram sendo filmados por Orson Welles.

Segue-se por uma exibição de cadeiras da antiga Assembléia, com seus espaldares talhados com o brasão cearense, daí começa a profusão de peças que correspondem ao período republicano e imperial com exibição de móveis, armas, uniformes, trincos de porta com o brasão do Império, carimbos de bronze, urna eleitoral, máquinas de costura, bengalas, punhais, revólveres, enfim, uma infinidade de objetos coroados com uma pintura a óleo do imperador Pedro II que encerra aquele salão. O segundo cômodo a seguir foi dedicado à libertação dos escravos no Ceará, onde se pode vê o livro de prata com a nossa ´Lei Áurea´, doação dos portugueses residentes na época em Fortaleza, a mesa que serviu de suporte àquela sessão solene, um óleo sobre o tema e retratos dos abolicionistas.

Entre a sala do Império-República e a da Abolição, uma dedicada à intectualidade cearense. Na penúltima chegamos a uma batina, chapéu, bastão e paramentos do Padre Cícero, que dividem o espaço com o úmero fóssil citado, adornos indígenas e registros da Sedição de Juazeiro. A última sala tem a primeira planta de Fortaleza, com maquete, inúmeras peças que contam a história da capital, como o vaso europeu que adornava o passeio público (foto à extrema esquerda). Há placas com os curiosos nomes antigos de ruas e o famoso bode Ioiô, talvez o mais célebre retirante, que ganhou lugar em meio à história e cultura do Ceará.

O Museu pode ser visitado de terça-feira a sábado, das 8 às 17 horas, nos domingos de 8 horas ao meio-dia. Visitas monitoradas podem ser marcadas pelos telefones 3101-2610 e 3101-2611.





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