O Museu do Ceará
Adentra-se ao Museu do Ceará por uma porta de
No corredor à direita, a primeira porta dá acesso ao Memorial Frei Tito. Ali, as cores e luzes rememoram o calvário do religioso que acabou vítima da ditadura militar brasileira.
O frei Tito de Alencar Lima nasceu no dia 9 de setembro de 1945, filho de Ildefonso Rodrigues Lima e de Laura Alencar Lima. No memorial podem ser vistos documentos como título de eleitor, carteiras de trabalho e de estudante. Também estão expostos ali, os óculos, máquina de escrever, livros, terço, despertador, fotografias e uma carta do religioso à irmã dele, Nildes Alencar.
Ainda no térreo também está a sala de exposições temporárias onde se encontra a exposição temática sobre o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, comunidade messiânica de alta orientação socialista que foi dizimada numa invasão militar em
No restante do térreo estão os escritórios dos funcionários do Museu, um auditório e reserva técnica. O acesso ao primeiro andar pode ser feito pela imponente escada em meio ao vestíbulo ou por elevador.
No primeiro andar uma jangada mostra aos visitantes o equipamento de pesca artesanal com todos seus aparatos. A partir dali pode adentrar-se às salas de acervo pela direita ou esquerda. A disposição das peças no primeiro andar permite uma viagem no tempo e num percurso ovalar se percorre um pouco da história do Ceará e do Brasil.
A exibição do acervo do Museu do Ceará está sendo reestruturada, por isso alguns itens estão sem identificação.
Começando a visita pelo lado direito encontraremos um rico acervo paleontológico. Nos grandes nichos, machados de pedra, pontas de lança, urnas funerárias. Há peças que têm origem na Etiópia e outras da região do Cariri, rica em fósseis, apesar do osso úmero de uma preguiça gigante estar deslocado na penúltima sala de exposição.
Adentra-se ao corredor à direita e encontramos um mosaico de azulejos (acima) com a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, onde está escrito: Aos heróicos jangadeiros cearenses oferece como lembrança a Casa ao faz Tudo José Ramos - Rio, 10 - XI -1941 p/intermédio do Diário da Noite. A peça corresponde à lembrança da viagem dos quatro pescadores que foram de jangada de Fortaleza ao Rio de Janeiro para solicitar ao então presidente Getúlio Vargas, direitos trabalhistas, e acabaram sendo filmados por Orson Welles.
Segue-se por uma exibição de cadeiras da antiga Assembléia, com seus espaldares talhados com o brasão cearense, daí começa a profusão de peças que correspondem ao período republicano e imperial com exibição de móveis, armas, uniformes, trincos de porta com o brasão do Império, carimbos de bronze, urna eleitoral, máquinas de costura, bengalas, punhais, revólveres, enfim, uma infinidade de objetos coroados com uma pintura a óleo do imperador Pedro II que encerra aquele salão. O segundo cômodo a seguir foi dedicado à libertação dos escravos no Ceará, onde se pode vê o livro de prata com a nossa ´Lei Áurea´, doação dos portugueses residentes na época em Fortaleza, a mesa que serviu de suporte àquela sessão solene, um óleo sobre o tema e retratos dos abolicionistas.
Entre a sala do Império-República e a da Abolição, uma dedicada à intectualidade cearense. Na penúltima chegamos a uma batina, chapéu, bastão e paramentos do Padre Cícero, que dividem o espaço com o úmero fóssil citado, adornos indígenas e registros da Sedição de Juazeiro. A última sala tem a primeira planta de Fortaleza, com maquete, inúmeras peças que contam a história da capital, como o vaso europeu que adornava o passeio público (foto à extrema esquerda). Há placas com os curiosos nomes antigos de ruas e o famoso bode Ioiô, talvez o mais célebre retirante, que ganhou lugar em meio à história e cultura do Ceará.
O Museu pode ser visitado de terça-feira a sábado, das 8 às 17 horas, nos domingos de 8 horas ao meio-dia. Visitas monitoradas podem ser marcadas pelos telefones 3101 2610 e 3101 2611.