Mais um pouco da história de

Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção

  

 

No vasto areial que se via do mar, acreditavam os portugueses colonizadores que esta terra seria o Saara brasileiro. Até hoje, o Ceará como termo, antes foi Siará, leva a discussões quentes se é uma referência ao nome do deserto africano ou alguma palavra nativa. O sinônimo para charque, surgiu muito tempo depois. A dúvida persiste e estudos não chegam a um acordo.

Naqueles idos colonias peleavam holandeses e portugueses pelo território brasileiro. Os holandeses chegaram em nossas praias em 1637 e no monte que os nativos chamavam Marajaig, à margem esquerda do riacho Pajeú, começaram a levantar um forte de madeira, o qual foi batizado de Schoonemborch. No holandês falado na época seria traduzido como bela vista ou bela paisagem. E devia ser mesmo: uma colina verdejante à margem de um riacho que se impunha sobre as dunas com nosso mar verde-esmeralda ao fundo.

O ano era já 1649 e o forte foi inaugurado, mas os holandeses não iriam desfrutar muito de sua então bela paisagem. Cinco anos depois os portugueses vão tomar o forte. O destino de cidade havia sido determinado, o capitão holandês Matias Beck plantou a semente da cidade que hoje tem mais de dois milhões de habitantes e é o segundo destino turístico do Brasil.

No formato colonizador português, o território cearense entre os anos 1556 e 1621, ficou respondendo à capitania do Maranhão, até passar ao domínio pernambucano. Passa-se mais de um século e somente no dia 13 de abril de 1726, o arraial ganha a condição de vila. A Vila de Nossa Senhora da Assunção reverencia a santa que batizou o forte depois da vitória sobre os holandeses e até hoje é a padroeira da cidade de Fortaleza.

A Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção é uma típica construção do estilo colonial. A imagem da santa, acima, que está na na praça interior de Nossa Senhora da Assunção, tem sua origem atribuída aos tempos do capitão-mor Álvaro Azevêdo Barreto, vencedor dos holandeses, que dedicou o forte à proteção da santa. Na Fortaleza também se encontra uma estátua do General Sampaio, herói de guerra cearense, motivo de outra matéria desta série, e uma de Martin Soares Moreno, colonizador português considerado o primeiro a lutar pelo Ceará. Um relato de época conta que Martin, tendo notícia da aproximação de embarcações francesas ao longo da costa, astuciosamente, deixou que os tripulantes  desprevenidos viessem à terra para então atacá-los: (...) entre seus índios, nu, de arco em  punho, barba raspada e todo sarapintado a maneira deles´. Martin foi imortalizado na literatura por José de Alencar, ao transformá-lo no guerreiro branco, parceiro da princesa índia, Iracema, a virgem dos lábios de mel, pais de Moacir, o filho da dor, que seria o primeiro cearense.

Chegamos ao século XIX, e no dia 17 de março de 1823, a Vila de Nossa Senhora da Assunção é elevada à categoria de cidade. Era o primeiro ano do Império Brasileiro, depois da colonização portuguesa. A Fortaleza vai ser testemunha do movimento contestatório ao imperador Pedro I, a Confederação do Equador. No areial chamado Campo da Pólvora, fundos do forte, serão fuzilados os líderes.

Depois virão outras manifestações, como pela libertação dos escravos, final do século XIX, e no início do século XX, a guerra contra a oligarquia Accioly.

A Fortaleza, como a conhecemos hoje, ressalvadas as reformas, teve os fundamentos lançados solenemente no dia 12 de outubro de 1812, projeto do tenente-conorel de engenheiros José da Silva Paulet, foi levantada, principalmente, com donativos de particulares angariados pelo governador Sampaio e por seu antecessor, Barba Alardo de Menezes, que segundo João Brígido, é o detentor da idéia de reedificar a Fortaleza. Em 1817 foi afixada uma lápide com a inscrição em latim, aqui traduzida: ´´As naus escarneciam de mim quando eu era um monte informe; agora, que sou uma grande fortaleza, de longe, tomam-se de respeito. Aqui, reinando

D. João VI, Sampaio me fundou bela, o engenho de Paulet resplandece. Os donativos dos cidadãos me tornam forte pelas muralhas, e os despêndios reais me fazem forte pelas armas.´ Costa Barros fez.´

Na Fortaleza, apesar da placa de 1817 que diz o contrário, há um calabouço subterrâneo onde Bárbara de Alencar nunca esteve presa.
Na Fortaleza, apesar da placa de 1817 que diz o contrário, há um calabouço subterrâneo onde Bárbara de Alencar nunca esteve presa.

Hoje a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção é a sede da 10ª Região Militar do Exército Brasileiro. O local é aberto à visitação e há guia no local. Na parte externa da Fortaleza encontra-se a Praça da Vitória, com monumento em honra ao soldado brasileiro. À noite prostitutas batalham escondidas na penumbra dos muros do forte.





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