A lenda do Boto cor-de-rosa

 

 

 

Conta na Amazônia, que os botos do rio Amazonas fazem charme para as moças que vivem em vilas e cidades à beira-rio.

 

Eles as namoram e, depois, tornam-se os pais de seus filhos!

 

No início da noite, o boto se transforma em um belo homem e sai das águas, muito bem vestido e de chapéu, para esconder o buraco que todos os botos têm no alto da cabeça (o buraco serve para respirar o ar, já que os botos são mamíferos e têm pulmões, como você). O rapaz-boto vai aos bailes, dança, bebe, conversa e conquista uma moça bonita. Mas, antes do dia surgir, entra de novo na água do rio e se transforma de novo em um mamífero das águas.

 

O boto verdadeiro

 

O verdadeiro boto é um mamífero da ordem dos cetáceos. Há um grupo deles que vive exclusivamente em água doce, de rio. O que vive na América do Sul tem o corpo alongado, de dois a três metros de comprimento. Tem grandes nadadeiras peitorais e cerca de 134 dentes. São cinzentos, mas clareiam com a idade e ficam cor-de-rosa!

 

Botos comem peixes e, às vezes, frutos que caem no rio. A fêmea tem um filhote, que permanece ao seu lado até ficar adulto.

 

Parece que as lendas sobre "botos-homens" só surgiram no Brasil a partir do século XVIII. Pelo menos, nenhum pesquisador encontrou registros mais antigos dessa lenda! Mas, na mitologia dos índios tupis, há um deus - o Uauiará - que se transforma em boto. Esse deus adora namorar belas mulheres.

 

Até hoje, mães solteiras na região do Amazonas dizem que seus filhos são filhos "do boto"! O olho do boto, seco, é considerado um ótimo amuleto para conseguir sucesso no amor. Se o homem quer conquistar uma mulher, dizem que ele deve olhar para ela através de um olho de boto. Desse jeito, ela não vai poder resistir - e vai ficar perdidamente apaixonada...

 

No me de junho quando anoitece, ele frequenta os bailes e as festas que acontece nos povoados ribeirinhos da região amazônica. Sempre de terno branco, é alto, forte, bonito, elegante e dança muito bem.

 

Em sua versão humana nunca dispensa o chapéu. Além de garantir o visual elegante, a peça tem outra função: esconder o orifício que os botos possuem no alto da cabeça que serve para respirar.

 

Com essa estampa toda o boto seduz as moças e tenta sempre conquistar a mais bonita. Mais o romance dura pouco, pois, antes da amanhecer, o rapaz desaparece tão misteriosamente como surgiu. É que ele precisa voltar para água antes q o encanto passe.

 

A garota apaixonada nunca mais tem notícias do ‘belo moço’ e, tempos depois, aparece grávida, não tarda muito e o povo começam logo a dizer que a criança é ‘filha do boto’. Até hoje no norte do Brasil, a lenda do boto serve como explicação para toda gravidez em que o pai é desconhecido. Tanto é assim que no Amazonas e no Pará a expressão ‘filho do boto’ é usada para denominar as mães solteiras.

 

Outros Nomes: Piraia-Guará, Iauara.

 

 

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