Albert Einstein

 

 

 

A ONU declara 2005 em homenagem ao cientista. Aos cinco anos, quem diria que aquele menino que ficou impressionado com a bússola que seu pai lhe deu se transformaria num dos maiores cientistas do mundo. A curiosidade do alemão Albert Einstein (1879-1955) começou a ser aguçada por este aparelho que apontava sempre para o norte. Já aos 26 anos, era ele quem iria mudar a direção da história com suas revolucionárias descobertas científicas.

 

O pontapé inicial foi em 1905 (conhecido como o Ano Miraculoso de Albert Einstein), quando o jovem produziu cinco trabalhos considerados extraordinários, entre eles a teoria da relatividade especial, a teoria quântica da luz e o movimento browniano. Em homenagem ao centenário desses trabalhos, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2005 o Ano Mundial da Física (o Dia Nacional da Física foi comemorado em 19 de maio). Nesta matéria, conversamos com vários professores e físicos brasileiros que nos ajudam a entender o impacto das idéias de Einstein no mundo moderno. Eles explicam, ainda, o que poderia ser feito para valorizar o setor no país e de que forma os colégios podem aguçar o interesse dos alunos em conhecer este e muitos outros cientistas que estão mais próximos da nossa realidade do que imaginamos.

 

Basta olhar ao redor para identificar as contribuições de Einstein.

 

Popularmente conhecido por sua cabeleira branca despenteada e a língua de fora, o impactante Einstein deixaria qualquer um de olhos arregalados e cabelos em pé com a enormidade da lista do que pôde ser criado a partir de suas teorias. O legado do cientista está em toda parte. A começar pela tela do computador em que você lê este texto, a televisão, os CDs e DVDs.

 

Vá a um hospital e encontre amostras de suas descobertas, como a tomografia computadorizada contra o câncer. Mais recentemente, temos o sistema de posicionamento global, que guia aviões, navios e carros. E mais simbólico ainda: a energia nuclear e as bombas atômicas, produzidas graças à conversão de massa em energia prevista pela famosa fórmula E=mc² (energia é igual à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado).

 

O reconhecimento do trabalho do físico veio logo: em 1921, ganhou o Prêmio Nobel da Física por ter provado que a luz apresenta estruturas granulares (partículas), ou fótons, como ficariam conhecidas. Anteriormente, acreditava-se que a luz era exclusivamente onda. A nova idéia lançou os pilares da moderna física quântica e foi a base para o surgimento do laser, quase 50 anos mais tarde. Outra importante descoberta foi a comprovação em laboratório da existência de átomos e moléculas (movimento browniano), que até então era apenas uma hipótese.

 

O que impressiona é que apenas um cientista, em poucos meses, tenha dado contribuições tão importantes para a ciência e que alteraram profundamente nossas concepções sobre o espaço e o tempo, bem como sobre a estrutura da radiação. Einstein viveu um século em que a ciência passou a ser reconhecida como força econômica, e os físicos, nos países mais desenvolvidos, começaram a ser recrutados pelas grandes corporações. Antes disso, no século XIX, a física havia lançado as bases técnicas da sociedade industrial do século XX, com a eletrificação intensiva, os motores, os geradores e o rádio. Apesar de toda a repercussão gerada por suas descobertas, Einstein era cauteloso quanto ao futuro. "Se a minha teoria da relatividade geral for bem-sucedida, a Alemanha me reivindicará como alemão e a França dirá que sou um cidadão do mundo. No caso de se revelar falsa, a França dirá que sou alemão e a Alemanha me declarará judeu", disse o cientista, antes de 1919, quando finalmente sua teoria foi comprovada por meio de observações astronômicas, três anos depois de ser concebida.

 

Ela sustenta que os corpos não se atraem devido à força da gravidade, como pensara o cientista Isaac Newton (1642-1727). A atração gravitacional ocorre porque corpos de grande massa produzem a curvatura do espaço-tempo, parecida com a que uma bola de chumbo provoca sobre um colchão macio. Qualquer objeto viajando pelo espaço, como um meteorito, apenas acompanha essa curvatura ao passar próximo de um corpo de grande massa. A teoria mostra que, à velocidade da luz, o tempo se dilata e o espaço se contrai. Suponhamos que uma pessoa viajasse em um fóton (partícula de luz). Ela não envelheceria, pois o tempo deixaria de existir.

 

Outra conclusão é que eventos registrados como simultâneos por um observador em repouso em relação a eles ocorrem em tempos diferentes para um observador em movimento. O mais fantástico é que ambos os registros estão corretos. Uma pessoa parada num ponto de ônibus, ao ver passar um carro na rua, tende a achar, por exemplo, que a velocidade do veículo está mais alta do que pode parecer para o passageiro dentro dele. Por causa dessa teoria tão ampla, as pessoas, sem nem darem conta, citam Einstein nos momentos mais cotidianos da vida, dizendo: "Tudo é relativo". Depende de cada ponto de vista, é claro. Assim como as opiniões sobre o alcance da obra de Einstein. Nem todos fazem idéia de que o cientista também era uma pessoa preocupada com a condição humana e a preservação do meio ambiente.

 

Lembrando que neste 5 de junho se comemora o Dia Internacional do Meio Ambiente e da Ecologia, o professor da UFRJ e presidente do Espaço Ciência Viva, Pedro Muanis Persechini, destaca a importância de Einstein na discussão da relação dos seres humanos com este que é o bem mais precioso do planeta. - Uma lição que podemos tirar dos ensinamentos de Einstein é que devemos continuar a procurar na ciência um maior entendimento entre o homem e a natureza, incluindo a solução de problemas que já foram criados. No entanto, não podemos esperar que a ciência faça tudo sozinha. Inspirados em Einstein, quem sabe não mantemos erguida a bandeira da preservação do meio ambiente, que é tarefa de todos.

 

Por essas e outras características do brilhante cientista, mais aplausos vieram em 1999: ele foi escolhido pela revista norte-americana "Time" como o "Homem do Século". Superastro da ciência sim, mas a forma de aproveitar a fama também teve um aspecto simbólico quando se trata de guerras. O homem cujos estudos sobre o átomo possibilitaram a criação das armas nucleares curiosamente foi um pacifista militante. Se a Primeira Guerra Mundial (1914-18) ficou conhecida como a "guerra dos químicos", por ter sido campo de experimentação de explosivos e gases venenosos, foi a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a "guerra dos físicos", que demonstrou para o mundo, de forma brutal, o poder dessa ciência.

 

Nessa época, Einstein assina uma carta ao presidente norte-americano Franklin Roosevelt, avisando sobre a possibilidade de os alemães estarem desenvolvendo armas nucleares. Os Estados Unidos se adiantam e constroem a bomba atômica. Os efeitos catastróficos dessa arma, vistos pela primeira vez em Hiroshima em 1945, levam Einstein a se envolver na luta contra o desarmamento, defendendo inclusive o fim da perseguição do povo judeu pelos nazistas. Uma semana antes de sua morte, em 1955, em plena Guerra Fria, com a crescente tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética e a conseqüente proliferação de armas nucleares, Einstein assina o Manifesto Russel-Einstein, alertando contra a ameaça que essas armas representam para a humanidade.

 

- Einstein continua estimulando os cientistas a manter erguida a bandeira pacifista. Mas aprendemos, através de dolorosas lições, que o ser humano pode utilizar seu conhecimento sobre a natureza tanto para o bem quanto para o mal. Esse dilema, que existe desde quando o homem dominou o fogo e inventou a roda, tem na bomba atômica seu exemplo mais dramático - afirma o professor Pedro, lembrando que muitas indagações éticas ainda virão pela frente: - Precisamos aprender com as lições do passado. Hoje, diante de novos desenvolvimentos científicos e tecnológicos, como a engenharia genética e a nanotecnologia (nova tecnologia que permite a produção de máquinas e objetos microscópicos pela manipulação dos átomos), a sociedade precisa estar atenta para, sem interromper o avanço da ciência, evitar sua aplicação de forma desastrosa. Isso se faz com a ampliação da educação científica da população e com o aperfeiçoamento do diálogo entre ciência e sociedade.

 

As descobertas podem e devem começar desde cedo. Melhor ainda se o ensino dessas questões nas escolas incluir momentos de reflexão e questionamento dos fenômenos ao nosso redor acompanhados pela diversão. As curiosas crianças e adolescentes certamente vão mergulhar num novo mundo que a princípio pode parecer mágico. Para que os professores agucem esse interesse nos jovens, pais e físicos fazem sugestões.

 

Outro momento valioso para atrair o interesse dos jovens são as Olimpíadas de Física, direcionadas a estudantes do ensino médio. As inscrições para professores já estão abertas, pelo site da Sociedade Brasileira de Física (www.sbfisica.org.br). A olimpíada nacional foi organizada pela primeira vez em 1998 e, atualmente, já está presente em todos os estados do país, atraindo mais de 30 mil alunos. Os vencedores de cada ano são selecionados para representar o Brasil em duas competições mundiais: a Olimpíada Internacional de Física (Internacional Physics Olympia - Ipho) e a Olimpíada Ibero americana de Física (OIbF). - O Brasil tem conseguido várias medalhas na Ibero americana. Na última edição, conquistamos o primeiro lugar geral, com duas de ouro, uma de prata e uma de bronze. Já na IPhO, ainda não ganhamos medalhas, somente menções honrosas, o que já é positivo - conta o secretário-geral da Olimpíada Brasileira.

 

O maior desafio brasileiro, no entanto, é a maior valorização do setor da física. Segundo o professor da Rede Pública do Estado do Rio Gustavo Rubini, há um déficit crônico desses mestres na educação básica. Existe a necessidade de uma maior valorização dos profissionais, da criação de novos cursos de licenciatura, assim como a ampliação dos já existentes, e de um maior estímulo às pesquisas. Estudo, estudo e mais estudo. O percurso desses profissionais é uma maratona acadêmica, como conta o presidente da Sociedade Brasileira de Física, Adalberto Fazzio:

 

- O físico no Brasil geralmente termina o bacharelado, ingressa no mestrado e posteriormente em um programa de doutorado. Ao fim desses estudos, as principais portas hoje no Brasil são as universidades ou institutos de pesquisa. Temos poucas empresas no país com laboratórios suficientes para absorver nossos doutores. Isso é uma deformação. Precisávamos ter mais empresas interessadas na inovação e não com a mentalidade de apenas importá-la. Nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, por exemplo, a maioria dos PhD em física são absorvidos em laboratórios de pesquisa das empresas, sendo que aproximadamente 30% permanecem na universidade - explica Adalberto, lembrando ainda que há uma desvantagem em relação aos salários pagos no Brasil, que não costumam ser muito altos. Mas o mercado tem ampliado as opções. Prova disso é a abertura de vagas em áreas como a Física Médica, a Biofísica e até em Bolsas de Valores. Em 2002, cerca de 1.400 pessoas se formaram no curso de Graduação em Física e esse número vem crescendo nos últimos anos (em 1998, foram apenas 400), segundo pesquisa coordenada pelo professor Amando Siuiti Ito, da USP de Ribeirão Preto.

 

- Novos setores estão surgindo, como os que envolvem a física e a biologia. A UFRJ, por exemplo, possui um curso de graduação em Física Médica e, a partir de 2006, oferecerá a graduação em Biofísica. Há um mercado crescente para profissionais que tenham formação básica em ciências exatas (física, matemática, informática) e em ciências biológicas (biologia celular e molecular, bioquímica, farmacologia). Eles serão capazes de se moldar com maior agilidade às novas demandas de um mercado de trabalho que envolve hospitais, indústrias com base em biotecnologia e instituições de pesquisa - afirma Gustavo. Resta-nos ficar atentos ao surgimento de novos cientistas que possam continuar revolucionado a ciência. E não precisa ser um super gênio, porque nem Einstein tinha esse perfil: era um homem comum, que curiosamente só pronunciou as primeiras palavras depois dos três anos e teve dificuldades na escola com a escrita. Mesmo com esse histórico, foi capaz de conceber a teoria da relatividade e tantas outras incríveis descobertas.

 

- Gênios como Einstein são raros. Não sei quantos surgirão no campo da ciência ou das artes. Alguns podem estar entre nós sem serem reconhecidos. Espero que usem sua mente para o bem da humanidade - diz o professor Pedro. Fonte: Internet





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