Luciano Franco – CD “Rio Novo”

 

 

 

A música brasileira, cada vez melhor

 

Desafiando o discurso dos que apregoam uma suposta derrocada criativa da música brasileira nos últimos tempos, instrumentistas, compositores e intérpretes dos quatro cantos do País vêm erguendo sua voz.

 

Artistas que seguem produzindo uma música de diversidade e qualidade espantosas para quem se acostumou ao reduzido leque de opções dos canais de maior visibilidade. Mas, para quem se habituou a olhar ao redor, manter o espírito aberto e os ouvidos atentos ao que acontece nestes muitos Brasis musicais, já não é surpresa o fato de contarmos com músicos de talento, inquietude e criatividade suficientes para que ninguém insista no recorrente lamento quanto ao “estado de coisas da música brasileira”. Renovada pela contribuição de gerações em diálogo, arejada pelas estratégias alternativas de difusão da cena dita “independente”, liberta da necessidade imperiosa dos “dials” radiofônicos e auditórios televisivos, ela se mostra cada vez melhor.

 

O novo disco do compositor cearense Luciano Franco é mais um argumento a endossar esse fato. “Rio Novo” é o esperado segundo CD de um dos mais completos músicos da efervescente cena instrumental descortinada no Ceará, exemplificando a pluralidade dessa produção incontida em estereótipos “regionalistas”. São 13 novos temas de um instrumentista que trafega com desenvoltura pelas teclas do piano e pelas cordas do contrabaixo, do bom violão de nylon e da guitarra semi-acústica. Mais do que isso: um compositor prolífico, autor de centenas de músicas, em uma produção de impressionante qualidade. Capaz de revelar, a partir de matrizes da melhor tradição musical brasileira e universal, como ainda há espaço de sobra para inspiradas e inquietantes criações.

 

Ignorando os pré-conceitos freqüentemente impostos à música instrumental, a maturidade da produção de Luciano Franco faz com que o virtuoso multiinstrumentista jamais eclipse a figura do compositor. Sem arroubos de tecnicismo nem solos além da conta, a música de Luciano se mostra em sua essência, valorizando a beleza dos temas, o desenho sinuoso das melodias, as harmonias instigantes e diferenciadas de quem jamais deixou de conjugar as lições dos grandes mestres.

 

A opção por essa síntese faz de “Rio Novo” - cujo título remete ao bairro de mesmo nome na cidade de Cascavel-CE, onde seu autor viveu na infância e na adolescência prendendo da maerimeiras notas musicais - ade de CAscavel-- um disco convidativo ao ouvinte, sedutor e cativante desde a primeira audição. Nem por isso deixa de haver espaço para o que de melhor nasceu da confluência entre a tradição jazzística e a herança musical brasileira: a improvisação, compreendida como liberdade de criação, sempre em favor da música.

 

Se em seu primeiro CD, lançado em 2005, Luciano Franco já impressionava pela consistência e pela multiplicidade de seu trabalho, em “Rio Novo” ele torna a presentear o público com a variedade de ritmos, a elegância de seus arranjos e a riqueza de suas composições. Arregimentando outros craques das cenas musicais cearense, baiana e carioca para ajudá-lo a tecer seus sambas, bossas, valsas, baladas e choros, reitera no disco a genialidade de sua produção, calcada no horizonte do equilíbrio entre o simples e o complexo. Como a música brasileira sempre soube fazer.

 

 

LUCIANO FRANCO – CD “Rio Novo”

 

  1. “Cristal”
  2. “Fotografando”
  3. “Valsa para Beatriz”
  4. “Tudo de novo”
  5. “Laranjeira”
  6. “Rio novo”
  7. “Noite e dia”
  8. “Se você disser”
  9. “Novos amigos”
  10. “No passo da Rosa”
  11. “Um grande amor”
  12. “Pra cima e pra baixo”
  13. “Choro de domingo”

 

* Todas as composições são de Luciano Franco

 

 

RIO NOVO – Faixa a faixa

 

  1. Cristal – O tremular da guitarra e os acordes climáticos do piano anunciam o tema que abre o disco, em uma mescla de influências jazzísticas, na cadência interrogativa e urbana de “Cristal”. Valorizado ainda pelo solo de guitarra de Chico Oliveira e pelo quarteto-base que aparece na maior parte do disco: Édson Távora Filho ao piano, Jerônimo Neto ao contrabaixo, Daniel Alencar à bateria e o próprio Luciano Franco ao violão.

 

  1. Fotografando – Adentrando o universo da bossa, o compositor remete às fotografias cariocas cristalizadas nas canções de Jobim, Lyra, Menescal, entre tantos outros. A melodia costurada pela flauta de Márcio Resende convida a um surpreendente passeio nessa faixa em que se destacam ainda o flugel de Joatan Nascimento, o piano de Tito Freitas, o baixo de Marcelo Randemarck e a bateria de Márcio Dhiniz.

 

  1. Valsa para Beatriz – No caleidoscópio de ritmos do disco, esta valsa nada dolente - homenagem de Luciano Franco à sua mãe, que lhe apresentou o mundo da música - se destaca ao comprovar a habilidade com que o compositor tece uma progressão de acordes de tirar o fôlego. Entre ecos de Galliano, as diferentes partes do tema contrastam na magistral alternância entre força e suavidade, ressaltada pelo acordeom e pelo piano de Adelson Viana, na cama harmônica à qual se soma o violão de Tarcísio Sardinha.

 

  1. Tudo de novo – Entre o samba e a bossa, Luciano Franco prefere ambos, como prova essa faixa, de melodia contagiante ganhando as cores da elegância no trompete de Joatan Nascimento. No baixo Vinicius Franco, filho do compositor, presta seu tributo ao universo musical paterno, enquanto Luizinho Duarte esbanja a habitual categoria na bateria, em um dos temas que mais demonstram como a música de Luciano se faz complexa e popular, ao mesmo tempo.

 

  1. Laranjeira – Tito Freitas ao piano, Luizinho Duarte na bateria e Luciano Franco costurando o contrabaixo. Assim é a faixa mais despojada do disco, cuja melodia escorre pelas brancas e pretas do piano, remetendo à sonoridade dos eternos trios responsáveis pelo balanço da bossa.

 

  1. Rio novo – A faixa-título do disco é outro de seus pontos altos. Um de seus temais mais instigantes e criativos, sobre a base do samba, reforçando que, longe da redundância e da obviedade, ainda há muito o que se criar no universo do gênero musical essencialmente brasileiro. Que o digam as cores noturnas e surreais da melodia de “Rio novo”, tema enriquecido ainda pelo contrabaixo de Jorge Hélder.

 

  1. Noite e dia – Balada de influência jazzística em sua versão original, “Noite e dia” aparece aqui em “uptempo”, tendo em primeiro plano a melodia no flugel de Sérgio Benutti. Mais uma demonstração das versáteis qualidades de Luciano Franco como melodista e de sua disposição em trafegar por diferentes searas musicais.

 

  1. Se você disser – O violão anuncia na introdução e o samba torna a pedir passagem na elegância de “Se você disser”, que desfila em diálogo entre as cordas de Luciano Franco e o piano de Édson Távora Filho. Um exemplo a mais de um samba dos bons, daqueles em que sempre foi pródiga a música brasileira.

 

  1. Novos amigos – Um dos momentos mais cadenciados do disco é essa balada, em que os caminhos harmônicos propõem uma atmosfera sonora de lirismo e serenidade. Na melodia, o piano de Édson Távora Filho, o violão e a guitarra de Luciano Franco, também se destacando no solo.

 

  1.  No passo da Rosa - Homenageando aquela que considera uma das melhores intérpretes brasileiras de todos os tempos, Luciano Franco apresenta esta saudação à baiana Rosa Passos. No staccato das notas que sopram da flauta de Márcio Resende, uma lembrança de toda a destreza da cantora na divisão.

 

  1.  Um grande amor – Nessa balada, com as cores de um “slow jazz” intuídas no trombone de Fred Dantas, um novo convite ao lado mais intimista do disco. Destaque também para o piano de Adriano Oliveira.

 

  1.  Pra cima e pra baixo Na cadência do samba, na sofisticação do jazz. Assim essa faixa se revela ao ouvinte, na batida reforçada pela bateria de Pantico Rocha, enquanto brilha o sax soprano de Márcio Resende. Nos solos, o piano de Adriano Oliveira e o baixo de Luciano Franco.

 

  1.  Choro de Domingo – Além da terna melodia, o acordeom de Adelson Viana entrega esta homenagem a Dominguinhos, um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos. O violão de Tarcísio Sardinha e a flauta de Márcio Resende se somam a este tema, fechando o disco de forma bela e contemplativa.

 

 

 

LUCIANO FRANCO

CONTATOS/MAIS INFORMAÇÕES:

Luciano Franco – 85-9622-6750 / lucianofranco@yahoo.com.br





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