Mais sobre o descobrimento do Brasil

 

 

 

Em 1499 Vasco da Gama retorna das Índias. D. Manuel, o Venturoso, imediatamente organiza uma outra expedição. Segundo alguns autores, o nome de Pedro Álvares teria sido indicado pelo próprio Vasco da Gama para comandar esta armada.

 

Partiu a 8 de março de 1500, com treze navios e aproximadamente 1.500 homens, a maior frota jamais reunida até então. Tal frota, comandada por Pedro Álvares Cabral, rumou para o ocidente depois que passou pelas ilhas Cabo Verde, o que lança a questão: se o descobrimento do Brasil foi um mero acaso ou se os portugueses tinham realmente conhecimento da terra a ocidente e quiseram tomar posse dela.

 

No dia 22 de abril, terra foi avistada e a 23, desembarcaram num local que designaram Porto Seguro (BA) onde foi rezada a primeira missa pelo Frei Henrique Soares.

 

Partiram novamente em 2 de maio em direção ao cabo da Boa Esperança e chegaram a Calicute em 15 de setembro. Sentindo hostilidade e temendo que seus objetivos não fossem realizados pelo rei local, valeu-se do poder militar que sua frota proporcionava e agiu com crueldade, queimando navios mouros, bombardeando a cidade e massacrando cerca de seiscentos muçulmanos.

 

Chegaram em Cochim (24 de dezembro) e Cananor, onde carregou seus navios com pimenta e outras especiarias, chegando de volta a Portugal em 21 de julho de 1501.

 

Esta viagem confirmara uma nova rota comercial de grande peso econômico.

 

O Esquecimento e o Início da Colonização

 

Inicialmente chamado Terra de Vera Cruz e, mais tarde, Santa Cruz — foi, pelo menos durante 30 anos, praticamente abandonado por Portugal. Para conhecer a grandeza da terra e verificar suas riquezas, Dom Manuel enviou, logo no ano seguinte, uma expedição exploradora, que só encontrou, de valia, imensas florestas de pau-brasil. Não dispondo de recursos para cuidar suficientemente da Índia e do Brasil, o rei resolveu arrendar a exploração desta última possessão a uma companhia de comércio, que se obrigava a enviar, durante três anos, pelo menos uma expedição ao Brasil, que deveria explorar anualmente 300 léguas da costa em troca do monopólio do comércio dos produtos da terra.

 

A companhia enviou uma expedição em 1503, sob o comando de Gonçalo Coelho, não se sabendo se cumpriu as cláusulas contratuais nos anos seguintes. Ao mesmo tempo comerciantes franceses, encontrando a terra desocupada, passaram a freqüentá-la, recolhendo o pau-brasil, com cujo tráfico obtiveram largos lucros.

 

Em pouco, a terra era mais dos franceses (maíres, para os indígenas) que dos portugueses (perós). Por isso, e após fracassarem negociações diplomáticas junto ao rei de França, Dom Manuel, primeiramente, Dom João III, em seguida, promoveram expedições guarda-costas, chefiadas por Cristóvão Jaques, para perseguir os concorrentes, o que foi feito, sem maior êxito entretanto, dada a extensão da costa brasileira. O próprio Jaques reconheceu, em carta ao rei, que somente com o estabelecimento de uma colônia é que se poderia realmente combater o tráfico ilegal.

 

O mesmo conselho foi dado a Dom João III por Diogo de Gouveia, ilustre português que dirigia o Colégio de Santa Bárbara, em Paris: propunha, inclusive, que se dividisse a terra em capitanias, para mais facilmente ocupá-la. O rei preferiu, entretanto, montar expedição à própria custa, sob o comando de Martim Afonso de Sousa (1530-1533), com a tríplice missão de explorar a costa desde o Maranhão até o rio da Prata, impedir o comércio dos franceses e fundar os primeiros núcleos de população branca: São Vicente, a primeira vila (22 de janeiro de 1532), e Piratininga, esta em terra firme.

 

Foi aí, em São Vicente, que se iniciaram a plantação da cana-de-açúcar, o cultivo da vinha, do trigo e de outras plantas, além da criação de gado, mandado vir das ilhas de Cabo Verde. Pouco depois, entretanto, verificando a impossibilidade de o erário arcar sozinho com a colonização de toda a vasta colônia, Dom João III aceitou dividir a terra em lotes — as capitanias hereditárias —, doados a pessoas de sua confiança que se dispusessem a investir na colônia. Foram 15, inicialmente, os lotes distribuídos. A maioria dos donatários lançou-se à colonização, promovendo a fundação de vilas, a distribuição de sesmarias, a exploração de riquezas da terra. Embora por toda a costa se distribuíssem os núcleos coloniais, atingindo assim os objetivos reais, progressos notáveis só se deram, realmente, em duas capitanias: Pernambuco, graças ao grande esforço do capitão-donatário Duarte Coelho, que se dedicou à cultura da cana e à indústria do açúcar, e São Vicente, onde os colonos, muitos chegados com a primeira expedição colonizadora, lograram ampliar as plantações e fundar outra vila, que iria crescer rapidamente: Santos (obra de Brás Cubas). O êxito das capitanias e, ao mesmo tempo, a necessidade de defendê-las contra os maus colonos e os estrangeiros levaram Dom João III a aproveitar-se da morte do donatário da Bahia, Francisco Pereira Coutinho, para comprar a capitania ao herdeiro, transformando-a em capitania da Coroa. 





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