Lampião e Maria Bonita - a lenda do sertão

 

 

 

Em 28 de julho de 1938 chega ao fim a trajetória do mais popular cangaçeiro do Brasil, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi morto na Grota do Angico, interior de Sergipe, dos 39 membros do bando de Lampião 11 morreram e os restantes fujiram, o primeiro a ser abatido foi Lampião e logo a seguir sua companheira Maria Bonita, os outros 9 membros do bando foram abatidos logo a seguir e suas cabeças foram cortadas e andaram em exposição por todo o nordeste do brasil.... Lampião foi por sua intelegência e destreza amado por uns e odiado por outros e até hoje é considerado o Rei do Cangaço.

 

Virgulino Ferreira da Silva nasceu em 1887 na comarca  de Vila Bela, região do Vale do Paju, Estado de Pernambuco, dos 9 irmãos foi um dos poucos a se interessar pelas letras e frequentava as aulas dadas por mestres-escola que se instalavam nas fazendas, no sertão as secas prolongadas e marcado por desigualdades sociais, a figura do coronel representava o poder e a lei, criava-se desta forma um quadro de injustiças que favorecia o banditismo social, pequenos bandos armados chamados cangaceiros insurgiam-se contra o poder vigente e espalhavam a violência na região, quase sempre contra as familias mais abastadas e grandes latifundiários.

 

Eram frequentes também os atritos e demandas entre as famílias tradicionais devido ás questões de posse de terras, às invasões de animais e ás brigas pelo comando político da região, num desses confrontos o pai de Lampião foi assassinado e para vingar a morte do pai, entre outros motivos, Lampião entra para a vida do cangaço por volta de 1920, a principio segue o bando de Sinhô Pereira, mostrando-se hábil nas suas estratégicas de luta, assume a chefia do bando em 1922 quando Sinhô Pereira deixa a vida do cangaço, Lampião e o seu bando vivem de assaltos, da cobrança de tributos de fazendeiros ricos e de pactos com os chefes políticos, praticam assassinatos por vingança ou por encomenda, pela fama que alcança Lampião torna-se então o inimigo número um da policia nordestina, muitas recompensas são oferecidas pelo governo para quem o capture, mas as tropas oficiais sempre sofrem derrotas quando enfrentam o bando, como a policia da capital não consegue sobreviver no sertão árido, surgem as unidades móveis da policia, chamadas Volantes, nelas se alistam os "cabras", os capangas familiarizados com a região, mas as Volantes acabam tornando-se mais temidas pela população do que os próprios cangaceiros, para além de se utilizarem a mesma violência no agir, ainda contam com o apoio do governo, sendo mais crueis com suas vítimas que os próprios cangaceiros, entretanto Lampião ganha fama por onde passa, muitas são as lendas criadas em torno do seu nome, por sua vivência no sertão nordestino, em 1926 o governo do Ceará negocia a entrada de Lampião e seu bando nas forças federais para combater a Coluna Prestes, mas o seu namoro com a lei dura pouco, volta para o cangaço, agora melhor equipado com as armas e munições ofereçidas pelo governo.

 

Em 1930 há o ingresso das mulheres no bando, e Maria Déia, a Maria Bonita, torna-se a companheira de Lampião, em 1936 o comerciante Benjamin Abraaõ, com uma carta de recomendação do Padre Cícero, consegue chegar ao bando, e documenta em filme "Lampião e a vida no cangaço", esta "aristocracia cangaçeira" como define Lampião, tem as suas regras, sua cultura e sua moda, as roupas inspiradas em heróis e guerreiros, como Napoleão Bonaparte, são desenhadas pelo próprio Lampião e confeccionadas por ele e Maria Bonita, os chapéus, as botas, as cartucheiras, e os ornamentos em ouro e prata, mostram a sua habilidade como artesão .

 

Após dezoito anos a policia finalmente consegue apanhar o maior dos cangaceiros, na madrugada do dia 28 de julho de 1938, a Volante do Tenente João Bezerra, numa emboscada feita na Grota do Angico, mata Lampião, Maria Bonita e parte do seu bando, as suas cabeças são cortadas  e expostas em praça pública, Lampião e o cangaço tornaram-se nacionalmente conheçidos, seus feitos têm sido frequentemente temas de romancistas, poetas, historiadores e cineastas e fonte de inspiração para manifestações da cultura popular nordestina, principalmente literatura de cordel.

 

A morte de Lampião só foi possível após um coiteiro, Antonio da Piçarra, a troco da recompensa e perdão da justiça informou às Volantes onde eram os esconderijos de Lampião, foi assim que Lampião foi apanhado de surpresa e morto na hora.

 

MARIA BONITA

 

 De seu nome verdadeiro, Maria Gomes Oliveira, nasceu a 8 de março de 1911 no municipio de Paulo Afonso, Bahia, depois de um casamento fracassado conheçeu Virgulino Ferreira da Silva, o famoso cangaceiro conheçido pelo nome Lampião, estava-se no ano 1929, Lampião e Maria Bonita apaixonaram-se e algum tempo depois casaram, no entanto Maria Bonita só entrou para o bando de Lampião no final de agosto de 1930, foi a primeira mulher a partiçipar num grupo de cangaçeiros e isso abriu a porta para os membros dos bandos cangaçeiros trazerem as suas companheiras para  participarem como elementos do bando, depois de 8 anos como cangaçeira, Maria Bonita é abatida a tiro junto com Lampião e outros 9 membros do bando, na fazenda Angico, poço redondo - Sergipe, em 28 de julho de 1938, foi degolada ainda viva, pela policia armada oficial, conheçida como Volante, assim como Lampião e os outros 9 membros do bando, e suas cabeças foram expostas em praça pública que ficou conheçida como a exposição macabra.

 

Maria Bonita e Lampião foram pais de uma menina nascida em 1932, que recebeu o nome Expedita Ferreira.





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