VI Festival de Teatro de Fortaleza promove encontro de curadores

 

 

 

Grupos teatrais cearenses conhecem a história de grandes festivais nacionais e têm a oportunidade de apresentar seus trabalhos e concorrer às mostras de 2011. Além da apresentação de 24 espetáculos locais e nacionais, o VI Festival de Teatro de Fortaleza, realizado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Secretaria de Cultura (Secultfor), reuniu, na tarde desta quarta-feira (11), curadores de grandes festivais de teatro nacionais no Foyer do Theatro José de Alencar. A discussão e a troca de ideias sobre a cena contemporânea local, regional e nacional resultou na abertura informal de inscrições de espetáculos locais no FIT/São José do Rio Preto (SP), FILO (Londrina/Pr), POACENA (RS), Janeiro de Grandes Espetáculos (PE) e Cena Contemporânea (DF).

 

Luciano Alabarse, curador do internacional Poacena/RS, que já existe há 17 anos, selecionou o espetáculo cearense “O cantil”, do Teatro Máquina, entre 446 trabalhos inscritos no ano passado. “No VI FTF, vi e gostei muito do espetáculo O abajur lilás. Vim conhecer o teatro cearense, estou aberto para ver os trabalhos e ressaltar a importância de enviá-los para festivais como o nosso”, disse. Dimer Camargo, do Festival de Brasília diz que a mostra reflete sobre as políticas latino-americanas para a cultura e hoje abrange oito grupos locais, oito nacionais e oito internacionais. “A minha intenção em Fortaleza, além do debate e da troca, é, acima de tudo, escolher espetáculos para levar à Brasília em 2011”, afirmou.

 

Representantes da cena nordestina, Paula de Renor, do Janeiro de Grandes Espetáculos, de Recife, e Kildervan Abreu, curador do Festival de Recife, destacaram a importância do critério estético na escolha das peças, as dificuldades financeiras para a realização do evento e a necessidade de conhecimento e troca entre os que fazem teatro no Nordeste. Marcelo Zamora, do Festival Internacional de Teatro (FIT) de São José do Rio Preto (SP), mostrou como diferencial da mostra paulista a escolha temática anual. “Este ano, priorizamos trabalhos que pensam o fazer teatral sob novas e inusitadas formas, o que de certo modo dificultou um pouco a seleção”, admitiu.

 

Paulo Braz, curador do mais antigo festival da América Latina, o FILO, de Londrina/Pr, ressaltou como experiência positiva o trabalho que o FILO faz em comunidades carentes, além da preocupação com a acessibilidade como forma de democratizar a cultura. “Fazemos um panorama das artes cênicas locais e do mundo, com música, dança, literatura, teatro e temos parcerias internacionais para apresentações fora do Brasil. Sempre dizemos que se os governos colocassem a cultura em primeiro plano gastariam muito menos em saúde, pois as pessoas adoeceriam menos”, concluiu.

 

:: Conheça os curadores que estão participando do VI Festival de Teatro de Fortaleza:

 

Luciano Alabarse/RS

Diretor teatral, graduou-se no curso de licenciatura em Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1974, encenando textos de autores de projeção nacional e internacional em Porto Alegre desde os anos 70.  Nos anos 1980, Alabarse diversifica sua produção artística e dirige, além de espetáculos teatrais, shows musicais de artistas como Adriana Calcanhoto.  Ainda nos anos 80 cria o grupo de teatro Descascando o Abacaxi, onde monta o Pode Ser que Seja Só o Leiteiro Lá Fora, espetáculo que marca o início de sua parceria com o escritor Caio Fernando de Abreu. Em 1991, Alabarse assume a Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, em que permanece até 1994.  De 1994 a 2001 e de 2005 em diante, é o coordenador e curador geral do Festival Internacional de Artes Cênicas Porto Alegre em Cena, considerado um dos maiores festivais de teatro da América Latina.

 

Paula de Renor/Pe

Produtora e atriz, Paula de Renor é a idealizadora, produtora e gestora do Teatro Armazém desde outubro de 2000, um dos importantes espaços alternativos de escoamento das produções teatrais do Recife. Desde 1983, quando produziu e atuou no seu primeiro espetáculo, “Patética”, tem se dedicado às artes cênicas, tanto através de suas peças (Deus nos Acuda, Arlequim, Salto Alto, Besame Mucho, Aberlado e Heloísa), quanto pela produção de seminários e do Projeto Janeiro de Grandes Espetáculos, junto com a Associação Produtores Artes Cênicas de Pernambuco (APACEPE) de 2002 a 2010.

 

Marcelo Zamora/SP

Marcelo Zamora é Coordenador Geral e Curador do Fórum de Dança de São José do Rio Preto, Presidente da Associação de Amigos da Arte e Mantenedores da Virtual Companhia de Dança e Coordenador Executivo do Festival Internacional de Teatro de São FIT – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto.

 

Paulo Sergio Braz/Pr

Ator, diretor teatral, cenógrafo e produtor, atua na área cultural desde 1984, além de ser membro da Comissão Organizadora do Festival Internacional de Londrina (FILO) desde 1985. Realiza direção cênica para a Casa de Cultura Gonzaga Vieira em Londrina, e participa de eventos, festivais nacionais e internacionais como ator e representante do FILO. Foi contemplado com o prêmio de teatro Myriam Muniz 2009, da Fundação Nacional de Arte (FUNARTE), pelo projeto Expressividade Cênica para Pessoas com Deficiência Visual – espetáculo Olhares Guardados, que teve estréia em junho durante a programação do FILO 2010. Atualmente, além de ser membro da equipe organizadora do FILO, diretor administrativo da Associação dos Amigos da Educação e da Cultura Norte do Paraná (ÀMEN) - que, juntamente com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), promove o FILO - está produzindo e atuará na montagem teatral Federico, sob direção de Eduardo Okamato, com estréia prevista para dezembro de 2010.

 

Dimer Camargo Monteiro/DF

Um dos mais experientes atores de Brasília, onde começou a trabalhar na década de 60, participou de alguns dos mais importantes espetáculos da história do teatro candango. Em 1974, fez parte da equipe que inaugurou o Teatro Galpão. Foi professor e coordenador do Curso de Artes Cênicas na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes (1985/2000). No teatro trabalhou com Bibi Ferreira, B. de Paiva, Hugo Rodas, Alexandre Ribondi, entre outros. Dirigiu Os Rapazes da Banda, de Mart Crowley; O Exercício, de John Lewis Carlino; Beijo no Asfalto, João Sem Nome, de Osvaldo Montenegro; entre muitas outras montagens. No cinema, atuou em Louco Por Cinema, de André Luiz Oliveira (1994); A República dos Anjos, de Carlos del Pino (1991); A Idade da Terra, de Glauber Rocha (1980); e foi premiado no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, pela participação no curta Dona Custódia de Adriana de Andrade.

 

Kildervan Abreu de Oliveira

Jornalista, crítico e Pesquisador do teatro. Pós-graduado em Artes e doutorando em Letras pela Universidade de São Paulo (USP). Kildervan Abreu foi crítico do jornal Folha de São Paulo e da Revista Bravo!, curador do Festival de Teatro de Curitiba e Diretor do Departamento de Teatros da Secretaria Municipal de Cultura/SP. Também foi Coodenador da Escola Livre de Teatro de Santo André (de 1999 a 2003 e 2006 a 2008). Atualmente é curador do Festival Recife do Teatro Nacional e mantém pesquisa sobre o teatro brasileiro contemporâneo, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

 





Exibir todas as matérias.