Tire boas fotos nas férias

Fotógrafos revelam as principais dicas para fazer imagens bacanas em diferentes situações e cenários durante sua viagem.
Quem se programa para uma viagem de férias, seja no Brasil ou no exterior, nunca deixa de levar uma câmera (nem que seja no celular) para registrar os melhores momentos e cenários. Usando máquinas profissionais com várias lentes ou prosaicos telefones, passando pelas câmeras compactas, registrar o momento é fundamental. Mas não basta uma câmera na mão e uma imagem na cabeça. Para que as fotos saiam do lugar comum e possam impressionar quem não esteve lá, alguns conhecimentos básicos de fotografia podem fazer a diferença.
Conhecer a própria câmera e testar suas possibilidades é o primeiro passo.
“As câmeras que estão no mercado hoje em dia têm muitas funções úteis, mas com frequência o usuário não aproveita todo o seu potencial”, conta o fotógrafo que faz projetos para a Gazeta do Povo Fernando Zequinão. Para isso, não existe outro jeito senão testar, mudar as configurações, testar de novo e entender como a câmera funciona, sempre com o manual de instruções na mão.
Ter um olhar curioso sobre as coisas e não ter preguiça de tentar várias vezes são atitudes básicas para buscar fotos que surpreendam. “As melhores fotos são as que fogem dos cartões postais. É preciso procurar algo peculiar, algum detalhe que conte uma boa história. É preciso subir na escada ou deitar no chão, por exemplo, para buscar novos ângulos e não ter vergonha de usar outros enquadramentos”, indica Tânia Buchmann, fotógrafa e supervisora do curso de fotografia do Centro Europeu.
Além das dicas mais técnicas, que você confere a seguir, alguns cuidados são importantes para não se arrepender depois. Levar o carregador de baterias, ter ao menos uma bateria reserva sempre carregada e dispor de pelo menos dois cartões de memória com bastaste espaço, assim não será preciso economizar nos cliques. Zequinão indica que o uso de um tripé é sempre bem-vindo, pois posicionar a câmera de maneira estável é importante mesmo em situações com bastante luz, o que aumenta as possibilidades de a foto sair perfeita.
Tânia observa que uma das maiores dificuldades das pessoas é aprender a colocar todos os elementos dentro do visor, fazendo uma boa composição. “Além disso, aprender a selecionar o que você vai deixar de fora também é importante. Antes, com a fotografia em filme, a gente pensava muito mais antes de fotografar. Hoje, as pessoas acham que é só ficar apertando o botão e alguma foto há de sair boa. Na ansiedade de não perder o momento, não pensam a foto com atenção e acabam fazendo mais do mesmo.”
Paisagens com muita claridade
A luz do sol ao meio-dia incide diretamente em cima da cabeça das pessoas, o que cria grandes sombras embaixo do nariz, dos lábios e as temidas olheiras. Nesta hora, pode ser melhor usar o flash para compensar a luz direta e evitar esse efeito desagradável. A luz deve ser sempre uma aliada do fotógrafo, ficando preferencialmente nas suas costas, para iluminar o que está sendo fotografado. Porém, o contraste da luz do pôr do sol, por exemplo, pode criar o efeito de silhuetas delineadas em preto e criar uma cena belíssima. Para não esquecer nem um ponto da foto, como o reflexo na água, o interessante é sempre observar a paisagem e os detalhes, trabalhando com o equilíbrio da luz.
Ambientes com pouca luz
Nem sempre é possível ter as condições ideais de iluminação para uma boa foto, mas é preciso procurar por uma fonte de luz. Seja pelos vitrais de uma igreja, por uma janela ou fresta de porta, um feixe de luz pode ser o detalhe inusitado da foto ou servir para criar um contraste entre sombra e claridade e render belos efeitos. Procure observar de que forma a luz incide sobre detalhes e em obras de arte, por exemplo, para evitar reflexos de vidros, o que pode fazer com que alguns detalhes não apareçam. Usar o tripé é a melhor alternativa, assim você pode aumentar o tempo de exposição para ter mais luz. Outra opção é aumentar o ISO (sensibilidade) da câmera.
Usando os modos automáticos
Abuse das configurações pré-programadas nas câmeras compactas. O modo retrato desfoca o fundo, chamando toda a atenção para o objeto em primeiro plano. Usando o modo esportes você terá o disparo em alta velocidade e conseguirá congelar uma jogada decisiva. Objetos muito próximos, como um inseto, detalhes arquitetônicos ou uma flor ficam melhores se fotografados no modo macro, que aproxima o foco. Os modos prioridade à abertura e ao obturador também são muito úteis, uma vez que o usuário controla apenas a abertura do diafragma ou a velocidade do disparo, e a câmera controla o resto das funções, para que a fotografia seja exposta corretamente.
Fotos feitas no celular
Os smartphones atuais têm excelentes câmeras e são muito práticos. Usando-os corretamente, é possível fazer ótimas fotos. Procure não usar o zoom do celular; se for preciso, corte a fotografia ou chegue mais perto, pois muitas vezes o zoom digital piora a qualidade da imagem. Faça o download de outro aplicativo de câmera, como o Camera Awesome ou Camera+. Estes aplicativos oferecem maior controle da câmera, como travar a exposição em um lugar da fotografia e o foco em outro. Tente editar as imagens ao invés de usar filtros. Se quiser uma imagem original no lugar dos filtros que outras milhares de pessoas estão usando, programas como o Snapseed oferecem ao usuário ajustes seletivos de nitidez, contraste, exposição, balanço de branco e muitos outros.
Retratos de pessoas e grupos
Comerciantes, motoristas e outros moradores locais são uma ótima inspiração para fotos inusitadas. Converse com eles, pois, além de poderem dar boas dicas turísticas, eles mostram um pouco da cultura do local, com suas roupas e tradições. Deixe-os no enquadramento, insira-os na paisagem, mostre suas tradições, a moeda local, suas roupas, comidas e costumes. Fotografar é tentar contar uma história em apenas uma cena, e em lugares exóticos nada melhor que um toque de humanidade. Evite poses forçadas, procure sorrisos, olhares contemplativos e gestos espontâneos. Se for o caso, interaja com a pessoa fotografada, faça perguntas, peça para que ela mude de posição ou de expressão facial.
Mude o enquadramento
Quase nunca a melhor foto coloca os objetos ou pessoas no centro. A popular “regra dos terços” é valiosa. Veja a figura ao lado. Imagine um jogo da velha no visor da sua câmera (algumas inclusive têm essa função) e posicione o foco principal da foto em um dos quatro pontos de intersecção das linhas. Isso direciona o olhar para fora do enquadramento, dando uma maior sensação de presença no local, imaginando o que viria a seguir. Se na composição houver linhas, como o horizonte e/ou prédios e árvores, por exemplo, estes devem ser posicionados junto às linhas dos terços. Para conseguir esse efeito, não tenha preguiça de se abaixar, procurar uma escada e enxergar a cena por um ângulo novo, que dê mais originalidade à foto.
Gazeta do Povo - Bruna Bill