Mais Dicas de Português

 

 

 

 

Um gângster, dois...?

 

O cineasta Guy Ritchie fez fama por ser o marido da cantora Madonna e por dirigir filmes com edição ágil e história bem amarrada, geralmente sobre grupos que atuam à margem da lei. “Foi o que fez em Snatch - Porcos e Diamantes”. A notícia é que voltará ao tema:

 

Guy Ritchie fará mais um filme sobre gângsters

 

Há, em geral, dois caminhos para uma palavra estrangeira: 1) ser usada algumas vezes e, depois, cair no esquecimento; 2) tornar-se tão conhecida a ponto de merecer registro nos dicionários. A segunda situação também tem duas possibilidades: o termo mantém a grafia original (“como “shopping” e & quotpizza”) ou é aportuguesado.

 

Um dos exemplos mais citados de palavra aportuguesada é "hambúrguer". Como o termo foi adaptado à nossa língua, tem de se adequar também às nossas regras de escrita. Repare que vem com acento agudo (por ser paroxítona terminada em "r"). O plural, ao contrário do inglês "hamburgers", é "hambúrgueres", tal qual outras palavras parecidas: flores, odores, altares, bazares.

 

Chego, enfim, ao "gângster". A palavra já foi aportuguesada. Não é por acaso que é escrita com acento circunflexo. O plural também deve seguir às orientações vigentes na língua portuguesa:

 

Guy Ritchie fará mais um filme sobre gângsteres.

 

Dupla concordância


Duas frases com o mesmo caso:


- Basta coragem e ousadia ao TSE

- Impera a lei e a ação belicosa de minorias

Dois jornalistas me perguntaram dia desses se os trechos apresentavam problema de concordância. Pelo que dizem as gramáticas, não. Quando o sujeito composto vem após o verbo, há duas possibilidades. Primeira: o verbo concorda com o termo mais próximo, como nos exemplos acima. Segunda possibilidade: a concordância é feita com os dois sujeitos, e o verbo fica no plural:

- Bastam coragem e ousadia ao TSE

- Imperam a lei e a ação belicosa de minorias

As duas concordâncias são aceitas. Qual é a melhor? Sugiro o uso do verbo no plural. Fica mais claro que a construção se refere aos dois sujeitos. Isso certamente ajuda o leitor a construir o sentido pretendido pelo autor do texto.

 

Um caso para não usar vírgula



- Universidade se compromete a acabar com déficit mensal de R$ 2 milhões, e pode sofrer intervenção

A notícia é sobre as finanças da PUC de São Paulo, cobrada a fazer uma nova redução nas despesas. O assunto que levanto é sobre a vírgula usada na frase. Quando duas orações possuem o mesmo sujeito e são ligadas pela conjunção "e", a recomendação é não usar o sinal. É o caso do exemplo acima. O sujeito é Universidade nos dois trechos. Logo, sem vírgula:

- Universidade se compromete a acabar com déficit mensal de R$ 2 milhões e (Universidade) pode sofrer intervenção

Outros casos:

- Nilmar opera joelho e (Nilmar) deve ter alta amanhã (Nilmar é atacante do Corinthians)

- Clima seco piora poluição e (clima seco) deixa São Paulo sob atenção

- Polícia Federal infiltra agente em cela e (Polícia Federal) flagra ações de Beira-Mar na cadeia

 

 

Sub: com ou sem hífen?

A (boa) sugestão é de um colega do UOL. Como são escritas as palavras que aparecem com o prefixo "sub"? Subeditor ou sub-editor? Subdiretor ou sub-diretor?

Salvo dois casos (que comentaremos a seguir), a ligação é feita sem hífen:

- subalimentação, subchefe, subdelegado, subdiretor, subeditor, subfaturamento, subseção.

As exceções são as palavras iniciadas por "r" e "b". Nesses casos, usa-se o hífen:

- sub-raça, sub-reitor, sub-base, sub-bibliotecário.

Já comentamos outras vezes, mas não custa reforçar: na dúvida, o melhor caminho é sempre consultar os dicionários.

 

 

Política do café-com-leite

Manchete sobre os candidatos do PSDB que disputam o cargo de governador em São Paulo e Minas Gerais, respectivamente:

- Serra e Aécio selam pacto e invocam política do café com leite

A palavra em destaque possui vários usos. Funciona como substantivo ("o café-com-leite estava quente"), adjetivo ("tinha coloração café-com-leite") ou pode fazer referência à antiga política de alternância de poder entre Minas e São Paulo, assim como sugere o título acima. Em todas as situações, como os exemplos já indicaram, o termo é escrito com hífen.

No caso específico da "política do café-com-leite", há um exemplo do "Aurélio" que não deixa dúvidas:

- Outra tentativa de lutar contra os grandes Estados -sem resultados positivos- é a de formar coligação dos Estados do Nordeste, para contrabalançar a preponderância da política do café-com-leite

Reescrevendo a manchete:

- Serra e Aécio selam pacto e invocam política do café-com-leite.

 



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