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Assistir ao curta

Não é de hoje que a internet exibe vídeos de todo tipo. O assunto ganhou (mais) destaque por causa da fala mole do apresentador Fernando Vanucchi durante a transmissão de um programa esportivo. Houve recorde de acessos. Agora, outro vídeo vira notícia. Um curta-metragem mostra uma idosa -interpretada pela veterana atriz Maria Alice Vergueiro- que fuma maconha há três décadas. Lá pelas tantas, a reportagem indica ao leitor onde ele pode ver o curta:

- Para assisti-lo, entre no site www.youtube.com e faça busca por "Tapa na Pantera"

Há dois problemas no trecho em destaque, um conseqüência do outro: 1) num texto mais formal (caso de uma reportagem), a regência indicada para o sentido de "ver" ou "presenciar" é "assistir a"; 2) essa regência verbal possui uma peculiaridade: não admite pronome oblíquo (lhe) como complemento do verbo (o complemento tem de ser escrito por extenso).

Como o trecho se refere ao curta-metragem, a reescrita ficaria assim:

- Para assistir ao curta-metragem, entre no site www.youtube.com e faça busca por "Tapa na Pantera"

Caso a palavra "curta-metragem" tenha sido usada muitas vezes no texto, outra possibilidade seria substituí-la por um sinônimo ou por um pronome, só que do caso reto (ele, ela):

 

 

 

Tinha pagado / tinha pago

A dúvida começou com esta frase, publicada no jornal "Folha de S.Paulo":

- Máfia diz ter pago R$ 4 mi de propina a 71 parlamentares

Pago ou pagado? As duas são possíveis:

- Máfia diz ter pago R$ 4 mi de propina a 71 parlamentares

- Máfia diz ter pagado R$ 4 mi de propina a 71 parlamentares

Recomendo "pago". E explico o motivo. Há verbos que admitem mais de uma construção no particípio. São chamados abundantes. Possuem uma forma regular (matado, salvado, expulsado) e outra irregular (morto, salvo, expulso). Para perceber quando é uma e quando é outra, funciona bem o seguinte mecanismo:

- ter e haver = uso do particípio regular (tinha/havia matado, salvado, expulsado)

- ser e estar = uso do particípio irregular (foi/estava morto, salvo, expulso)

Em tese, a regra vale também para os verbos ganhar, gastar, pagar e pegar. Mas a teoria não acompanha a prática. O brasileiro claramente prefere a forma irregular, que já é registrada e aceita por muitos dicionaristas e alguns gramáticos. As duas formas são admitidas atualmente.

 

Por Paulo Ramos





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