Prática do Tai Chi Chuan proporciona
equilíbrio e combate o estresse
O Que é

A expressão "tai chi chuan" é uma designação genérica para uma série de exercícios lentos criados na China em sua tradição milenar. No entanto, nem sempre foi assim. Na verdade, ele nasceu de exercícios para defesa. Como veremos mais adiante, pouco a pouco ele foi perdendo esse caráter marcial, transformando-se em movimentos que lembram bailados, embora ainda subsistam variedades tidas como explosivas.
O fato é que o tai chi chuan faz parte da tradição milenar de artes marciais (wushu) chinesas, divididas em artes marciais internas ou esotéricas (nei jia) e externas ou exotéricas (wai jia). É nas primeiras, de orientação taoista, que se inclui o tai chi, juntamente com duas outras técnicas, ou seja, "boxe do corpo e do pensamento" (xingyi quan) e "boxe dos oito trigramas" (bagua quan). Essas últimas, de orientação budista, são violentas, ou seja, são efetivamente marciais. Uma de suas manifestações mais conhecidas é o kung fu (gong fu), além do boxe de Sholin (Sholin quan). O tai chi chuan é a mais popular das artes marciais internas, que são: tai chi chuan (taiji quan), pa kua chang, hsing chuan e liuhe pa fa.
Atividade enfatiza harmonia no desenvolvimento da mente e do corpo.
A tranqüilidade do movimento lento, o contraste entre o cheio e o vazio, a harmonia entre o interno e o externo e as simbologias do poder da terra, da água, do fogo, do metal e da madeira traduzem a prática do Tai Chi Chuan. Ele foi criado com propósitos de combate, como uma arte marcial, mas com o passar dos séculos ganhou ênfase no desenvolvimento da saúde e no combate ao estresse.
No tai chi chuan, a suavidade e a flexibilidade superam a dureza e a rigidez. O exercício, que engloba também uma filosofia de vida, enfatiza a harmonia como um meio de melhorar o desenvolvimento da mente e das habilidades físicas. Também é ressaltada a importância do controle da respiração, a prática da meditação e de movimentos naturais do corpo.
Para o professor Arthur Dalmaso, durante a prática se trava um combate de você contra você mesmo. Não existe erro, é preciso alcançar seu equilíbrio fortalecendo a respiração, corrigindo a postura e alongando músculos e tendões. Parece um exercício simples e fácil, mas que na verdade exige muita concentração para realizar cada movimento
A diferença está na sensibilidade da forma. Segundo o livro Tai chi chuan: saúde e equilíbrio, de Fernando De Lazzari, é importante deixar o corpo relaxado e estendido durante a prática. "Quanto mais tensa a pessoa está, menos
sensível ela fica. Uma pessoa relaxada tem os sentidos mais receptivos e uma consciência maior do que se passa em seu interior e exterior. O princípio básico do tai chi chuan é aprender a relaxar, ficar calmo, com a mente limpa, seja nos movimentos, seja no trabalho ou em qualquer outra atividade".
Aluna da técnica há sete meses, Mônica D'Amato diz que recorre aos fundamentos do tai chi para se equilibrar. "Uso os exercícios de respiração em situações do dia a dia que me exigem outra postura", relata. A aluna conta que era muito ansiosa, queria praticar um exercício, mas depois de uma atividade aeróbica se sentia mais ativa ainda. Foi pensando nos três pilares (respiração, concentração e equilíbrio) que ela se aproximou da técnica chinesa
De acordo com De Lazzari, o tai chi chuan é dividido em duas polaridades: a manifestação exterior (Yang) e cultivação interior (Yin). Todos os movimentos e posturas incluem estas duas polaridades e, na execução dos movimentos, a alternância e a aplicação corretas destes princípios são imprescindíveis: vencer o movimento através da quietude, vencer a dureza através da suavidade, vencer o rápido através do lento.
Viver em harmonia é contrabalancear o Yin e Yang, é saber proporcionar o equilíbrio para melhorar a saúde, perceber o constante movimento de transformação e ter a capacidade de adaptação a essas constantes mutações. "Quando um praticante de tai chi chuan executa movimentos do corpo de uma forma equilibrada, faz a respiração correta e mantém a mente tranquila e concentrada. Um bom praticante usa o potencial de sua mente e de seu corpo não só na prática do tai chi, mas também no seu trabalho e em suas atividades do dia a dia", relata De Lazzari.
Fonte – Minha Vida