Do sexo

 

 

 

 

O sexo é a escada maravilhosa que vos pode levar a Deus. É também a rampa escorregadia, pela qual mais facilmente podem decair as vossas almas. Porque é a parte mais pura e mais natural que existe em vós.

 

Quando procurais o sexo, sois como a pomba que procura o céu para abrir as suas asas; ou como o lobo esfaimado, pronto a estraçalhar a presa inocente para saciar o seu instinto. Se vos recusais ao sexo em nome de falsas lições de moral, sois como o homem sadio que fecha ambos os olhos para igualar-se aos cegos; e vos perdeis, se vos atirais ao sexo como uma forma de compensar a vossa falta de amor. Porque não aprendestes ainda que não podeis separar um do outro. E que ambos são partes da mesma Força Maior que escapa à vossa compreensão.

 

O sexo inclui não apenas a perpetuação da espécie, mas também a sublimação dos sentidos, o encontro do corpo com a alma. E o seu prazer maior não é a satisfação do corpo, mas a sensação de companhia na alma.

 

O sexo é como tantas outras coisas que recebestes e não sabeis usar; porque na vossa ignorância infantil, temeis a felicidade que tanto procurais.

 

Assim, vos perdeis quando vos deveríeis encontrar; e cercais de falsas impressões o que existe de mais simples e verdadeiro. E as vossas mentirosas verdades vos deixam as mãos cheias de nada e o coração vazio de tudo. Porque vos baseais nos santos e nos animais, para estabelecer os vossos parâmetros; e não sois iguais a uns nem aos outros, mas antes uma mistura dos dois, pois o santo não passa de alguém que venceu o animal em si mesmo.

 

Talvez que um dia vos possais ver como realmente sois: alunos de uma gigantesca escola, cujas lições vos esforçais para não aprender. E quando vos descobrirdes de acordo com essa verdade, talvez não chegueis a ser felizes; mas, ao menos, aprendereis a conviver com a vossa infelicidade. E esse é o primeiro passo para alcançar a felicidade.

 

Que sejam, pois, as vossas relações sexuais como um culto Àquele que as tornou possíveis. E que vejais no corpo do outro um altar imaculado da natureza. E que o amor seja o incenso que queimais para purificar o culto, e no qual se envolva o vosso altar. E que vossos suspiros sejam como preces de gratidão e alegria por vos sentirdes amados . E que entre vossas almas exista uma comunhão maior que a dos corpos. Para que juntos possais, por eternos instantes, abandonar este mundo. E , enlaçados, vos elevardes aos céus.

 

("Na Trilha do Profeta" Flávio da Cruz Ferreira)





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