A violência em escalada. Crise total ou desenvolvimento não planejado?

 

 

Algumas pessoas falam que Fortaleza está batendo todos os recordes de violência. E elas estão cobertas de razão. Hoje em dia a banalização dos crimes e a impunidade estão a passos largos em uma escalada crescente. Não vou nem entrar no mérito das estatísticas sobre a violência. Basta assistir os noticiários das televisões, ler um pouco o que as pessoas sentem através das redes sociais e estar na cidade, onde não se pode sair tranquilamente pelas ruas e também ficar protegido em casa está se tornando difícil, tendo em vista que a despeito dos inúmeros controles de segurança que pequena parte da população consegue manter não é o suficiente.

Mas como corrigir a situação?

 

Conscientização da seriedade do problema

 

É preciso, antes de tudo, que a classe política se convença dos caminhos a serem tomados e passe a legislar de forma mais coerente com o problema. E também que cobrem de nossos gestores as soluções, não esquecendo também de formular planos e projetos de como arrecadar mais ou destinar mais verbas para o setor.

 

Meu pensamento se volta para outras questões problemáticas no Brasil: as áreas da saúde, educação, habitação, segurança, trânsito, sistema carcerário, justiça etc. Neste sentido vale observar que não só a área de segurança está carente e deficitária, perdendo as batalhas para a criminalidade. E em uma análise do que ocorre se destaca a falta de investimentos nos setores, em razão de um crescimento desordenado das cidades, do país como um todo.

 

Apenas por exemplo a ocupação de favelas no Rio de Janeiro com as UPP – Unidades de Polícia Pacificadora, que têm sido implantadas a todo custo mas não conseguem acabar com a marginalidade. É um enfrentamento sem fim, uma verdadeira guerra urbana. Neste caso investimentos mas o poder do tráfico, das drogas, aumenta sem parar. Isto tudo acrescido ao fato de que há vários casos em que a população já passa a fazer justiça com as próprias mãos.

 

As áreas de segurança e a violência no Ceará

 

Algumas indagações preliminares podem ser feitas, por exemplo:

 

1 - Pode um município das cidades interioranas do Ceará manter a segurança das pessoas, instituições, empresas, bancos, com o pouco efetivo que possuem? E com o material (instalações, viaturas, armamentos) que dispõem?

 

A resposta é óbvia: claro que não. Por isso mesmo os ataques a agências bancárias se tornam frequentes em vista da facilidade que os bandidos encontram.

 

2 - Pode as polícias (militar e civil) exercer seu trabalho de forma produtiva, com o pouco pessoal efetivo?

 

Para exemplificar, no caso da Polícia Civil, uma delegacia de polícia precisa de Delegados, Peritos Criminais, Peritos Legistas, Papiloscopistas,  Investigadores além de motoristas e auxiliares técnicos etc.

 

Pois bem, para cada crime, a cada dia são abertos vários inquéritos policiais, os quais demandam muitas ações posteriores, como por exemplo e principalmente das investigações. Mas com a falta de estrutura os inquéritos em sua maioria não são concluídos, por absoluta falta de estrutura de pessoal e de material. Se em um dia são aberto dez inquéritos e poucos deles recebe o tratamento adequado, pelos motivos expostos, no outro dia a situação se repete e uma bola de neve vai se formando. Do mesmo jeito (e aqui segue uma comparação) com o aumento de carros no trânsito que vão paralisar a cidade em breve...

 

3 – Pode uma polícia trabalhar com uma legislação que protege o menor de forma que eles são muitas vezes contratados pelo crime apenas por sua condição de idade?

 

Resultado: a polícia prende e eles são imediatamente soltos, pela idade ou por outras brechas na lei. No caso de crimes de morte cumprem pouco tempo nas chamadas casas de recuperação e saem logo, com a ficha limpa.

 

4- Pode a Polícia Militar conseguir um efetivo controle no Estado do Ceará, com os recursos que possui?

 

Claro que não. E o crime organizado – e o desorganizado – sabem disso muito bem.

 

O que fazer?

 

Não há solução para o problema sem o investimento maciço em pessoal, equipamentos modernos, viaturas, armamentos, treinamentos etc.  

 

Políticos: fortaleçam as polícias e modifiquem as leis de acordo com os anseios populares, parem de se preocupar um pouco com os cargos que estão disputando no governo e atentem que há questões mais importantes!  

 

É nesta tônica que os políticos e gestores deveriam se debruçar e, pelo menos, dizer a verdade para a população. Fazer um alerta de que a situação está ficando fora de controle. A Polícia não consegue mudar a ordem das coisas em vista da situação exposta. O que não vemos hoje em dia, infelizmente. Nem os políticos trabalhando com afinco para tentar saídas para o sério problema e nem as autoridades assumindo os fatos, de que estamos sendo dominados passo a passo e perdendo uma guerra.

 

 

João Ribeiro da Silva Neto

 

Músico, integrante do Conjunto Musical Big Brasa, Analista de Informações do governo federal, cargo hoje denominado como Oficial de Inteligência, com serviços prestados na Área de Inteligência para o Ministério do Trabalho e para a Presidência da República, com experiência na área de segurança. Hoje, aposentado da Atividade de Inteligência, é Diretor do Instituto Portal Messejana e mantém o Blog do João Ribeiro, onde escreve suas impressões a respeito de variados temas, inclusive relacionados aos diversos campos de expressão do Poder Nacional.

 

 

 

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