Açores faz homenagem a
Francisco Pinto de Assis
Província reconhece influência de Padre na construção de Messejana
O nome do vilarejo já revela a importância histórica do missionário açoriano Padre Francisco Pinto de Assis. “O nome Paupina é derivação indígena de Padre Pinto (Pai Pina)”, afirmou o historiador Adauto Leitão. Para selar esse intercâmbio cultural, o Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos Manuel Martins do Vale, ofereceu à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e à comunidade de Messejana símbolos açorianos, uma Coroa e a Bandeira do Divino Espírito Santo. “Esses objetos pretendem dar testemunho da gratidão dos açorianos de hoje pelo legado histórico de Padre”, ressaltou, em carta, o presidente do Governo. Em um café da manhã ontem, ‘os povos irmãos’ se reuniram para anunciar a homenagem. “Para nós, da Igreja Matriz, esse momento é de muita alegria e de revitalização das missões. É preciso resgatar a fundação de Messejana”, afirmou o pároco Daniel Sousa.
“Padre Francisco Pinto é o símbolo da conciliação entre jesuítas e indígenas. Ele significa a presença do povo açoriano que, até hoje, ainda se faz presente”, disse o Cônsul Honorário de Portugal
O movimento de valorização da história litúrgica do Ceará não é recente. Segundo o Pároco da Igreja Matriz, desde 2007 estão sendo feitas, à cada dois meses, missões evangelizadoras no bairro. “È no ato missionário que mantemos a lembrança de Francisco Pinto viva em nossa catequese”, comentou. Religiosa frequentadora da Igreja Nossa Senhora da Conceição Laura Coutinho contou a importância desse momento: “faz muitos anos que aguardamos que essa homenagem seja feita. Temos que valorizar e preservar o nosso patrimônio histórico. Entender sobre a vida do missionário, me fez ter mais fé. A comunidades está muito feliz”, ressaltou Laura.
“Os mais de cinco mil membros da Comunidade Portuguesa no Ceará devem estar muito realizados com essa homenagem. Os portugueses fizeram do estado suas novas moradas”, disse o Cônsul Honorário de Portugal
Esse movimento de homenagem ao missionário se iniciou através da pesquisa histórica e da vontade de resgate dessa história católica cearense, afirmou Adauto Leitão.
Apresentada no I Colóquio Internacional de História da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) em 2007, o trabalho ‘Brasil e Portugal: nossa história ontem e hoje’ marcou o início do processo de reconhecimento. “Foi a partir desse estudo que vi a importância do missionário na construção do Ceará e na fundação do Bairro de Messejana”, disse.
Segundo ele, o fato de sermos um povo extremamente ligado ao catolicismo, é uma das provas da grande influência dos portugueses na nossa formação histórico-cultural.
Marcas e memórias de Messejana. O bairro originou-se a partir de uma aldeia de índios Potiguaras que, segundo o historiador cearense Antônio Bezerra, já existia antes da chegada do capitão-mor Pero Coelho de Souza em 1603.
Em 1607, procedentes de Pernambuco e em trânsito para o Maranhão, chegavam ao Ceará, os padres Francisco Pinto e Luis Figueira, missionários da Companhia de Jesus. Eles desembarcaram próximo à foz do Rio Jaguaribe em companhia de alguns índios cristianizados. Chegando à primeira aldeia potiguara, que mais tarde receberia o nome de São Sebastião de Paupina, eles se instalaram e realizaram missões catequéticas.
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