Igreja Matriz ganha restauração nos aniversário de 406 anos de Messejana
Restauração da Igreja de Messejana

Aos 406 anos, a Igreja Matriz de Messejana, consagrada à Nossa Senhora da Conceição, irá passar por restauração. Entre os reparos que serão feitos, estão incluídas a pintura da fachada e do interior do templo e a renovação do telhado.
A Hipercor irá arcar com a tinta da pintura do interior e da fachada do templo, fundado ainda no século XVII. Na manhã do dia 14 de março o superintendente da Hipercor, Silvany Dantas, e Josafá Rebouças, gerente de produto da Hipercor, empresa do Grupo Edson Queiroz que irá doar a tinta para a pintura da igreja, estiveram no local, juntamente com o pesquisador Adauto Leitão e o voluntário Ednardo Lima Gomes, responsável pelas reformas do templo. As obras devem começar já no mês de abril e têm previsão de término no dia 29 de junho, data da Festa de Pentecostes, que celebra a descida do Espírito Santo sobre os fiéis.
De acordo com o militar aposentado Ednardo Lima Gomes, que é voluntário na igreja, a previsão é que sejam usados cerca de
A última grande reforma na matriz aconteceu há 12 anos, em 2001. No ano passado, foi apenas renovada a pintura e, mesmo assim, a muito custo, porque a igreja conseguiu pouco patrocínio. "Foi difícil, porque as doações que recebemos de empresários foram de poucos galões, de marcas diferentes, e o resultado deixou a desejar. É tanto que já estamos precisando novamente, nem parece que foi pintado", conta o voluntário.
Para Ednardo Lima Gomes, a doação de tintas veio em boa hora. "Já tínhamos solicitado a doação antes, mas não tínhamos sido contemplados. Ficamos felicíssimos com a notícia de que iremos receber essa doação, é uma grande dádiva".
Segundo o superintendente da Hipercor, Silvany Dantas, na semana que vem, um técnico da empresa irá visitar a igreja para fazer as medições e avaliar a quantidade de tinta necessária para a pintura. "Também iremos realizar uma capacitação com pessoas da comunidade que farão a pintura", anunciou.
Pesquisador Adauto Leitão
De acordo com o pesquisador Adauto Leitão, a Matriz de Messejana segue igual padrão de construção da Igreja do Bom Jesus dos Aflitos, da Parangaba, que pertenciam aos antigos aldeamentos jesuíticos.
Além do Mucuripe e da Barra do Ceará, os aldeamentos eram os dois outros pontos que completavam o quadrilátero da Fortaleza antiga. "Fortaleza tinha quatro extremos. No litoral, ia da Barra do Ceará ao Mucuripe, e, na parte sul, os extremos eram os aldeamentos indígenas da Parangaba e da Paupina, que obedeciam ao mesmo padrão, com igreja, pracinha e lagoa na frente", acrescentou o pesquisador.
Outra particularidade da Messejana, de acordo com Adauto Leitão, foi a escolha do nome do aldeamento, que em vez de homenagear santos, lembrava o missionário jesuíta que fundou a localidade, o padre Francisco Pinto. "Diferentemente de São Paulo, que ganhou esse nome por opção dos jesuítas, em Fortaleza, o aldeamento da Messejana se chamava Paupina, uma homenagem dos índios ao padre Francisco Pinto, que quer dizer Pai Pina ou Pai Pinto. Esse padre conquistou a admiração dos índios porque tinha uma mística muito forte e era conhecedor de muitos dialetos do Tupi. Um dos episódios mais conhecidos foi quando aconteceram precipitações em um ano de seca, em 1607, após suas orações", disse.
Em 2009, através de contato do pesquisador com o arquipélago de Açores, em Portugal, a Paróquia recebeu a Real Coroa e a bandeira do Divino Espírito Santo. Para guardar os dois símbolos, a igreja construiu um memorial no local provável em que o padre Francisco Pinto está enterrado, próximo à porta principal da igreja. Nessa parte do templo, também foi preservado o piso original, que, segundo Adauto Leitão, tem mais de 300 anos. "Esse é um mosaico primitivo, porque tem duas cores, vermelha e uma cor neutra", diz.
Vale destacar um trecho contendo uma apresentação do historiador Adauto Leitão, escrito pelo Padre Daniel de Morais, da paróquia de Messejana.
“A nossa área Episcopal comemora neste mês de março 406 anos de Messejana, resgatando a memória de Padre Francisco Pinto, missionário jesuíta que junto aos nativos potiguares fundaram o aldeamento de Paupina em 08 de março de 1607.
Apresentamos o pesquisador Adauto Leitão de Araujo Junior para subsidiar todas as informações pertinentes às questões históricas. O Professor Adauto Leitão possui notório saber sobre as origens de Fortaleza, em particular, conhecedor de nossa origem desde a primitiva aldeia da Paupina, “que quer dizer Pai Pina ou Pai Pinto” denominação em homenagem ao missionário PE. Pinto, até o crescimento da atual Messejana.
Em 2009 recebemos por intermédio do Professor Adauto leitão, com muita honra, a doação dos maiores símbolos dos Açores – Portugal. A Real Coroa e bandeira do Divino Espírito Santo, de modo que as peças sacras receberam um nicho especial na Matriz, como forma de preservar o legado do jesuíta açoriano, a sua catequese e principalmente a sua veneração que advém dos indígenas do século XVII.”
Por conta das reformas e pelo imóvel não ser tombado, várias alterações foram feitas ao longo dos mais de quatro séculos da fundação do templo. No salão, por exemplo, há três tipos diferente de piso: cerâmica, mosaico trabalhado e algumas partes em granito no altar, além do mosaico primitivo, no memorial.
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