Lembranças do "Campo do Salgado" e de um de seus ótimos jogadores

 

 

 

São recordações do "Campo do Salgado" e do "Pinha", um dos ótimos jogadores da época em Fortaleza, algumas já registradas no livro "O Big Brasa e Minha Vida Musical", de minha autoria. E algumas palavras sobre o Contato com um jogador do Salgado da Gama, que brilhou em Fortaleza e em outros estados do nordeste.

 

O "PINHA"

 

José Deusimar Moreira Pontes é o seu nome, conhecido como "Pinha". Aproveitando o aniversário do Salgado da Gama me lembrei de escrever um pouco sobre este jogador, que além de ter sido nosso vizinho e amigo de infância, foi um excelente jogador de futebol. Chutava bem com os dois pés, com se diz, tinha potência nos chutes e era a atração dos nossos colegas, com menos idade, mas que eram aficionados pelo futebol e que jogavam sempre nas peladas do bairro e particularmente, no "campinho", perto de nossa casa, em Messejana.  

 

Quando cheguei a Messejana para morar, um de nossos programas de final de semana era ir até o Campo do Salgado e assistir as partidas. Certamente os dois times – o Salgado da Gama e o Messejana Esporte Clube possuíram bons atletas, mas o de maior destaque, pelo menos em minha ótica e pelo que posso recordar era o "Pinha". Lembro que depois do Pinha ter ficado conhecido aqui em Fortaleza, foi contratado pela América Futebol Clube. E pelo América tenho a recordação de um de seus gols magníficos, marcado por ocasião de um "Torneio Início" de campeonato cearense, no Estádio Presidente Vargas. Com um chute da intermediária, à meia altura, ele simplesmente aniquilou o goleiro adversário. O gol foi no lado oposto da conhecida placa do Guaraná Wilson. Quem presenciou o período deve se lembrar bem. Posteriormente foi cedido para um dos times de São Luís, Maranhão, aonde chegou a ser citado na imprensa local como o "Pelé do Ceará".

 

Pequeno trecho extraído do livro "O Big Brasa e Minha Vida Musical":

 

"Em 1963 ocorreu nossa mudança para Messejana, um pequeno e maravilhoso distrito a oito quilômetros de Fortaleza, de clima saudável, o que veio a constituir um marco importante em nossas vidas. Trouxe-nos muita sorte e felicidade, principalmente pelo meu pai ter realizado um de seus sonhos, o de comprar uma casa própria em Fortaleza. Em princípio voltei-me para a gandaia. Muitos colegas para brincar, jogar bola e malandrar. Tudo o que faltava em São José dos Campos apareceu de repente. Aí eu passei uma boa temporada, mais ou menos um ano, sem querer saber de música. Dava um trabalho danado para a mamãe e só queria jogar futebol de salão, de campo, tudo. Fui campeão de Futebol de Salão pelo Colégio Cearense em 1965, jogando como goleiro e também como atacante.

 

 O "Zé da Senhora", também jogador do Salgado da Gama: Com 14 anos fui contaminado outra vez pela música. Depois das brincadeiras de dublagens, quis aprender a tocar violão. Logo consegui adquirir um, de tamanho médio, mas não sabia nem mesmo afiná-lo. Descobri que em nossa rua, a José Hipólito, morava o Zé da Senhora, que era um jogador de futebol do Salgado da Gama, time de Messejana, que sabia tocar violão e me ensinou a afinar e a tocar os primeiros acordes. Uma de suas músicas prediletas era a Marcha dos Marinheiros. Nas primeiras semanas eu devo ter perturbado muito o Zé da Senhora, porque quase todas as tardes passava na casa dele para que conferisse a afinação do instrumento e tocasse alguma música. Daí voltava para casa e tentava repetir tudo até aprender.

 

Muita gente não sabe como surgiu o apelido “Beiró”, através do qual fiquei conhecido no meio musical.

Foi assim: em Messejana, de 13 para 14 anos eu gostava demais de jogar bola. Fizemos um campinho de futebol num terreno em frente à nossa casa e, depois que chegava do Colégio Cearense, corria para lá e passava a tarde inteira no “racha”. A mamãe, quando tinha que me chamar, à distância, gritava “João Ribeiroooooo”, estendendo a terminação da palavra, de modo que o que se ouvia a distância era apenas o “beiroooooo”. E assim, por brincadeira, um vizinho nosso, o Pinha, começou a me chamar somente de “Beiró”, como soava o chamamento de minha mãe. Daí o apelido pegou e fiquei conhecido assim durante o período musical de minha vida.

 

No Balneário Clube de Messejana

 

Pelo Balneário passaram ótimas orquestras, oriundas de outras regiões do País. Em todas as festividades os grupos tinham que atender as preferências musicais dos ditos “nobres”.

 

O preconceito existente na época

 

Para exemplificar o preconceito existente nas cabeças de quase todos os diretores do Balneário, no final de década de 60, ou para quem é detalhista no ano em que o América Futebol Clube foi campeão cearense, havia um jogador em seu plantel que se destacou de forma brilhante por boas atuações. Chamava-se José Deusimar Moreira Pontes, mas era conhecido por “Pinha”, seu apelido. Nosso vizinho e amigo, o Pinha jogou a princípio no Salgado da Gama e depois de uma bem sucedida campanha por aquele clube, foi contratado pelo América onde fez boa figura. Posteriormente foi contratado pelo Maranhão Atlético Clube, onde ficou conhecido como o “Pelé cearense”. Pois bem, durante uma das animadas matinais que o Big Brasa tocava no Balneário, o referido jogador adentrou ao clube, ocasião em que meu pai fez referências elogiosas a ele ao microfone. Pelo ocorrido o Mestre Alberto foi seriamente criticado pela diretoria do clube e pela “nobreza” messejanense, por terem achado um absurdo a menção a um jogador de futebol naquele recinto...

  

Fica aqui este singelo registro de acordo com minhas lembranças desse período marcante em nossas vidas e que merece ser conhecido pelas crianças e jovens de hoje. As pessoas que possuem recordações da época e que queiram compartilhar com os amigos são bem-vindas e terão espaços garantidos no Portal Messejana. As fotos foram cedidas gentilmente pela esposa do atleta, Cleonice, que ainda mora em Messejana.  

 

Leia também uma entrevista que o Portal Messejana realizou com o Dodô (Francisco de Assis Vieira Xavier), jogador que também fez parte de forma brilhante do Messejana e também do Salgado da Gama.

 

Entrevista com Dodô – Clique aqui

 

 

                                                                             João Ribeiro da Silva Neto  

 





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