Messejana e os festejos juninos
sob os mangueirais

Na primeira metade dos anos 60, cerca de dois meses antes das festas juninas, começavam em Messejana os ensaios das quadrilhas. Uma tradicional quadrilha acontecia na residência do Sr.Miguel Leocádio, na Rua Tenente Jurandir Alencar, ao lado da igreja da Matriz.
Nela os jovens locais compareciam aos ensaios realizados em um pequeno pátio cimentado e pintado de vermelho, e ao som de uma vitrola pequena, que repetia as faixas do velho discão de vinil, destinado a sonorizar o evento. Por vezes, muitos namoros surgiam por ocasião dos ensaios, já que às vezes o rapaz escolhia a moça, justamente, para namorá-la logo em seguida.
O grupo de jovens se reunia sentado nos degraus do patamar da igreja aguardando o ensaio, geralmente como início marcado para as sete horas da noite. Depois do ensaio, os namorados, sentavam no patamar da igreja,na murada da casa do “ Seu’” Miguel, ou nas cadeiras das calçadas das residências próximas.
Era a época em que as famílias punham cadeiras nas calçadas justamente para conversar e trocar novidades, quando as ruas eram tranqüilas e pertenciam apenas aos ventos e mangueirais messejanenses.

Como às vezes faltava energia elétrica, a luz da lua enfeitava as cores urbanas das calçadas, mangueirais e bancos de praça, inspirando os casais e as conversas de cadeirinha.
Outro detalhe digno de nota eram as fogueiras acesas, os fogos, e a meninada brincando de soltar bomba rasga lata, cobrinha, traque, e outros brinquedos típicos do período de São João.
As quadrilhas, por sua vez, marcavam presença nos sítios clubes e chácaras da grande Messejana. A URJA, União Recreativa José de Alencar, logo na pracinha e o Balneário Clube de Messejana, tinham lá organizadas as suas quadrilhas, e por ocasião das festas de São João e Santo Antônio, a música dos baiões, xotes, mazurcas, forrós em geral, jorrava das irradiadoras, os tradicionais cones de amplificação que espalhavam música e informação pela área da comunidade, precursores das rádios comunitárias. Era esse o clima de sonho da Messejana junina de décadas atrás.
Luiz Antonio Alencar (Peninha), jornalista e eterno Big Brasa
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