Messejana - Os (NÃO) 406 anos
A falta de compreensão histórica sobre a fundação de Messejana deixa-nos perplexo. Acompanhando matérias postadas no portal, sempre me deparo com um erro crasso: A afirmação de que Messejana tem 406 anos de construção histórica.
Ao difundir essa idéia, infelizmente, dá-se contribuição para desinformação geral e prejudica o conhecimento de gerações que buscam informações sobre Messejana e as encontram de forma equivocada em importantes ferramentas informativas sobre a região.
De inicio, utilizar-se da expressão “construção histórica” gera alguns problemas, pois se tem a impressão de que a historia só começou com a passagem de missionários, no caso Padre Francisco Pinto e Luiz Figueiras, quando no nordeste brasileiro, o chamado Índio, inclusive no Ceará já habitava e lutava para sobreviver e contra a investida do colonizador. Portanto, admitir 406 anos baseados nessa frágil assertiva é para desavisados.
Outro problema encontrado é com relação a tão propalada data de 08 de março de 1607. Não há registro desse dia no, tido, mais antigo documento da historia do Ceará, que é a “Relação do Maranhão” de autoria do Padre Luiz Figueiras, companheiro do Padre Pinto, onde é relatada toda a viagem por quem participou dela.
Nesse documento, o padre é bem explicativo em dizer que desembarcou na região do Jaguaribe em 01 de fevereiro, iniciando a peregrinação no dia 02 do mesmo mês, caminhando por todo ele, e chegando dia 02 de março a região do Rio Curu, mais de
A Aldeia de Paupina só foi formada depois de 1690, sim, com a ajuda de Padres Jesuítas, mas nunca, pelo Padre Pinto. Inclusive o termo “Paupina” nada tem que ver com o nome do dito Padre. A palavra a de origem nativa e o seu significado levam a diversas explicações, mas nada relacionado ao Padre Francisco Pinto. Ainda, inclusive, Paupina também já foi nome da cidade de Campina Grande na Paraíba. Qual a explicação para tal fenômeno?
Nem se quer o local de nascimento do tal Padre é motivo de certeza, pois existe um livro que informa que o mesmo nasceu no Brasil e não em Açores. Se isso for verdade, como ficará as tais relíquias?
O Padre Pinto nunca esteve enterrado em Messejana, pois que aqui quando da mudança de seus restos mortais da Ubajara, nem existia ajuntamento de Pessoas. Provável seria que ele estivesse enterrado em localidade na região próxima ao Rio Ceará, onde a época existia povoamento organizado pelo Padre Luiz Figueiras na volta da Ibiapaba.
A versão dos 406 anos é fantasiosa que não serve nem como historia para dormir, pois não consonância com os fatos. Paupina, como aldeamento, surgiu a partir do aldeamento de Parangaba, este formado apenas em 1665. Não há documento antes do Período Holandês no Ceará que mencione tais aldeias como querem os “contadores de historia” que defendem os 406 anos.
A construção histórica de Messejana se deu a partir daí, inclusive com lutas sociais pela terra e participação em conflitos armados.
Não se pode confundir a Aldeia do Ceará que existiu próximo ao Forte do Rio Ceará da época de Martins Soares com os aldeamentos do final do século 17. O padre pinto com índios não arquitetou nada, já encontrando aqui índios organizados e já receosos da presença do colonizador violento. Inclusive o projeto da época era “pacificar” os índios em favor da Coroa e garantir almas para o séqüito da Igreja.
Ora, que Paupina é essa que é a mesma Messejana? É preciso dividir bem as coisas. Messejana, vila criada a partir do povoamento formado pela Missão de Paupina foi inaugurada em 1º de janeiro de 1760, data em que se deve comemorar o aniversário de Messejana. Por quê?
A aldeia de Índios da Paupina não deixou de existir até 1850 com a instituição da Lei de Terras. Ou seja, o núcleo da Vila de Messejana é uma coisa e a Aldeia de Paupina ficou como outra. Tanto que ambas as localidades são reconhecidas ainda hoje de forma distinta cada uma como bairro da Capital.
Portanto, não se deve misturar as coisas e é preciso ter respeito com Paupina e Messejana. Ao invés de tentar forçar uma data que não existe é preciso respeitar a data de inauguração de Messejana que nasce como projeto específico, por isso o marco de 1º de janeiro de 1760, e respeitar a história de Paupina que tem contexto próprio.
Devemos enfim esquecer a figura do Padre Pinto que nada mais foi do que um símbolo construído pela Igreja para motivar novos missionários a época das entradas. Messejana e Paupina têm historias próprias que fora construídas pelo seu povo e pelo seu tempo que não é o do Padre.
Concluindo, que Deus guarde a alma de Francisco Pinto e Luiz Figueiras, mas que também guarde a alma de historiadores como Barão de Studart que por sua perseverança e dedicação a pesquisa ajudaram as nossas gerações a entender de fato o que ocorreu para a formação de Messejana e Paupina.
Felipe Neto
Historiador de Messejana formado pela UECE