Fé no padre Francisco Pinto

 

 

 

A fé no padre Francisco Pinto atravessa os tempos e se renova com muita vitalidade. Pioneiro missionário do Ceará do século XVII, o jesuíta cativou os indígenas e ficou imortalizado no inconsciente coletivo dos naturais da Aldeia Paupina, e, até hoje na população de Messejana. É também um arquétipo no processo construtivo da Igreja Católica no Ceará, com o simbolismo maior no seu martírio na Serra da Ibiapaba, tendo neste sítio histórico, a fecundação com sangue da evangelização no solo cearense.

 

No último dia 11 de janeiro de 2016, às 9 horas, na Catedral Sé de Tianguá-CE (Nossa Senhora de Sant’Ana), foi realizada uma celebração em favor da causa do Padre Francisco Pinto-SJ. Ato litúrgico presidido por Dom Francisco Javier Hernandez Armedo (OAR), bispo diocesano de Tianguá, que tem autoridade eclesiástica para abrir um processo canônico em busca de sua beatificação e posterior canonização.

  

O motivo da escolha deste local para fins de abertura do processo em favor da causa do padre Francisco Pinto, que diz respeito ao martírio; fato que aconteceu em 11 de janeiro de 1608. De modo que, seguindo os ditames do Codix Iuris Canonici, se fará o resgate histórico deste “testemunho” em terras cearenses; quando o padre Francisco Pinto foi “morto pela Fé”.

 

Como é sabido, também é considerado o “Fundador de Messejana”, recebendo a cada dia 8 de março, homenagens dos messejanenses em celebrações in Memoriam. Com importância peculiar de ser cofundador com os potiguares da Aldeia Paupina; em 1607; onde o núcleo inicial tornou-se a Igreja Matriz de Messejana.

 

Os despojos do padre Francisco Pinto foram trasladados da Ibiapaba para uma pequena área circular na Aldeia Paupina, local de veneração dos potiguares ao Pe. Pinto, que, pelos nativos era tratado de “Pai Pina” ou “Paupina”, daí surgir o topônimo de Paupina para o aldeamento primitivo. Este local de “culto” à memória do Pe. Pinto pelos indígenas, que o veneravam, dentre outras coisas pelo “poder de fazer chover”.

 

No passar do tempo, tornou-se uma ermida católica pelos jesuítas do Aquiraz, depois Igreja de São Sebastião da Paupina e, hoje, é a Matriz de Messejana dedicada à Nossa Senhora da Conceição. A trajetória deste missionário jesuíta, português de origem açoriana, tem valor no legado. Quando foi o “patriarca” das missões de catequese e expansão da Fé católica no Ceará. E receber o título de mártir do Ceará. Nas primícias, foi denominado “Amanaiara” (senhor da chuva), segundo a tradição potiguar, pois “fazia chover”. Talvez não por acaso, noite de natal (2015) choveu granizo em Ubajara, e, neste atual janeiro, vem precipitando no Ceará, numa época que anuncia as intenções de sua beatificação. Pode ser um milagre intercessor do padre Francisco Pinto, após quatro anos de seca…

 

Fonte - Adauto Leitão - Historiador

 

 

 

 





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