Budismo: A paz que vem de dentro
A busca pelo bem-estar, autoconhecimento e paz interior. Assim se caracteriza o budismo, filosofia de origem oriental, constituída há aproximadamente seis séculos antes de Cristo. Atualmente, cerca de 400 milhões de adeptos integram a quinta maior religião do mundo.

Segundo a lenda, o jovem príncipe Sidarta Gautama, que viveu entre 563 e
A monja budista Gen Kelsen Zangmo, responsável pelo templo budista Kadampa Bodhisattva, explica que “Buda não é um nome, mas uma condição ou estado de pleno desenvolvimento espiritual, a Iluminação”.
Diferente de outras religiões, no budismo não existe um Deus, culto a divindades, liturgias ou livro sagrado. Para Zangmo, o objetivo principal é fazer com que cada um liberte a mente do sofrimento e encontre a felicidade. “O budismo é um caminho espiritual. Um caminho capaz de te levar da sua maneira de ser atual para uma nova qualidade comomente e pessoa. A palavra-chave é a autotransformação. Eliminar seus defeitos, ilusões, distorções mentais, percepções errôneas, e, adquirir sabedoria, bondade e paz interior”, esclarece.

“Buda não é um nome, mas uma condição ou estado de pleno desenvolvimento espiritual, a Iluminação”, monja Gen Kelsen Zangmo
Os ensinamentos de Buda devem ser encarados como uma orientação para perceber a impermanência de tudo o que existe e, desse modo, a lidar melhor com as transformações, doenças e perdas. Combinando práticas eficazes, como a meditação, com uma ética que engloba o respeito a si mesmo, aos outros e a todos os seres vivos, o budismo oferece a seus seguidores a perspetiva de superação do sofrimento.
De uma forma bastante peculiar, o budismo incentiva as experiências dos ensinamentos. Não basta acreditar porque é tradição, porque está escrito nos livros ou porque é reconfortante. “Tudo o que Buda ensina é sujeito à experiência pessoal. Os ensinamentos são como hipóteses que você as coloca em prática para verificar sua utilidade e veracidade”, afirma Zangmo.
O principal ensinamento do budismo está concentrado no que é chamado de “As Quatro Nobres Verdades”, sendo que a última delas se desdobra no “Nobre Caminho Óctuplo”, uma prática de oito passos para conduzir as pessoas à felicidade. Elas foram apresentadas por Buda logo depois de sua iluminação. Buda acreditava que o homem deve evitar os extremos da vida. Não se deve viver nem no prazer extravagante, nem na autonegação exagerada.
Para Zangmo os ensinamentos de Buda são adequados para todos os tempos e a meditação é uma ferramenta eficaz para alcançar paz e felicidade suprema. “Todo budista deverá aplicar o esforço correto para trilhar o caminho do meio, ficando longe de radicalismos, de pontos de vistas extremos e errôneos, vivendo conforme o conselho de Buda: se esticarmos demais as cordas do violão elas arrebentarão, e se as deixarmos frouxas, elas não produzirão o som adequado. O ideal está no meio-termo, na medida correta das coisas”. completa.
As palavras de Zangmo reafirmam o conceito budista em não praticar o proselitismo. “O budismo é um desafio pessoal. É preciso, antes de mais nada, interesse e motivação. Só você pode treinar sua mente, eliminar ilusões e cultivar amor e sabedoria. Não haveria sentido forçar alguém a se autotransformar”, conclui a monja.
Fonte –Diário do Nordeste