Cristianismo cético
Dizem que as palavras de Deus ficaram congeladas, precisando resgatar-lhes os sentidos originais, e que Deus utilizou formas de pensamento antigas e orientais para se revelar, que precisamos de pesquisas lingüísticas e arqueológicas e uso de métodos histórico-crítico e hermenêutica para interpretar os textos bíblicos. Espero que não estejam falando do mesmo Deus que criou os céus e a terra e tudo que nela há, que parou o tempo por duas vezes (Josué 10:13 e II Reis 20:11) e que escreveu a maior história de Amor que a humanidade conhece, dando o seu próprio filho Jesus como propiciação pelos nossos pecados para nossa salvação (João 3:16). E que nos deixou como consolador o Espírito Santo e sua virtude (Atos1:8) até que venha buscar seu povo.
Se fosse o mesmo Deus e se fosse verdade absoluta que precisamos de tais conhecimentos para entender o que Deus nos deixou, que é sua palavra, seríamos os mais miseráveis de todos os homens. Glória a Deus que não é!
Já pensou o que teria sido dos apóstolos Pedro e João, que eram homens sem letra e indoutos (Atos 4:13), mas foram grandes homens de Deus, em poder da palavra e com sinais e prodígios, que nas suas duas primeiras pregações quase 8000 pessoas se converteram. O segredo não eram conhecimentos humanos, mas, sim, a ousadia e o conhecimento ganhos por terem estado com Jesus. Eles se revestiram com o Espírito Santo e tão somente. Estevão é outro exemplo que não lhes podiam resistir à sabedoria e ao espírito com que falava (Atos 6:10).
Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o senhor é como 1000 anos, e 1000 anos como um dia (II Pedro 3:8). Ora, nosso Deus não está preso ao nosso tempo linear (kronos), apenas o homem, sem falar que ele é o único onipresente, onipotente e onisciente (Salmo 139). Ele é o mesmo ontem, hoje e o será eternamente (Hebreus13:8).
A sabedoria dos homens não consegue explicar a de Deus. Deus é imutável (Hebreus 6:17-18), sem mencionar o simples detalhe que o Espírito Santo não está sob nenhuma autoridade humana. Ele se revela a quem ele quer (Lucas 10:21). A palavra de Deus é viva e eficaz. É mais penetrante do que espada de dois gumes e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração (Hebreus 4:12-13). Antes que algum pensamento chegue à nossa mente ou alguma palavra saia da nossa boca, ele já sabe. Todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos de Deus, não há divisão de tempo.
São justificativas as mais variadas possíveis e de difícil compreensão para poderem afirmar inverdades bíblicas, invertendo-se o ser servo e senhor, querendo serem senhores em vez de servos, querendo assim justificar práticas e doutrinas de homens, costumes religiosos e sabedoria humana, onde não há a presença do Espírito Santo (Judas 1:16-19).
Deus nos deixou a única autoridade para nos admoestarmos e nos guiarmos, que é a sua palavra (Colossenses 3:16), sua essência, e nenhum dos discípulos a negou. Eles aprenderam e ensinaram. O apóstolo Paulo advertiu a igreja de Gálatas que não importava quem fosse ou qual importância se tinha dentro da igreja, se ensinassem doutrinas que não fossem as das sagradas escrituras, que fosse maldito, incluindo ele mesmo (Gálatas 1:6-10). O apóstolo Paulo repreende o apóstolo Pedro porque não andava conforme a verdade do evangelho (Gálatas 2:11-21). Paulo apenas nos revela que todos, sem exceção, são homens e estão sujeitos ao pecado se desviando da verdade.
O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo ensina-nos que toda a escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito (II Timóteo 3:16-17). Como poderia isto ser possível, colocadas tantas complexidades de interpretações bíblicas? Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, blasfêmias, ruins suspeitas (I Timóteo 6:3-4). E finaliza: que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, repreenda, exortes com toda longanimidade e doutrina. "Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina, mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas" (II Timóteo 4:2-4). Qualquer semelhança não é mera coincidência!
O apóstolo Pedro escrevendo às igrejas ensina-nos que somos gerados pela palavra de Deus viva que permanece para sempre e foi esta palavra que ele evangelizava (I Pedro 1:23-25). E que nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação, pois não foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos (separados) de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo (II Pedro 1:19-21). E adverte que muitos seguirão às dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade (II Pedro 2:1-2).
Em Antioquia (hoje Antaquia na Turquia) foram os discípulos, pela 1ª vez, chamados cristãos (Atos 11:26), uma das poucas vezes que a palavra cristão aparece em toda a bíblia (Atos 26:28 e I Pedro 4:16) e em nenhuma dessas vezes queria dizer: notoriedade, muito menos membros de uma instituição com poderes hierárquicos criada por Pedro, nem vida fácil, menos ainda os que ensinavam filosofia humana ou doutrinas e costumes de homens. Na realidade era uma forma pejorativa, depreciativa e aviltante para adjetivar os discípulos de Jesus. Paulo afirma que chegaram a ser considerados o lixo desse mundo (I Coríntios 4:6-13), porque andavam, se comportavam e ensinavam como Jesus Cristo, em poder da palavra com sinais e prodígios, independente do que iam achar, pensar ou nomeá-los e não se encurvaram a nenhum tipo de interesse, inclusive a morte.
O apóstolo Paulo, eleito por Deus apóstolo dos gentios (todo povo fora dos judeus) (Atos 13:47 e Gálatas 1:15-16 e 2:7), em suas viagens missionárias, levou a palavra de Deus aos povos tanto na Ásia como na Europa e, apesar de ser um homem letrado (Atos 22:3 e 26:24), não delirou nem achou que Deus havia se revelado de formas antigas e orientais, muito menos que a palavra de Deus havia ficado congelada lá atrás com Moisés e com os profetas. Anunciou a palavra que é desde a fundação do mundo (João 1:1-5), não segundo os homens, porque não recebeu, nem aprendeu de homem algum, mas pela revelação de Jesus cristo (Gálatas 1:11-12). Aleluia!
Rômulo José de Menezes Pessoa é químico industrial e membro da Igreja Evangélica El Shaday (Messejana). (mhmp75@ig.com.br)