Na hora da morte a sensação experimentada por todos o
s que vivenciaram um estado de quase-morte, ou morte clínica temporária é a de um túnel luminoso, percorrido a grande velocidade, seguido pela presença gradual de pessoas conhecidas ou parentes que já faleceram como uma espécie de comitê de recepção após a morte no outro lado da vida.
Depois se experimenta uma sensação de paz absoluta e infinita, explicada pelos espíritas e correntes esotéricas e místicas, como a libertação do espírito da prisão do corpo com suas limitações, necessidades e sofrimentos.
Todos esses sintomas já foram vivenciados e comprovados por pessoas que entraram em coma e depois voltaram, por exemplo, o que abre todo um leque de especulações sobre o mistério da vida após a morte.
Por outro lado, como já dissemos, vertentes esotéricas e místicas como a doutrina espírita, por exemplo, explicam que ao morrer o espírito poderá ou partir para um outro plano em outra dimensão, se estiver preparado para a morte, ou então ficar vagando até aceitar ou mesmo tomar ciência de que simplesmente já morreu.
MORRI, E AGORA?
Quem morre de morte lenta por doença prolongada, segundo ainda o espiritismo, sente um imenso alívio ao desencarnar, já que o espírito se torna mais lúcido, leve, e com capacidade de locomoção para qualquer lugar da terra e do espaço. O peso da limitação física da doença desapareceria logicamente.
Como os sentidos do corpo são limitados, a percepção espiritual se mostraria muito mais ampla após a morte fazendo as coisas parecerem bem mais nítidas, como se os olhos do corpo fossem óculos manchados e a visão do espírito fosse o olho nu, só para dar um exemplo.
Acontece que as pessoas despreparadas para a morte e que morrem de maneira violenta e súbita, estas ficariam vagando e querendo se comunicar com as pessoas conhecidas em vão, o que as leva a vagar pelos locais de freqüência como casa, trabalho, e até pontos de lazer, como querendo entrar em contato com a vida que perderam.
O seu nível de apego com as coisas materiais também determinaria o seu tempo de permanência nesse plano, procurando falar com as pessoas sem obter resposta, entre muitos outros transtornos, por exemplo, na tentativa infrutífera de estabelecer qualquer tipo de contato.
Mesmo se conscientizando da inutilidade de tentar interagir com o mundo material, o espírito ainda ficaria vagando por este plano, desta vez por um mero e melancólico apego ou simplesmente por muita saudade.
A visão do próprio corpo morto as deixariam desorientadas, e muitas presenciariam o próprio enterro, chegando até a rondar desoladas o próprio túmulo, se tornando assim testemunhas da própria decomposição física.
Segundo ainda os espíritas, os suicidas, por exemplo, por terem antecipado a própria morte, ficariam com o espírito ainda grudado no corpo morto, o que os levariam a sentir as atrozes dores da carne se decompondo e se desfazendo no escuro tenebroso da sepultura.
Voltando às almas desorientadas e perplexas com a própria morte, outros espíritos desencarnados e já conformados e esclarecidos com a sua condição de mortos, seriam encarregados de esclarecer e resgatar os espíritos perturbados com o próprio fim e conscientizá-los com toda a delicadeza da sua nova condição de falecidos.
ALMA PENADA
A alma penada no caso, seria o espírito que ainda não entendeu que morreu ou pelos menos ainda não aceitou a própria morte, e pode ser visto em determinadas ocasiões por pessoas mais aptas e sensitivas a experiências desse tipo, que acabam tendo visões mesmo que rápidas de tais espíritos errantes.
Muitos médiuns espíritas, ou sejam, pessoas desenvolvidas e até treinadas para lidar com tais fenômenos, chegam até a ver nos cemitérios as almas rondando os próprios túmulos, numa tentativa melancólica e até desesperada de se agarrar à matéria que não mais lhes pertence.
Os bares e locais de festas e bebedeiras seriam também infestados de espíritos que não se desprenderam ainda da matéria e nem dos vícios adquiridos em vida, como beber, fumar ou usar drogas, se for o caso.
Por conta disso eles grudam em um bêbado qualquer e passam a não só beber e fumar por intermédio do boêmio vivo, como também a sugar a sua energia vital e até a fazer com que ele cometa crimes e desatinos , principalmente se for um espírito perverso que esteja a assediar a sua vítima ébria e sem defesas espirituais.
Talvez seja até por isso que muitos se embriagam com uma rapidez incrível e até matam um companheiro de farra, se tornando por vezes irreconhecíveis tanto pela sua postura, como por suas feições e até atitudes inesperadas.
ESPÍRITOS DE LUZ
Já os espíritos mais iluminados e desprendidos das coisas materiais, passariam batidos pelas coisas da terra, indo ocupar planos no espaço de acordo com a sua vibração e condição espiritual.
Lá eles iriam privar da companhia de espíritos afins e tão evoluídos como ele e esperar a próxima encarnação, na maior paz e serenidade de acordo com a sua condição espiritual aqui no plano terreno.
Acontece que esses mesmos espíritos se sentem tão bem nesse mesmo plano, que muitos deles até sofrem quando têm que reencarnar e obviamente voltar para as limitações, sofrimentos e necessidades do corpo material.
Seria essa a razão pela qual muitos espíritos evoluídos morreriam bem cedo, já que só viriam para a Terra para cumprir uma determinada missão, e depois voltariam para o seu plano de origem.
Outra teoria espírita reza que os espíritos planejam o próprio nascimento, o local e a família em que vão nascer, os sucessos e dores, e até a própria morte, bem como o próprio corpo. O tempo de vida terrena seria também planejado.
Todas essas considerações não estão sendo postas aqui como uma apologia das mesmas ou uma opinião definitiva do autor, é apenas um apanhado de crenças a respeito oriundas do espiritismo e seitas esotéricas e espiritualistas.
Pelo menos servem como mais uma especulação e reflexão sobre o infindável mistério da vida e da morte, ou no mínimo uma abordagem bastante curiosa sobre um tema por sinal bem pleno de indagações e elocubrações existenciais e espirituais que nos levam a ponderar sobre a real condição humana no contexto do Universo como um todo.
Luiz Antônio Alencar - Eterno Big Brasa, músico e jornalista.