Religião Budista

 

 

 

 

 

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

 Budismo, religião de importância mundial, criada no noroeste da Índia. Baseia-se nos ensinamentos de Siddhartha Gautama, mais conhecido como Buda, o Iluminado. Como movimento monástico, originou-se dentro da tradição bramânica dominante daquela época e espalhou-se, rapidamente, para outras direções, adquirindo características próprias. Atualmente, o budismo divide-se em dois grandes ramos: o Theravada ou Caminho dos Sábios e o Mahaiana ou Grande Veículo.

 

2. ORIGENS 

 

Siddhartha Gautama, Buda, filho do soberano de um pequeno reino, nasceu em Kapilavastu, no ano 563 a.C., perto da atual fronteira entre a Índia e o Nepal. Aos 29 anos decidiu renunciar a todos os seus bens materiais e adotou uma vida de ascetismo. Quando alcançou o nível de Iluminado (o mais alto) formou, com seus discípulos, uma comunidade monástica onde passou o resto de sua vida. Os elementos principais em que se baseia a Iluminação referem-se à realização das Quatro Verdades Excelentes:

 

– o sofrimento

– a causa do sofrimento

– sua supressão

– o caminho para seu fim

 

O budismo ensina a doutrina de Anatmán, ou negação da existência de uma alma permanente, a doutrina do Carma — que determina o tipo de reencarnação — e o Nirvana ou estado de Iluminação perfeito.

 

Devido à morte de Buda — e na falta de um sucessor — a ordem monástica decidiu reunir-se periodicamente para obter um consenso, tanto sobre assuntos da doutrina como de práticas religiosas. Dentro da tradição budista, houve quatro conselhos considerados Conselhos Superiores, sendo o último realizado por volta do ano 100.

 

3. CONFLITOS E NOVOS GRUPOS

 

O Budismo foi muito difundido nos primeiros anos de sua existência, o que provocou conflitos de interpretação. Enquanto os monges mais conservadores continuaram honrando Buda como o Perfeito Iluminado, os mahasanghikas, mais liberais, desenvolveram um conceito novo: considerar Buda como um ser eterno, onipresente e transcendente. O pensamento mahasanghika pode ser visto como precursor do pensamento Mahaiana, formado entre os séculos II a.C. e I d.C. Este conceito introduziu, no budismo, idéias sobre a graça divina e revelação contínua, além de outro aspecto mais importante: o bodhisattva (ser iluminado) como um ideal a ser alcançado pelos budistas devotos.

 

Por volta do século VII d.C, desenvolveu-se uma nova forma de budismo conhecida como tantrismo (ver Tantra) que se formou a partir da união entre o Mahaiana e as crenças e magias populares do norte da Índia.

 

4. EXPANSÃO

 

Durante o século VI, o Theravada (ramo do budismo conhecido como "Caminho dos Sábios") estendeu-se de Myanmar (ex-Birmânia) até a região da atual Tailândia. Com o crescimento do reino tailandês, este ramo foi adotado como religião oficial. Durante o século XIV, o Theravada também foi adotado pela casa real do Laos. No início da era cristã, o budismo foi levado para a Ásia Central. De lá — e durante o século I d.C. —, entrou na China seguindo as rotas do comércio. A partir dali, continuou sua expansão asiática e chegou à Coréia em 372. Em 552, foi introduzido no Japão.

 

O budismo chegou ao Tibete no início do século VII d.C. Nos meados do século seguinte, já havia se transformado em uma força significativa dentro da cultura tibetana. Aproximadamente sete séculos mais tarde, os budistas tibetanos adotaram a idéia de que os abades dos grandes monastérios eram reencarnações dos famosos bodhisattvas. Com base nesta crença, o abade principal passou a ser conhecido como Dalai Lama. Desde meados do século XVII até 1950 — ano em que a China se apoderou do Tibete —, os Dalai Lamas governaram o país como uma teocracia (ver Lamaísmo).

 

Na China, Japão e toda Ásia ocidental, muitas seitas budistas foram criadas e desenvolvidas. Dentre elas, as mais importantes foram a Ch'na ou Zen e a Terra Pura ou Amidismo. A seita Zen pratica a meditação como o caminho para descobrir, intuitivamente, a natureza interior de Buda. Em vez de meditar, a doutrina da Terra Pura enfatiza a fé e a devoção a Buda Amitabha ou Buda da Luz Infinita, o que significa renascer em um paraíso eterno conhecido como a Terra Pura.

 

5. INSTITUIÇÕES E PRÁTICAS

 

Desde o princípio, os seguidores mais devotos de Buda organizaram-se em um grupo monástico chamado sangha. Os membros podem ser facilmente identificados por suas cabeças raspadas e túnicas alaranjadas. Cada comunidade é independente e organizada democraticamente. Entre as funções mais tradicionais dos monges budistas, está a de realizar celebrações fúnebres para honrar os mortos.

 

No budismo, os atos de veneração realizados pelos leigos são mais individuais do que coletivos. Nos países Mahaiana, os rituais são mais importantes do que nos Theravada. As diversas imagens de Buda nos altares dos templos e casas dos devotos servem como objetos de adoração.

 

6. O BUDISMO HOJE

 

Uma das características mais notáveis que, por mais tempo, perdurou no budismo, é sua capacidade de adaptar-se às diversas condições e culturas distintas. Filosoficamente, o Budismo é contra os bens materiais, mas não entra em conflito com as ciências modernas. O crescente interesse manifestado pelo budismo nas culturas ocidentais levou à criação de muitas instituições dedicadas ao estudo e à prática desta religião que influenciou não somente a Índia, mas, também, o Sri Lanka, Tailândia, Camboja, Myanmar e Laos, onde o ramo predominante é o Theravada (O Caminho dos Sábios). Já o ramo Mahaiana (O Grande Veículo) teve influência especial na China, Japão, Taiwan, Tibete, Nepal, Mongólia, Coréia e Vietnã, assim como na Índia. Estima-se que, no mundo, o número atual de budistas oscile entre 150 e 300 milhões de fiéis.





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