Graça, o grande presente de Deus

 

 

 

Quando lemos os Evangelhos, com a mente livre de todos os condicionamentos humanos, teológicos e religiosos, percebemos uma mensagem revolucionária, libertadora e cheia de vida: a Graça. Sim, o grande escândalo de Deus, manifestado na cruz, é a Graça. A Graça é a mensagem mais transformadora e pacificadora de Deus. É forte e vai nas profundezas do nosso ser. Desconstrói nossos direitos homicidas. É rendição ante ao poder de Deus sobre nossas vidas. É antídoto contra as pulsões descontroladas da carne. É equilíbrio para vida. É paz em meio ao maior cenário de tribulação.

 

Sim, uma das maiores manifestação do poder de Deus sobre a natureza caída humana é a Sua Graça insondável. Nos faz enxergar o que não queremos ver. Nos faz descer do pedestal do orgulho para o chão da existência em humildade. Nos tira a visão maléfica da nossa autojustificação e nos põe desarmados e entregues ao Seu amor. A Graça é ação arbitrária do amor de Deus em nosso favor, não importando nossa condição. É escândalo para todas as construções humanas do saber. É insuportável para religião e seus códigos morais. Sim, irmãos, quando falo da Graça, falo de tudo aquilo que importa. Falo de vida no chão da verdade de ser. Falo de verdadeiro testemunho de humanidade diante dos desencontros da existência.

 

É uma grande pena que a Graça é tão desconhecida de boa parte da igreja que se julga representar Deus na terra. É tão incompreendida e tratada de maneira não experenciada. Infelizmente, ao invés da Graça que pacifica o ser, a barganha que provoca a ira de Deus tem tomado as pregações e a prática de uma grande parte da igreja evangélica brasileira.

 

É muito difícil aceitar que o sacrifício de Cristo foi eficaz em nos justificar diante de Deus. É muito difícil aceitar que este escândalo da Cruz, cancelou TODAS as dívidas que eram contra nós. É loucura pensar que somos justificados pela fé em Jesus, mediante a revelação desta Graça. Sempre queremos mais um sacrifício para chegar a Deus. Sempre queremos uma troca, uma oferenda, um passe, um rito justificador ou algo que nos traga satisfação de fazer algum esforço meritório para alcançar aprovação de Deus. É difícil para nossa natureza aceitar isso. O caminho de Caim e sua oferta autojustificadora diante de Deus é mais fácil e aceitável para nossa razão. Sim, a Graça é insuportável para a nossa enraizada vontade de barganhar com Deus para conseguir sua benção.

 

A Graça nos leva a uma condição de incapacidade face ao poder do Amor de Deus. Temos a consciência de nossa miséria diante da presença graciosa de Deus através de Seu Espírito. Tudo aquilo que alimentava nossas pulsões e nos fazia viver na dissolução do pecado é aplacado por esta Graça. Pela Graça em Cristo, somos feitos santos. A Graça desmobiliza nossa natureza pecaminosa, e nos leva a viver uma vida em equilíbrio e bom senso. Por isso, a moral é aviltante para Deus. A força da moral não transforma nenhum pecador. É pela nova consciência em Cristo na revelação da Sua Graça, que somos transformados. É o verdadeiro poder de Deus. É o cerne do Evangelho. É Deus nos fazendo pessoas melhores Nele.

 

Por isso, a Graça não é licença para pecar, mas nova consciência em Deus. É se render totalmente pelo constrangimento profundo do amor incondicional de Deus. Nos desarma em nossa tendência autojustificadora. Desfaz a força maléfica da religião e suas regras frias que só alimentam doenças do ser e orgulho do coração.

 

Mais uma vez digo: É uma pena que ela não é assunto central na maioria dos púlpitos cristãos. É uma pena que ao pregarmos esta Graça, somos acusados de liberais e coniventes com o pecado. Pois se tivéssemos consciência desta Verdade do Evangelho, viveríamos uma verdadeira revolução de Vida e Amor.

 

Ainda há tempo para uma nova consciência em Cristo! Leia os Evangelhos e entenda aquilo que importa! O resto é resto!

 

Marcos Wandré





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