A vida admirável do Santo São José

 

 

 

São José - padroeiro do Estado do Ceará - Festa no dia 19 de março

 

Apresentamos São José com suas admiráveis e preciosas virtudes, exemplo singular de uma fidelidade ilimitada e de incomensurável amor a DEUS, sobretudo realçando a grandeza de um coração que sempre se manifestou, pelo “silencio” de seus lábios.

 

TRABALHO E AMOR

 

As principais informações sobre São José são encontradas nos primeiros Capítulos do Primeiro e do Terceiro Evangelho, que são verdadeiramente as notícias mais fidedignas. Todavia, existe uma literatura que embora apócrifa, e, portanto, não pertence ao Cânon da Igreja e não são considerados Livros Sagrados, revelam, entretanto muita imaginação e alguns dos livros foram escritos com base na tradição judaica, apresentando informações preciosas e interessantes sobre os costumes e hábitos dos judeus. Entre estas obras, as que mais abordam episódios da Vida de São José, citamos: o denominado "Evangelho de James", o "Pseudo-Mateus", o "Evangelho do Nascimento da Virgem Maria", "A História de José, o Carpinteiro", e a "Vida da Virgem Maria e Morte de José". Todos eles foram escritos no século I da era cristã.

 

Entretanto, com prioridade utilizamos as informações contidas na Bíblia Sagrada de Jerusalém, objetivando deixar o texto o mais próximo possível, da realidade que aconteceu. Contudo, para oferecer uma agradável continuidade ao enredo da Vida de São José, acolhemos também, algumas informações e inspirações daqueles mencionados livros que seguem a Tradição Judaica, porque as consideramos apropriadas e verossímeis, e estão fundamentadas no comportamento humano da época.

 

FAMILIARES

 

José nasceu em Belém de Judá (Lc 2,3-4), e presumivelmente deve ter permanecido lá até idade adulta (12 anos pelos costumes judaicos). Embora não encontrando nenhuma informação confiável sobre a sua mãe, é certo que o seu pai chamava-se Jacó e mudou-se com a família para Nazaré da Galiléia, provavelmente para cultivar uma terra que comprou no Vale Esdrelon. José, junto com o seu irmão mais velho chamado Cleófas, trabalhou na lavoura, ajudando o pai a produzir alimentos para o consumo próprio e comercialização. Todavia com o passar dos anos, revelou uma notável tendência para o trabalho com madeira, que o levou a deixar o cultivo do solo num segundo plano e a se empenhar na profissão de carpinteiro. Cleófas era casado com uma jovem também chamada Maria, conhecida no Novo Testamento com o nome de Maria de Cleófas, com quem teve três filhos:

 

1 - Tiago Menor, Apóstolo de JESUS, autor de uma epístola e segundo Bispo de Jerusalém.

2 - José, conhecido por "Barsabás, o Justo".

3 - Maria Salomé, que se casou com Zebedeu e teve dois filhos: Tiago Maior e João (o Evangelista) autor do Terceiro Evangelho, dos Atos dos Apóstolos, de três Epístolas e do Apocalipse. Ambos são Apóstolos de JESUS.

José era um homem de poucas palavras, tinha gênio calmo e retraído, dedicado essencialmente ao trabalho e as orações na sinagoga, fazendo do labor o seu próprio lazer.

 

SURGIU MARIA

 

É provável que tivesse a idade de 26 anos, quando sua atenção foi despertada para aquela encantadora jovem de cabelos negros e olhos azuis, chamada Maria de Nazaré, que diariamente atravessava a rua com um cântaro de barro em direção a uma fonte que ficava na praça central, para apanhar água.

 

Nazaré, como a grande maioria das cidades naquela época não possuía água encanada, mas tinha uma fonte, onde todos se serviam, levando água para o asseio e preparo das refeições.

 

José logo ficou interessado naquela jovem, que além de muito bonita, portava-se com dignidade e discrição, e revelava uma decidida aptidão pelo trabalho.

 

Sempre que surgia uma oportunidade ele se aproximava para dizer-lhe algumas palavras. E assim, alimentando interiormente uma grande simpatia por Maria, decidiu freqüentar a casa do senhor Joaquim e de dona Ana, pais da moça, pois ansiava estar perto dela. Maria observava o interesse dele, mas se calava na sua modéstia e simplicidade, deixava que as visitas acontecessem como bons vizinhos, sem, contudo as estimular para não alimentar nenhum projeto em José, mesmo porque, nessa ocasião, seu ideal já estava direcionado para um outro objetivo, "buscava e cultivava intensamente o Amor de DEUS".

 

Entretanto a medida que passava o tempo as visitas de José se sucediam e se multiplicavam com crescente freqüência até que num daqueles dias, em que os dois jovens conversavam sobre as coisas do cotidiano, ele declarou decididamente o seu amor. Maria silenciou, assumiu uma atitude mais séria e revelou a José o segredo de sua vida. Explicou-lhe que havia consagrado a sua existência ao CRIADOR numa escolha livre e espontânea, inclusive, revelou que fez o voto de castidade perpétua, como a melhor maneira que encontrou para demonstrar o seu incomensurável e apaixonado amor por DEUS.

 

José ficou perplexo! Como todo judeu, queria casar e ter os seus filhos. Afinal, naquela época, a função primordial das mulheres era casar e ter filhos. Aquela que não se casasse, ou que se casasse e não tivesse filhos, era considerada pelos costumes e pela lei judaica como mulher opróbia, isto é, castigada por DEUS. Por isso, é fácil imaginar a grandeza do espanto de José, diante daquela afirmação da mulher que ele amava.

 

Por essa razão, podemos conjeturar, que ele saiu arrasado daquele encontro, frustrado e desapontado com o rumo dos acontecimentos, repleto de intranqüilidade porque em sua mente não conseguia encontrar explicações para aquele inusitado desfecho. Passou dias cheio de angústia, mergulhado em profundas reflexões a procura de caminhos ou soluções que lhe restituíssem o equilíbrio emocional, porque permanecia em pleno espanto, sem conseguir entender o que estava acontecendo. E assim passaram vários dias... Todavia, embora estivesse ansiando por uma inspiração, a medida que decorriam as semanas começou a entender também, que Maria tinha traçado o ideal de sua existência e que a sua decisão era definitiva e irrevogável.

 

A partir de então, começou a raciocinar de outro modo, enveredando-se na busca de outras possibilidades, porque, sobretudo compreendeu que Ela era uma mulher admirável, bonita, com uma personalidade forte e marcante, e que já estava ocupando uma imensa dimensão em seu coração. Percebeu ainda que não se tratava apenas de um casamento, com o objetivo de constituir uma numerosa família, da mesma forma que entendeu, que não seria a mesma coisa se ele se casasse com outra mulher. Porque verdadeiramente ele estava apaixonado por Maria... Lembrava-se de seu maravilhoso sorriso, de sua suave e encantadora maneira de falar, de seu raciocínio inteligente, simples e profundo e da ternura de sua atenção... Compreendeu que não podia viver sem a companhia Dela e por isso mesmo, resolveu assumir uma decisão corajosa. Podemos imaginar que ele foi ao encontro de Maria e junto Dela, com a convicção de ter feito a melhor escolha, fixou-lhe o olhar e apresentou a sua proposta:

"Se você se casar comigo eu também farei o voto de castidade perpétua, para juntos vivermos o nosso amor e consagrarmos ao CRIADOR os nossos trabalhos, nossas alegrias e tristezas, e toda a nossa vida".

 

Considerando a posição da mulher naquela época, sem dúvida para Maria foi a solução ideal, porque casando-se com José, poderiam cultivar juntos a castidade sem que ninguém viesse a desconfiar.

 

Maria aceitou o convite de José e logo, começaram os preparativos para o Casamento conforme o costume judaico. A alegria ocupou integralmente o coração dos dois noivos, que demonstravam uma imensa felicidade.

 

ANÚNCIO DA VINDA DO SENHOR

 

Certo dia, tendo terminado os serviços domésticos na casa de seus pais, Maria descansava em seu pequeno quarto quando subitamente recebeu a visita de um Anjo do SENHOR, que sorrindo, depois de cumprimentá-la, anunciou-lhe que era Alguém muito especial no Plano Divino, que tinha sido escolhida para MÃE do Redentor, Aquele que viria salvar a humanidade de seus pecados e deixar meios para que as pessoas pudessem ter vida em plenitude, vivendo reconciliadas e em comunhão de amor com DEUS. O Anjo confidenciou-lhe também, que sua prima Isabel, apesar da idade avançada, estava grávida de seis meses, ela que era considerada estéril. (Lc 1,26-38)

Maria disse "Sim" ao plano do CRIADOR e o Anjo partiu para a eternidade. Pela Vontade de DEUS PAI e ação do ESPÍRITO SANTO, o FILHO DE DEUS veio e se agasalhou de modo sobrenatural no ventre de Maria. Começava a Santa Gravidez de NOSSA SENHORA.

 

Na seqüência dos dias, conversando com José, seu noivo, e seus pais, contou-lhes a notícia sobre a prima, mas não lhes disse que tinha sido escolhida "MÃE DO SENHOR" . E procedeu assim por achar prematuro anunciar um acontecimento de tal grandeza e também, porque entendeu que se tratava de uma ocorrência que estava no domínio de DEUS, e ninguém melhor do que ELE para escolher a ocasião certa para a revelação de algum fato e os esclarecimentos que se fizessem necessários. Por isso, Maria silenciou e guardou o precioso segredo no fundo do coração.

 

Joaquim, seu pai, que sempre viajava para Jerusalém a fim de comercializar, quando naqueles dias passou por Nazaré uma caravana de mercadores, decidiu viajar e também levar consigo sua filha. Ele ficou em Jerusalém para fazer transações comerciais e Maria caminhou sozinha os 6 quilômetros que separam Jerusalém de Ain Karin, onde morava a sua prima Isabel, para prestar-lhe serviços durante os três meses finais da gravidez. (Lc 1,39)

 

O HOMEM FIEL

 

A GRAVIDEZ DA NOIVA DE JOSÉ

 

Depois do nascimento de João Batista, filho de Isabel, Maria regressou a Nazaré, naturalmente acompanhada de uma pessoa da família.

 

Por este tempo, a gravidez de Maria já se fazia notar. Como era natural, seu pai, os amigos e parentes exultaram com o fato, pois era o anuncio de que mais um membro da família estava por chegar. Segundo os costumes e a lei judaica, este fato era perfeitamente normal. Entre o Noivado e as Bodas (o Casamento propriamente dito), existia um espaço de tempo chamado "Condução" que podia chegar até 12 meses, e no qual, o noivo tinha poder estrito sobre a sua companheira, inclusive se ela ficasse grávida, a prole era considerada legítima.

Todavia, José ficou admirado! Ele que não teve qualquer participação, como justificar aquele fato? Ele conhecia as virtudes de sua noiva e lembrava-se do projeto de castidade que ambos fizeram!... Por isso mesmo, como explicar aquele acontecimento?

 

Triste e pensativo passou dias terríveis, repleto de constrangimento e intranqüilidade. Não encontrava nenhum motivo que o fizesse entender aquela ocorrência. Por isso, enquanto decidia o que fazer, um Anjo do SENHOR apareceu-lhe em sonho e lhe disse: "José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que Nela foi gerado vem do ESPÍRITO SANTO. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de JESUS, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados". (Mt 1,20-21)

 

Homem responsável e de fortes convicções religiosas, recuperou a tranqüilidade espiritual, afastando para longe a tentação demoníaca que maldava os seus pensamentos. Na seqüência dos dias, ultimou os preparativos para as núpcias.

 

CASAMENTO DE JOSÉ

 

A Celebração das Bodas seguiu o rito judaico e logo a felicidade tomou conta do coração dos esposos. Passaram a viver numa pequena casa em Nazaré. Mas por pouco tempo, porque foi decretado um edito romano mandando que fosse realizado um recenseamento e todos os povos subjugados pelo poder de Roma, deviam obedecer. Como Nazaré era um lugarejo pequeno que nem constava dos mapas romanos, recebeu a notícia com atraso, no último mês de recenseamento. Cada cidadão era obrigado a se apresentar na junta militar estabelecida em sua cidade natal. José tendo nascido em Belém, para não faltar com sua responsabilidade e cumprir com o dever cívico, atendendo a ordem emanada do poder romano, para lá viajou em companhia de Maria, sua esposa, que já estava no último mês de gravidez. (Lc 2,1-5)

 

NASCIMENTO DE JESUS

 

Em face do Recenseamento, Belém estava com grande movimentação de pessoas e por essa razão, José e Maria não encontraram nas casas dos parentes e amigos um local onde pudessem abrigar-se, foram para uma gruta que as vezes era utilizada como estrebaria. Estando lá, completaram-se os dias da gestação e nasceu JESUS, NOSSO SENHOR e Redentor de toda humanidade. (Lc 2,6-7)

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós". (Jo 1,l4)

 

Naquela região, alguns pastores que vigiavam o rebanho receberam a visita de um Anjo que lhes anunciou: "Não tenhais medo! Eis que eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o CRISTO SENHOR, na cidade de Davi. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolto em faixas e deitado numa manjedoura. E de repente, juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste a louvar a DEUS, dizendo: Glória a DEUS nas alturas, e paz na terra aos homens que ELE ama"! (Lc 2,10-15)

 

Os pastores ficaram admirados com o que viam e se apressaram à chegar a Gruta em Belém. Encontraram Maria, José e o MENINO-DEUS numa manjedoura. Vendo-os, contaram-lhes tudo o que o Anjo havia anunciado.

Maria ouvia e conservava todos aqueles acontecimentos no coração, e no seu silêncio, meditava e procurava entender tudo que diziam sobre JESUS.

Ela e José tinham acabado de viver uma experiência verdadeiramente sobrenatural com o nascimento de seu Filho. Para Maria, aquelas palavras anunciadas pelo Arcanjo Gabriel expressando todo o Amor de DEUS por Ela, concretizavam-se naquela linda criança que feliz sorria deitada numa manjedoura.

 

José, cheio de admiração, sentia vigorosamente o Mistério de DEUS envolver a sua vida. E se alguma desconfiança ainda existia em seu espírito, pela explicação que recebeu do Anjo a respeito da gravidez de sua esposa, agora, com aquele nascimento milagroso, dissiparam-se todas as possíveis dúvidas. José emocionado entendia e se curvava respeitosamente a Vontade do CRIADOR. Prostrado junto de Maria, adorava o Pequenino DEUS que lhe foi confiado pelo SENHOR, a fim de que O protegesse por toda a vida.

Ele e Maria jubilosamente manifestavam uma indescritível felicidade, porque naquele momento sagrado também se concretizou um segundo e importante milagre: pela santíssima Vontade de DEUS Maria permaneceu Virgem. O SENHOR que já a havia preservado no instante da fecundação, considerando a sua singular e heróica demonstração amorosa de conservar a virgindade, preservou também a sua integridade física no momento do nascimento de JESUS. Da mesma forma que o Verbo de DEUS entrou em Maria e agasalhou em seu ventre permanecendo por nove meses, misteriosamente saiu, sem causar-lhe qualquer dano.

 

VISITA DOS REIS MAGOS

 

Terminado o recenseamento, mudaram-se da Gruta onde estavam e passaram viver numa peque casa em Belém.

 

JESUS já estava com quase dois anos de idade quando recebeu a visita dos Três Reis Magos que vieram do Oriente para adorar o MENINO-DEUS. Belchior, Gaspar e Baltazar depois de prostrarem-se diante DELE, ofertaram-LHE ouro, incenso e mirra. (Mt 2,11)

Herodes Magno, rei da Judéia, sabendo da visita dos Magos, com receio de perder o seu trono para o "Rei dos Judeus", projetou em sua mente doentia eliminar JESUS. Todavia, como não sabia onde ELE estava, ordenou a matança de todas as crianças de Belém com menos de dois anos de idade.

 

FUGA PARA O EGITO

 

José avisado em sonho sobre os planos do terrível monarca, corajosamente na mesma noite, levantou-se e fugiu em companhia de Maria, levando o MENINO para o longínquo Egito. (Mt 2,13-14)

 

Como era noite, sem tempo para preparar a viagem, é provável que saíram a pé pela estrada que conduz a Hebron. Em Hebron devem ter chegado ao amanhecer e sem demora, agilizaram os preparativos para uma rápida viagem. Com o ouro presenteado pelos Magos, devem ter adquirido dois camelos dromedários (que são os mais ágeis e velozes) e comprado provisões, abastecendo necessariamente para empreenderem a fuga. Provavelmente devem ter seguido uma rota passando pelo Vale Wâdi-el-Halil objetivando chegar em Bersabéia, distante 45,5 quilômetros, porque ali já estavam fora dos limites territoriais de Herodes. A seguir, com mais tranqüilidade seguiram com a viagem para o Egito, atravessando quase 400 quilômetros de deserto. Presume-se que a Sagrada Família depois de cruzar a divisa entre os dois países Israel e Egito, estabeleceram-se em Hasana, ao lado do Lago Timsah, onde hoje passa o Canal de Suez.

Lá permaneceram cerca de 4 meses, quando José novamente foi avisado em sonho por um Anjo do SENHOR, que Herodes tinha morrido. Mas como em seu lugar, no Governo da Judéia ficou o filho Arqueláu, mau e perverso como o pai, José que planejara regressar à Belém, decidiu levar sua esposa e JESUS para a casa que possuíam em Nazaré da Galiléia. (Mt 2,19-23)

 

Em Nazaré puderam viver unidos com tranqüilidade, construindo uma admirável família, exemplo para toda humanidade, pela consciência e responsabilidade paternal, pela harmonia que os envolvia, mesmo na simplicidade de suas funções e dos afazeres diários, revelando, sobretudo que o amor sincero e honesto estava colocado num plano de real destaque e era tão grande, que administrava fraternalmente e de maneira primorosa os sentimentos mais profundos, dos membros da Sagrada Família.

 

DESAPARECIMENTO DE JESUS

 

Quando JESUS completou 12 anos de idade, foi levado ao Templo em Jerusalém, pelos seus pais, para a celebração de sua primeira Páscoa. De acordo com os costumes e a lei judaica, quando os jovens completavam a idade de 12 anos, tanto para as moças como para os rapazes, atingiam a maioridade. As moças ficavam legalmente habilitadas a se casar e os rapazes tornavam-se cidadãos judeus.

 

Terminada a solenidade da Páscoa, todos regressavam aos seus lares como habitualmente acontecia. Entretanto, sem que ninguém observasse, JESUS não embarcou na caravana. Durante a viagem, embora José e Maria sentissem a ausência DELE, como a caravana era grande, constituída por diversas famílias amigas, imaginaram que ELE estivesse em alguma parte da caravana, atendendo alguma necessidade ou exercitando a grandeza de seu coração. Todavia, no final do primeiro dia de viagem, quando a caravana alcançou o local previamente combinado para acamparem e passar a noite, José e Maria preocuparam-se, porque ELE não apareceu como de costume, para ajudá-los a montar a barraca e fazer os preparativos para as acomodações onde iam dormir. Cheios de aflições procuraram JESUS em todas as outras barracas... Ninguém tinha notícias DELE!... Repletos de dúvidas e angustiados pela ausência do Filho querido, não puderam dormir, passaram a noite imaginando o que poderia ter acontecido. No dia seguinte, logo cedo, aprontaram os animais e voltaram à Jerusalém. Chegaram ao anoitecer e logo fizeram as primeiras buscas. Mas cansados e com muito sono deixaram para procurá-lo no dia seguinte. Na manhã do terceiro dia O encontraram no Templo ensinando e dando autênticas explicações das Sagradas Escrituras, aos doutores da Lei.

Verdadeiramente, esta foi a única manifestação da Natureza Divina do SENHOR registrada na Bíblia, antes DELE iniciar a Vida Pública aos 30 anos de idade.

 

Indubitavelmente foi um acontecimento marcante. José e Maria encontraram JESUS ensinando aos doutores da lei no Templo. Admirados, mas desgastados e cansados pela noite mal dormida, pelo cansaço da viagem e a falta de notícias, Maria inquiriu o FILHO a respeito de Seu procedimento. José, apesar de preocupado, apenas trocou um olhar triste com o JESUS, mas não disse nenhuma palavra, como também não fez qualquer censura ou gesto de reprovação ao seu FILHO.(Lc 2,41-50)

 

CARÁTER DE JOSÉ

 

Na verdade, era assim que José se conduzia em todas as ocasiões, inclusive nas mais difíceis. Nenhuma palavra e nenhum gesto. Apenas um olhar que revelava preocupação, cuidados, sofrimento, aflição e sobretudo, cheio de uma carinhosa piedade. Este procedimento estava alicerçado numa imensa confiança na Providência Divina e por isso mesmo, não eram necessários os seus gestos e nem as suas palavras de reprovação. Também é por isso que não se encontra nas Sagradas Escrituras qualquer frase pronunciada por ele, em qualquer tipo de ocorrência ou numa manifestação de amor, atestando com o seu "silêncio", uma entrega total nas mãos de DEUS. Deixou transparente, que não eram necessário qualquer pedido, qualquer explicação ou qualquer palavra diante do CRIADOR. José nos ensina, que no viver cotidiano cada pessoa deve procurar cumprir conscientemente a sua parte sem nada questionar e não se preocupar em conhecer detalhes dos acontecimentos.

 

O SENHOR DEUS tudo acompanha e está presente em todas ocorrências, jamais se omite diante de um filho que solicita o seu Divino favor para solucionar uma dificuldade ou qualquer tipo de problema. Por essa razão, silenciosamente aceitava tudo e obedecia com presteza a voz da razão, muito embora em diversas ocasiões o seu coração ficasse pequenino de dor, premido e pressionado por uma angustiante expectativa, como por exemplo no desaparecimento de JESUS, seu Filho. Este santo e heróico proceder, manteve imutável ao longo de toda a sua vida.

Em virtude de tal conduta, a Igreja chama São José de "o Justo", que quer significar o procedimento equilibrado de um homem, responsável, discreto, cultivador e respeitador do direito das pessoas e de uma singular expressão de amor a DEUS: "o seu silêncio".

 

MORTE

 

Em vida não intercedeu junto ao CRIADOR para que ocorresse alguma cura ou milagre, da mesma forma que também nunca profetizou. Era um homem simples e leal, dedicado ao seu trabalho e a sua família. Pela exuberância de seu afeto podemos imaginá-lo tantas e tantas vezes embalando o MENINO JESUS em seus braços para que ELE adormecesse ou com a finalidade de acalmar a CRIANÇA por causa de algum problema: de alimentação, sono, ou algum distúrbio orgânico. Também nas situações de perigo e expectativa, podemos imaginá-lo segurando as mãos de Maria, infundindo-lhe coragem, revelando um sentimento de proteção, ou juntos em orações ao CRIADOR, suplicando auxílio e inspiração para ultrapassarem alguma séria dificuldade. E por todas estas suposições, e outras que podem ser imaginadas, coloca em evidência a força e o poder do amor sincero, que desabrocha e opera de maneira admirável, quando a família é unida e caminha com o SENHOR. Esta realidade ainda nos leva a imaginar também a felicidade de José, deitado nos braços de JESUS e de Maria, os grandes amores de sua vida, recebendo conforto e ternura na sua "hora" derradeira, quando finalmente concluída a sua missão partiu para a eternidade, para os braços afetuosos do SANTO PAI.

Provavelmente ele faleceu quando JESUS tinha 30 anos de idade, isto porque, a partir desta época o Novo Testamento não faz mais nenhuma referência a José.

 

UM SANTO ESPECIAL

 

Por ter sido um homem autêntico, correto e perseverante no cumprimento de todas as responsabilidades, sobretudo na fidelidade ao SENHOR, hoje é venerado por sua grande amizade e pelo seu imenso amor a DEUS, que lhe dá um notável poder de intercessão. Como resultado, São José tem-se mostrado pródigo e generoso em sua obra intercessora, atendendo aos mais diversos e variados pedidos, conseguindo do CRIADOR graças admiráveis, que tem deixado a humanidade embevecida e extasiada, com o seu maravilhoso e eficaz poder de mediação. Os Papas muito tem feito para estabelecer e divulgar com destaque o seu culto na Igreja, reconhecendo a eficácia de sua intercessão e a força de seu exemplo para os fieis.

É protetor da Igreja, das famílias de um modo geral que lutam para imitar a Sagrada Família, de muitos Institutos e Congregações Religiosas que aspiram a perfeição cristã, é protetor das Vocações Sacerdotais, assim como é patrono dos moribundos, daqueles que estão com a "viagem marcada para a eternidade". Sua Festa é comemorada pela Cristandade no dia 19 de Março, desde 1621.

 

 





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