Entendendo a miscelânea

Em se falando de moral, não há relatividade, não há meio termo, não se brinca com o pecado

“Que variedade, SENHOR, nas tuas obras” (Sl 104:24).

Em se falando de moralidade, nada mais é absoluto, tudo é relativo. Não há regra. Princípios ou verdades. Não existe medida, limites ou prumo. Não se aplaina, não se lixa nem se define. Não há molde ou modelo. Tudo é permitido. Você escolhe, decide, não se preocupando onde vai dar, como se deve caminhar, nem o porquê deste ou daquele caminho. Não há manual de instrução. Não há orientação. Cada um faz o que quer, como quer e quando quer. O fim justifica os meios. Que fim? Ah, é verdade, não se sabe também com que finalidade se faz isto ou aquilo. Não se pensa mais. Apenas vai.

Fui dar uma palavra para adolescentes e confesso que me senti mal. No preâmbulo, onde eu tentava captar a atenção deles para colocar a mensagem, não consegui ultrapassar seus olhos vidrados e o pensamento disperso. A impressão que se tinha era que cada um deles era uma ilha em seus sentimentos. Senti um misto de impotência minha e pena deles. Pareciam dispersos e perdidos em sua falta de planos e desinteressados de tudo.

Numa conversa informal, minha filha, vestibulanda, começou a descrever seus colegas de sala, e lá pelo décimo eu a interrompi: - Ei, pera aí! repita, por favor, que eu vou anotar. Peguei papel e caneta e ela disparou a enumerá-los qualificando-os segundo sua observação e disse:

- Olha, tem um que é maçom, uma vegetariana ”meio que” “riponga“ e tem um que é gay. Tem as namoradeiras, o inteligente engraçado, o velho tentando recuperar o tempo perdido, um normal sem sal e o bonzinho de lábio leporino. Tem a turma do fundão que não quer nada, o “bombado” que faz o tipo “mamãe-sou-forte”, o guitarrista totalmente desconhecido que pensa ser famoso, e o estudante forçado pelos pais, que vai só para bater ponto. Tem também o que fuma um baseado, o metaleiro, a loirinha tipo americana de rabo-de-cavalo e chinelinha rasterinha, a que inventa histórias mirabolantes a respeito de si mesma, o que quer fazer concurso público para ficar numa boa e comer quieto, três negros pacatos e uma crente esquisita que sou eu...

O que mais me chamou a atenção foi a diversidade.

Temos, hoje, duas tendências distintas e antagônicas. Uma é da globalização que cloniza os seres com necessidades obrigatoriamente semelhantes, tais como ser magro à la Gisele Bunchen, ter os dentes ortodonticamente iguais, os narizes plastificadamente retos, o mesmo padrão postural, a mesma necessidade de falar inglês, aprender a nadar, etc.. A outra tendência que é a da pluralização do comportamento moral onde cada uma faz o que quer, e como quer, criando suas próprias leis e regras - se é que elas existem. ”...entre o santo e o profano, não fazem diferença, nem discernem o imundo do limpo ...” (Ez 22:26).

Ë essa turma que está tirando o sono dos pais e educadores cristãos. É essa geração que está em nossas mãos. Se, por um lado, a diversidade é boa, pois não queremos jovens clonados, por outro, é preocupante; não em relação às vestes, ao aspecto físico, temperamentos, ou aptidões de cada um. Essas diferenças são maravilhosas. É bom que seja diversificado. Deus fez cada um de nós, um ser único. Mas a preocupação é com o distanciamento de Deus e seus princípios morais que sustentam essa terra. Em que eles crêem? O que pensam da autoridade maior, que é Deus? Como eles serão salvos? Quem é o deus deles? Jesus disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14:6).

O livro de Romanos não deixa dúvida a respeito da salvação: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus...” (Rm 3:23).

A Bíblia fala-nos de vários jovens que não se contaminaram com o mundanismo e se mantiveram fiéis a Deus, como por exemplo, Daniel, que não quis regalar-se com as iguarias do rei da Babilônia, ou seus amigos que não se dobraram diante de deus estranho e José do Egito que não se deixou levar pelos assédios da mulher do Faraó.

Em se falando de moral, não há relatividade, não há meio termo, não se brinca com o pecado.

O homem é um ser moral em si mesmo. Ele sabe o que é certo e o que é errado. O homem é indesculpável diante de Deus apenas pelas obras que foram criadas. Se ele olha para o céu, para os campos, para o nascimento de uma criança ou de uma flor. Se ele olha para a fidelidade de um cão, a inteligência de um pica-pau ou a candura de um colibri, não tem como negar a existência de Deus, fugir dele e criar as próprias leis.

No fundo todo homem sabe a verdade, os limites e as regras, mas sabe também que tem o poder de decidir a quem quer servir. Assim, ele como louco em seu coração insensato muda a verdade de Deus em mentira e se entrega à concupiscência do seu coração e passa a desonrar a Deus em suas atitudes mundanas. “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7:24). “Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8:6-8)

Graças a Deus por Jesus Cristo que nos capacita através da fé - crendo no seu sacrifício - a mudar a nossa inclinação e nos fortalece para vivermos uma vida limpa e santa diante de Deus.





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