O show dos Beatles que ninguém
ouviu e viu

 

 

 

O texto abaixo foi enviado ao Portal Messejana por Luiz Antônio Alencar, ex-músico do Conjunto Big Brasa (ver em Destaques, neste Portal) e eterno amigo da família “Big Brasa”. Luiz Antônio, além, de ser um profundo conhecedor da história do rock, particularmente dos Beatles, é também jornalista e excelente escritor.

 

 

No dia 15 de agosto de 1965, os Beatles tocaram no Shea Stadium em Nova Iorque, abrindo a terceira turnê da banda pelos EUA. Com sucesso absoluto, a música e o filme "Help" bombando nas paradas, e ainda condecoração da Rainha Elizabeth conferindo-lhes credibilidade, os beatles estavam definitivamente no auge. O show do Shea Stadium entrou para a história pelo evento em sim, mas a qualidade técnica ficou abaixo da linha de profissionalismo, justo por conta da precariedade de equipamentos disponíveis na época.

 

Luiz Antônio e João Ribeiro (Beiró)


Para começar o estádio beisebol She estava com quase 56mil pessoas, a sua lotação máxima, a gritaria tornava o show inaudível até porque o equipamento palco consistia de três amplificadores “vox” de 100 watts, um para o baixo dois para as guitarras, e o som da voz era o serviço de som do estádio, sem nenhum tratamento sonoro, meio fanhoso, algo como uma velha amplificadora melhorada, aquelas irradiadoras de parque de diversão e quermesse. Foram colocados microfones voltados para os amplificadores, mas de nada adiantou.


Como o show estava sendo transmitido pelo rádio, tinha gente nas arquibancadas que só conseguiu escutar alguma coisa em radinhos de pilha, como em qualquer partida de futebol, já que a gritaria engolia tudo.


Havia uma equipe de cinegrafistas filmando para a televisão, o que deu um resultado de belas imagens coloridas, mas o som...

 

O áudio registrou um embaralhado de vocais desencontrados, erro em letras, só baixo e bateria em evidência em algumas músicas, guitarras super-altas em outras, os “back vocals” mais altos que a voz principal que por sinal saía super-baixa e até falhava em alguns trechos. Na música "Help", por exemplo, a voz principal simplesmente sumiu por alguns instantes. Tudo por conta da deficiência técnica de um show em local aberto e com a gritaria dos fãs para completar.


Resultado - no dia 5 de janeiro de 1966, os Beatles entraram no estúdio CTS em Londres para consertar o áudio do show para que se tornasse editável para a televisão. Algumas músicas foram refeitas. Por sinal "Help" foi um delas, em outras o baixo que estava inaudível foi colocado, e outras como "Twist and Shout" ganharam superposição de áudio, como no caso dessa última, uma gravação de outro show 15 dias depois, e outras "act naturally" fizeram a superposição da versão do álbum” help".

Feitos os acertos, o show foi editado e lançado nas televisões americana e britânica. Detalhe - os Beatles mal foram vistos no mesmo show, já que o palco armado no meio da platéia, só permitia se visse aqueles minúsculos bonequinhos se movendo à distância.

 

O bom mesmo da história foi o lucro financeiro - 304 mil dólares de bilheteria dos quais 160 mil foram para o bolso dos Beatles. Mesmo com a bagunça, todo mundo adorou o público e os beatles que faturaram legal.

 
Luiz Antônio Alencar - Eterno “Big Brasa”, músico e jornalista. 
 





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