Elvis Presley e os Anos Nada Dourados
Elvis Presley viveu uma contradição com o início da carreira cheio de glórias, e anos de altos e baixos tanto na vida pessoal como profissional. Falaremos dos anos difíceis da trajetória do rei do rock.
Entre 1956 e 1958, foi tudo beleza para Elvis. Quatro filmes de sucesso, lugar garantido nas paradas musicais, tudo bem. Em 1958, o cantor foi convocado pelo exército dos EUA, e foi servir na Alemanha Ocidental, trocando a guitarra pela direção de um jipe militar e o aplauso dos fãs pelas gozações dos colegas de farda. Lá passou dois anos e conheceu aquela que seria mais tarde o seu grande amor, esposa e mãe de sua filha Lisa Marie - Priscilla Beaulieu.
De volta aos EUA e à carreira artística em 1960, Elvis participou do programa Frank Sinatra Timex Show, ganhando 125 mil dólares só para cantar duas músicas- Fame and Fortune e Stuck on You. Entrou no programa fardado sob aplausos só para recer uma homenagem dos participantes entre eles Frank Sinatra, sua filha a cantora Nancy Sinatra e o cantor Sammy Davis Júnior. Se apresentou mais tarde de smoking demonstrando que o rebelde roqueiro agora era um cidadão comportado, até o exército ele tinha servido.
A partir daí e ao longo dos anos 60, Elvis Presley deixou de fazer shows e apresentações na TV, se limitando a estrelar filmes e gravar as trilhas sonoras dos mesmos. Conta-se que Elvis chegava a gravar o repertório de um album inteiro em uma só sessão, o que nem sempre o deixava satisfeito, ele que sempre fora um tanto quanto meticuloso.
Os filmes eram todos na mesma linha e sempre pautados em um mesmo roteiro padrão - Elvis, cantando, namorando, brigando, pilotando carros, crianças, animais, e sempre vivendo o mesmo rapaz direito e até puritano já que nunca levava, pelo menos na tela, as namoradas para a cama.
De início eles fizeram sucesso, bem como as trilhas sonoras, acontece que entre 1964 e
O RETORNO
Com os filmes e músicas já deixando de ser sucesso, o Coronel Tom Parker resolveu partir para a produção de um especial na TV em 1968 para marcar o retorno de Elvis. Para isso contratou o jovem produtor Steve Binder que de princípio fez o ego de Elvis passar por uma dura experiência - O levou a passear na rua sem seguranças e sem nenhum aparato como uma pessoa comum, só para mostrar ao cantor que ele não seria sequer reconhecido, em suma, seu tempo já havia passado. Resumindo, o recado de Binder era bem claro - Elvis Presley teria que ter humildade, e recomeçar praticamente do ponto zero.
Elvis topou o desafio e percebeu que ninguém o notou, por mais que ele até falasse alto para chamar a atenção. Afinal, 1968 era a época do psicodelismo e dos hippies, e para os adolescentes da época, Elvis era apenas mais uma peça viva de museu.
A verdade é que o programa foi um sucesso de público e crítica, o que colocou Elvis em um circuito de shows em Las Vegas, e até lhe trouxe de volta às paradas de sucesso com as músicas In the Ghetto e Suspicious Mind. Elvis começou a diversificar o repertório cantando até músicas de seus rivais os Beatles, e bem, tudo parecia se encaixar, até que o artista começou a se entregar a duas paixões perigosas - as drogas e as armas e por conta disso começou a tomar atitudes desequilibradas como atirar em aparelhos de TV quando o programa não o agradava.
As drogas que Elvis usava não eram proibidas, ele gostava mesmo era de comprimidos produzidos legalmente e os conseguia através de receita médica, como se ele quisesse se drogar dentro da lei. Acontece que ele misturava estimulantes com calmantes sem nenhum critério e em excesso o que passou a prejudicar inclusive o seu desempenho no palco e a refletir no seu comportamento e vida pessoal.
Para completar o delírio Elvis conseguiu uma credencial de agente anti-narcótico com o então Presidente da República Richard Nixon o que reforçou a sua mania por armas de fogo e até facilitou a maneira de consegui-las.
DA COROA DE REI PARA O CHIFRE
Envolto em suas viagens de mente e manias, Presley passou a negligenciar até mesmo o seu casamento com Priscilla Beaulieu com a qual já tinha uma filha Lisa Marie, até mesmo por que a agenda de shows sempre o fazia cair na estrada em compromissos e apresentações que esticavam em festas de arromba nas quais as mulheres bonitas eram o principal atrativo. Por conta disso Elvis acrescentou um par de chifres como ornamento de sua coroa real que já estava ficando pesada.
Priscilla acabou se envolvendo com o professor de karatê de Elvis, Mike Stone, e segundo testemunhos, quem entregou a história toda foi a própria filha pequena Lisa Marie, que presenciou a mãe e Stone fazendo amor em um acampamento para o qual fora levada a passeio com o casal.
Ao chegar em casa foi logo contando inocentemente que "O tio Mike passava o tempo agarrado com a mamãe brigando no sleeping bag" (saco de dormir, usado em acampamentos). Esse depoimento infantil chegou ao conhecimento inclusive de todos que conviviam e trabalhavam com o artista.
Elvis ficou uma fera, pensou em matar Mike Stone, mas teve que encarar a separação, outro rude golpe na sua vaidade de machão e ídolo de rock.
UM FINAL NADA FELIZ
Nos últimos anos de sua vida Elvis se afundou nos comprimidos, o que minou a sua carreira, empobreceu a sua performance de palco, e prejudicou em muito a sua vida pessoal e amorosa. Na manhã do dia 16 de agosto de 1977, Elvis Presley comentara com sua nova namorada Ginger Alden, que iria ler um livro sobre o Santo Sudário de Turim, a suposta mortalha de Jesus Cristo, em seu banheiro. Elvis gostava de ler no banheiro sentado em uma poltrona, outra de suas manias.
Mais tarde Alden acordou, entrou no banheiro e viu Elvis caído no chão com o rosto arroxeado. Chamou uma ambulância que o levou às pressas para o hospital, mas não houve jeito. Elvis partira. O laudo assinalou uma parada cardíaca, só que mais tarde a necropsia detectou uma quantidade excessiva de produtos químicos em seu organismo. Depois se comentou que Elvis estava tomando uma bateria de nove comprimidos que lhes eram entregue em um envelope, uma mistura maluca de calmantes, estimulantes, de repente antidepressivos e outros tipos de pílulas que estavam fazendo o seu sistema nervoso central receber estímulos desencontrados que o levaram ao colapso.
Naquela manhã fatídica, Elvis teria pedido um envelope a mais de comprimidos que teria sido o passaporte para sua viagem definitiva. Elvis Presley partiu aos 42 anos de idade, mas o mito se perpetuou até hoje.
Luiz Antônio Alencar - eterno Big Brasa, músico e jornalista
Colaborador do Portal Messejana