Woodstock

A grande farra hippie

 

 

 

  

 

Muita lama, rock à vontade, namoro e drogas, foi o que rolou no Festival de Woodstock, realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, na Fazenda Yasgur, em Bethel, New York State, EUA.

 

A lama ficou por conta da chuva, que mesmo torrencial não impediu que os 500 mil jovens presentes se divertissem, e que até mesmo que o som rolasse, pois a banda Grateful Dead tocou com os guitarristas tomando choque nos dedos por conta da umidade chuvosa. A moçada aproveitou a chuva para brincar na lama, escorregar e fazer bagunça como crianças se divertindo, e um dos músicos presentes, John Fogerty da banda Creedence Clearwater Revival, que se apresentou no evento, até compôs uma canção para a ocasião - Who will Stop the Rain (Quem irá parar a chuva) um grande sucesso do grupo posteriormente. 

O rock á vontade ficou por conta da profusão de estrelas da constelação pop dos anos 60, presentes ao evento - The  Who,Santana, Jimi Hendrix, Grateful Dead, Joan Baez, Janis Joplin, Crosby, Stills and Nash, entre vários outros nomes. Jimi Hendrix foi o último a se apresentar na manhã de segunda feira que fechou o evento que durou todo um final de semana, começando na sexta-feira à tarde.

 

O engarrafamento da rodovia que conduzia ao festival, foi considerado o pior da história americana, e as cenas de amor livre e nudez foram fartas, com bandos de jovens se banhando nus em um riacho local, passeando tranqüilamente em meio a multidão, ou mesmo namorando entre as moitas da abundante vegetação local.

 

DROGA À VONTADE

 

Para pontuar o clima de festa, além da bebida que corria solta, drogas alucinógenas como o LSD e a mescalina proliferavam por toda a parte, com vendedores anunciando a venda dos produtos com a mesma desenvoltura de simples camelôs de rua. Quando uma barraca de atendimento médico foi instalada, tinha um cara em frente gritando para quem quisesse ouvir:

 

-‘Olha a mescalina.”

 

O jeito foi montar um sistema de atendimento para jovens viajando de ácido lisérgico, o LSD, que sempre apareciam tendo alucinações nada agradáveis. O efeito do ácido pode durar entre doze e 24 horas, e pode consistir tanto em uma sucessão de configurações coloridas e imagens, com um aumento sensível da percepção sensorial, como também de alucinações terríveis que podem induzir à loucura irreversível, a chamada viagem sem volta.

 

O setor de atendimento começou a atender a casos de pessoas afetadas pelo efeito colateral negativo da droga. Um cara chegou as berros gritando que estava vendo um monte de aranhas, vários jovens chegaram com problemas de vista por terem tomado a droga e ficarem olhando direto para o sol, contemplando a sucessão de cores produzida pelos efeitos do ácido. O jeito foi ministrar uma droga chamada Thorazine que cortava o efeito do ácido de imediato, mas que apresentava um problema - a queda livre na realidade provocava impactos psicológicos negativos por um certo tempo, de modo que esse tipo de tratamento emergencial se mostrava bem duvidoso.

 

As alucinações, contudo, se faziam presentes, com um cara bebendo cerveja quente exposta ao sol, achando que a estava consumindo estupidamente gelada, e um casal imaginando que a Guarda Nacional estava atirando na multidão, uma pura e deslavada alucinação já que a Guarda Nacional sequer estava lá, e convenhamos, jamais faria tal coisa, pois a própria polícia estava se mostrando bastante tolerante, já que  maconha rolava solta e liberada.

 

Os músicos aderiram também ao embalo, e passaram até a mudar o roteiro de suas apresentações de tão chapados que estavam. Foi preciso até que se advertisse pelo sistema de som do show, para que se tomasse cuidado com certo tipo de ácido que estava sendo vendido, pois ela estava dando viagens ruins. A coisa ficou tão cômica e fora de controle, que vários jovens levaram um traficante para que fosse preso e até deram queixa porque ele estava lhes vendendo maconha falsificada.

 

SEM VIOLÊNCIA

 

Apesar da multidão, da bagunça, e do consumo desregrado de drogas e bebidas, não foi registrado nenhum caso de violência e agressão entre os participantes. Morreram dois jovens de overdose, e outro esmagado por um trator enquanto dormia. O dono da fazenda que acolheu o evento, Max Yasgur até fez um discurso elogiando o fato de que os jovens presentes haviam provado para o mundo que é possível uma grande reunião de pessoas sem que haja violência e agressões mútuas.

 

As apresentações foram filmadas e gravadas se transformando em filme e disco, garantindo um retorno da brincadeira que custou 2,4 milhões de dólares e partiu da iniciativa de dois jovens milionários John Roberts e Joel Roseman, com apoio e idéias de Artie Kornfeld e Michael Lang, com filmagem de Michael Waldleigh.

 

Eles pensaram em investir em um show para 50 mil pessoas que se tornaram em 500 mil, e que foi marcado pelo clima de paz e amor que caracterizava o movimento hippie na época, e também por uma organização meio fora dos padrões habituais.

 

Na manhã de 18 de agosto, Jimi Hendrix encerrou o festival em uma apresentação célebre, inclusive com uma versão psicodélica do hino nacional americano Star Spangled Banner, executada por Hendrix na guitarra. Tanto o show de Hendrix, como o festival de Woodstock, ficaram na história como o referencial  de uma época de muito sonho e muito questionamento de atitudes.

 

Luiz Antônio Alencar - Eterno Big Brasa, músico e jornalista.





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