A farra de um “Beatle” com a polícia
Essa história é no mínimo curiosa, e está contida no livro The Love you Make de Peter Brown, ex-assistente dos Beatles, e Steven Gaines. A obra ainda está inédita no Brasil, mas revela fatos super interessantes dos bastidores da história da banda, inclusive intimidades, já que Brown trabalhou diretamente com os Beatles.
Em agosto de 1964, os Beatles estavam em uma turnê sobrecarregada de shows pelos EUA, passando pelo Canadá, o que criava uma rotina estafante de correr do aeroporto, para o hotel, do hotel para o palco, isso sem contar o interminável roteiro de entrevistas coletivas.
Segundo os autores do livro, os Beatles passaram a consumir anfetaminas sem parar, para dar conta da agenda acelerada e cansativa. As anfetaminas, para quem não sabe, são pílulas estimulantes, que tiram o cansaço e o sono, mas que trazem como efeito colateral, aumento dos batimentos cardíacos, irritabilidade e paranóia, resumindo não é boa coisa, isso sem contar o fato de que o apetite sexual pode sumir total, deixando o cidadão assexuado como um anjo.
Pois bem. Os Beatles tomavam as tais anfetaminas para tocar shows de 30 minutos mais ou menos, e passavam as noites “ligados” bebendo uísque com coca-cola nos hotéis para rebater o efeito do troço, mas o álcool acabava potencializando o efeito do tal comprimido, resultado - cadê sono?
RINGO NA FÓRMULA UM
Todo esse carnaval químico fez com que o baterista da banda, Ringo Starr passasse três dias sem dormir, e na terceira noite sem conseguir dar um cochilo sequer, o baterista resolveu dar o seu grito de liberdade.
Os Beatles estavam hospedados em um hotel na cidade de Indianápolis, EUA, quando Ringo estressado de só ficar trancado em um quarto qualquer e de passar tanto tempo ligado sob o efeito das anfetaminas comentou: Eu vou é me matar. Ninguém entendeu se com essa frase ele estava dizendo que ia tentar suicídio, ou que o embalo ia acabar o matando de verdade.
O certo é que Ringo acabou driblando o esquema de segurança, fugindo do hotel e saindo para passear e curtir a noite de Indianápolis. O que ele queria conseguiu - caminhar pelas ruas da cidade em plena madrugada como um cidadão comum, sem as pressões e o confinamento de um astro de rock.
Depois de andar um bom tempo, Ringo foi abordado por uma viatura da polícia e reconhecido pelos policiais, que gentilmente se prontificaram a reconduzi-lo ao hotel no qual ele estava hospedado.
Ringo recusou prontamente a proposta dizendo que queria mesmo era conhecer a pista de corrida de fórmula um de Indianápolis naquela hora da madrugada e para completar até pediu aos policiais para levá-lo até lá.
A polícia não só atendeu ao pedido, como até conseguiu acesso ao recinto naquele horário incomum, para que Ringo satisfizesse o seu capricho noturno.
Como se não bastasse, Ringo já bastante empolgado com aquela imensa pista de corrida na sua frente fez mais um pedido aos solícitos policiais americanos. Será que não daria para ele correr um pouco na pista com a viatura da polícia para poder assim sentir a sensação de um circuito de fórmula um?
A polícia como parecia que já estava era se divertindo com a situação àquela altura do campeonato, entregou o volante da viatura para Ringo que saiu pela pista em alta velocidade, feliz como um menino correndo na sua bicicleta nova.
Depois de realizar o seu sonho de correr na fórmula um, nem que fosse de madrugada e num carro da polícia, Ringo foi convidado por um dos policiais a tomar um café em sua residência, sendo levado de volta ao hotel em seguida.
Mais tarde na hora do show, as pernas do baterista se mostraram bastante doloridas devido a longa caminhada noturna pela cidade, mas no íntimo Ringo se sentia realizado por haver conseguido concretizar um velho sonho - correr na pista de Indianápolis.
Luiz Antônio Alencar (Peninha) - Eterno Big Brasa, músico e jornalista.