Roberto Carlos e as

jovens tardes de domingo

 

 

 

 

Em meados de 1965, as transmissões esportivas pela TV foram proibidas, o que fez com que a TV Record procurasse uma fórmula para manter a audiência nos finais de tarde de domingo.

 

Um programa de música jovem foi a saída encontrada e para tal a cantora Celly Campelo foi contatada para ser a apresentadora, mas como ela já estava casada, e afastada da carreira, foi logo descartada, até porque o marido não aprovou muito a idéia. O cantor Sérgio Murilo também foi cogitado, mas a escolha acabou ficando com Roberto Carlos que despontava como novo ídolo da juventude.

 

O programa foi agendado com o respectivo respaldo publicitário, e estreou com a participação de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa no dia 22 de agosto de 1965, as 16hs30 min, logo ganhando audiência total e maciça de cerca de 3 milhões de telespectadores em São Paulo, passando a ser transmitido em vídeo tape para o Rio de Janeiro.

 

As filas se estendiam na frente do Teatro Record nas tardes de domingo, e o programa chegou a marcar quase 100 pontos no IBOPE, com as cenas de histeria dentro e fora do teatro protagonizadas inclusive por jovens chiques e de classe média alta de São Paulo.

 

O programa passou a ser apresentado no Teatro Paramount, com êxito absoluto, chegando a registrar lotação interna e milhares de pessoas lá fora, além de fugas espetaculares de Roberto Carlos do teatro com esquemas mirabolantes de segurança.

 

RENATO E SEUS BLUE CAPS

 

Reunindo vários nomes da música jovem da época, o programa acabou incluindo no seu time de participantes a banda carioca Renato e seus Blue Caps, que ao ser convidada sequer sabia da existência do programa, já que a televisão na época tinha um alcance meramente regional, e não dispunha de sistema de transmissão via satélite.

 

Um programa com audiência em São Paulo, podia muito bem ser totalmente ignorado no Rio.

Renato narrou mais tarde, que a banda saía do Rio em cima da hora do show, já no último vôo disponível, mas quase sempre chegava a tempo de fechar o programa.

 

Como não se preocupavam com roupas e indumentária, às vezes vindo da praia carioca do jeito em que estavam para marcar presença no programa, Renato e sua turma acabaram levando um reclamação de Roberto que achou que eles estavam querendo mesmo era avacalhar o seu programa.

 

Renato e seus Blue Caps deixaram o Jovem Guarda, que continuou a revelar grandes nomes da música jovem brasileira, que passou a ser denominada de iê-iê-iê, e a liderar vendas expressivas de discos no mercado fonográfico brasileiro. Renato e sua banda continuam na ativa até hoje.

 

A coisa foi indo com muito sucesso, até que no dia 17 de janeiro de 1968, Roberto Carlos se despediu do programa, entre lágrimas suas e de seus companheiros Erasmo Carlos e Wanderléa, que ainda seguraram o Jovem Guarda com uma queda significativa de audiência até maio de 1968. Partiram para outro programa intitulado Tremendão e Ternurinha, mas a iniciativa naufragou de vez em outubro de 1968.

 

Erasmo Carlos continuou a sua parceria com Roberto Carlos em composições de sucesso até hoje, apesar de ter amargado tempos difíceis com a queda da jovem guarda, contudo Roberto deu a mão ao amigo de fé, irmão, camarada e a parceria mantida foi o grande resgate de Erasmo.

 

Grandes nomes em termos de banda e cantores se revelaram com sua participação no programa Jovem Guarda que acabou denominando um estilo musical e um movimento que sensibiliza o público até hoje.

 

 

Luiz Antônio Alencar - Eterno Big Brasa, músico, jornalista e colaborador do Portal Messejana.





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