Funk-se quem puder – II

 

 

 

 

  

Muito bem estamos de volta como prometido para trazer a segunda parte dessa fantástica historia do funk, desta feita o funk americano, suas origens, raízes.

 

O funk é um estilo característico da musica negra americana, pensado e desenvolvido por James Brown, Melvin Parker, George Duke e outras estrelas. O funk é um adjetivo típico da língua inglesa, devido a conotação sexual a palavra funk era rotulada como indecente e inadequada para a época, até o fim dos anos 50 quando “funk”eram cada vez mais usada no contexto da soul music, a essência da musica negra norte americana tem suas raízes nos gritos de louvor e nas canções Gospel, no blues, jazz e do r&b.

 

Na década de 70 surgiram inúmeros grupos do gênero tais como Commodor, Earth  Wind & Fire, Lakeside, Instant Funk e muitos outros. Depois de algum tempo surgiram algumas variações do funk como o Miami Bass, Freestyle e o funk melody, que sofreu uma grande mutação aqui no Brasil.

 

Apesar de o nome ser o mesmo, o funk na acepção antiga (décadas de 1970/80, no Brasil e nos EUA) não tem muito a ver com as levadas e as letras atuais do funk brasileiro. O antigo era mais pesado em instrumentação com naipes de sopro e vocais afinadíssimos, o que não encontramos nos chamados funks atuais, havendo até uma certa proximidade, mas não chega a ser a mesma música, inclusive há quem defenda que não deveria ter este nome.

 

De qualquer maneira, o funk brasileiro como conhecemos hoje é diferente do que conhecemos na acepção antiga da primeira geração citada, tanto em ritmo, quanto em posicionamento ideológico, sendo a primeira geração engajada no conceito de negritude e com o ritmo mais parecido com o soul-music (Tim Maia, Carlos Dafé, Sandra de Sá etc.) e a segunda geração (Tati Quebra-Barraco, Bonde do Tigrão, Bonde do Faz Gostoso) mais solta e com valores ideológicos mais dispersos, quase sempre ligados a posicionamentos da relação entre mulher e homem, além do ritmo estar mais pro charm, discoteque e outros sub-gêneros derivados do soul music.

 

Um texto sobre esta segunda geração, de nome “O declínio do efeito cidade partida” , de Heloísa Buarque de Hollanda, é bem esclarecedor em alguns aspectos do funk no Brasil.

 

No Rio de Janeiro, esse fenômeno apresenta certas características próprias. Como exemplo, o funk, considerado uma manifestação cultural estritamente carioca. Reza a história que o funk carioca surgiu quando foi descoberta a possibilidade de usar a bateria eletrônica baseada numa batida funk de Miami, e deitar por cima a fala das gangues, a fala do morro. A maioria plena de suas letras fala de dançar, pular, transar, zoar. Isto é, desde seus primórdios o funk no Rio de Janeiro gera a festa, O funk, de produção fácil, tendo em vista que os funkeiros cantam em uma base rítmica basicamente em cima do techno, fez com que fosse muito difundido, principalmente nas camadas mais pobres.

 

Qualquer estúdio barato reunia condições tecnológicas de produzir um disco de funk, bastava “samplear” algumas batidas e colocar a voz em cima, mantendo um discurso mais popular, usando o erótico como base e chamariz, isto, sempre falando de casos amorosos, mais pelo lado sexual, do que pelo lado espiritual, atraindo a atenção dos mais jovens com seus hormônios e testosterona à flor da pele.

 

Para finalizar, digo que eu acredito plenamente ser o funk uma cultura popular e encontra o seu refúgio nos guetos, nas favelas e nas grandes capitais. Viva a música como um todo e viva a arte de se expressar através da música.

 

Alex Ventura





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