Gravadoras enfrentam crise de mercado

 

 

 

  

As gravadoras estão encarando uma crise de mão dupla. De um lado, a queda cada vez mais acelerada da venda de CDs que acabam sendo obtidos nos sites de compartilhamento na internet, ou então através da pirataria. Do outro os estúdios domésticos com sistemas de gravação e mixagem informatizados, que garantem boa qualidade para o produto final.

 

Resumindo, com um computador de última geração com os programas necessários, e um bom teclado, se produz um disco sem precisar de músico, produtor e engenheiro de som.

 

Ninguém quer mais gastar comprando um CD de 20 ou 30 reais, podendo baixar uma coleção deles em MP3, com compressão para dez ou mais álbuns que sairiam por 200 ou 300 reais no mercado formal, e acabam custando o preço da mídia do CD de áudio - 90 centavos o mais barato, por exemplo.

 

Isso sem contar a pirataria, já que um CD, ou um DVD, que na loja custaria 30 reais, é encontrado por cinco reais na calçada da loja mesmo.

 

As locadoras de DVD se deparam com o mesmo tipo de implosão de mercado, já que muitos clientes alugam lançamentos e bons filmes, para reproduzi-los em casa, nos seus computadores domésticos de última geração.

 

Com isso a evasão de clientela se instaura, pois não só o cliente deixa de alugar como mais freqüência, como vários amigos seus e clientes em potencial, vão acabar se beneficiando de sua cópia gratuita. Os R$ 110 ou R$ 120 do filme que o dono da locadora adquiriu vão mesmo é ficar congelados no prejuízo.

 

TECNOLOGIA TORNA A ARTE GRATUITA

 

A Internet é sem dúvida nenhuma uma dádiva da tecnologia de ponta, que por outro lado deu uma mexida significativa nas regras de mercado da indústria cultural. A cultura agora se tornou um item democratizado, já que um maior número de pessoas tem acesso virtual a ela, o que a torna consequentemente um benefício gratuito.

 

Agora se pode encontrar filmes, lançamentos musicais e livros na Internet, de modo que a informação como elemento de mercado perdeu a sua força. Tornou-se acessível via tecnologia, saindo daquele patamar elitizado para a praça pública virtual das Lan-Houses da vida, e isso é ótimo.

 

Quem se ressente dessa socialização cultural tão repentina, são as gravadoras, por exemplo, já que está todo mundo deixando de comprar discos e DVD’s, e de
gravá-los em estúdios, levando-se em conta que as opções domésticas informatizadas estão cada vez mais disponíveis.

 

Até os artistas estão preferindo gravar um show em DVD, passar o áudio para CD, e fazer logo dois lançamentos com investimento mais em conta, deixando os estúdios das gravadoras no mesmo ostracismo dos músicos da noite, gradativamente suprimidos por teclados com tudo que é de recurso e instrumento, a tal banda de um homem só - um microfone e um teclado.

 

Por falar em artistas, eles estão faturando mesmo é em show atualmente, já que as vendas de disco despencam a cada dia que passa, e os recordes de milhões de cópias vendidas, não passam de uma referência nostálgica para uma indústria  na urgência de uma reciclagem que lhe permita encarar novos tempos e mais inovadoras demandas tecnológicas.

 

A informática pode ser considerada a mais abrangente e revolucionária invenção humana, tendo se tornando uma ampliação dos recursos e possibilidades humanos.

 

A máquina começa a substituir o homem em certas tarefas, para que esse mesmo homem no futuro disponha de tempo para se debruçar sobre questões referentes a sua posição e papel como ser pensante no universo, a moda dos antigos filósofos gregos.

 

 

Luiz Antônio Alencar- Peninha - Eterno Big Brasa, músico e jornalista.





Exibir todas as matérias da Central do Rock