Black Music nas pistas

 

 

 

 

 

 

 

"O Brasil vem evoluindo pela influência dos ritmos nacionais e internacionais. Essa mistura tende a fazer a música negra evoluir e ganhar uma cara própria, com qualidade e originalidade".

 

Os ritmos negros saíram dos guetos, invadiram a pista de casas noturnas refinadas e caíram no gosto do público da classe A e B, que vibram ao som das pick-ups comandadas pelos Djs em todo o país.

 

A black music tem crescido e feito história dentro do mercado fonográfico. Nos anos 1960 a música negra tornou-se conhecida quando os cantos religiosos gospel começaram a ser divulgados nas rádios e conhecidos, como soul (alma). Com o seu crescimento cantores começaram a se destacar, como Cheryl Lynn, One Way, Anita Becker e James Brown. Este com seu estilo único de tocar guitarra, acelerou o ritmo apresentando um soul ritmado mais conhecido como funk soul - das rádios, o funk foi para os bailes e assim começaram a se desenvolver as danças, em suas várias versões.

 

"É uma verdadeira explosão musical e cada vez mais vem revelando grandes talentos", comemora Vanessa Jackson. "A black music chegou para ficar. Graças a Deus, ela cresce a cada dia."

 

Dos anos 1970 até hoje, a black music sofreu algumas evoluções enquanto ritmo e também enquanto dança, contendo muitas variações, mas só alguns marcaram realmente época em sua história. O grupo Soul Rapaziada, que vem fazendo sucesso há 13 anos, concorda com a poderosíssima cantora Vanessa Jackson e acredita que o ritmo vem conquistando admiradores a cada dia graças à fusão que tem com outros estilos. "A versão brasileira vai acabar sendo uma referência mundial. Mas ainda faltam um pouco de estrutura técnica, bons produtores e gravadoras que invistam e acreditem no produto", lamenta Dado Miranda, um dos componentes do grupo.

 

"Mas estamos no caminho certo." A cantora loira Suppa Flá também se rendeu ao ritmo. Quando perguntada sobre o sucesso da black music, ela é taxativa: "Se a música é boa, ela é admirada e cresce." Suppa Flá está envolvida com o ritmo há dez anos. Canta rap e R&B. "O amor e o dom para realizar o meu trabalho é o que me levam a cantar black music. É uma evolução constante..."

 

O som da música negra há alguns anos vem dominando as pistas em várias danceterias do Brasil, principalmente na cidade de São Paulo, conhecida pela sua forte vida noturna. Muitos fatores contribuem para que o festeiro paulistano e o visitante dessa grande capital se sintam bastante à vontade para escolher uma balada com a sua cara e cair na farra. A balada black conquistou seu espaço na noite de Sampa e vem cada vez mais revelando grandes DJ's, alguns deles com fama internacional. É o caso do DJ Negro Rico, envolvido com a black music há 16 anos, ele vem viajando pelo mundo colocando as pessoas pra dançar.

 

"No Brasil e ao redor do planeta as pistas pegam fogo do mesmo jeito, a única diferença está na produção musical de cada país. Os americanos, por exemplo, investem mais porque têm mais patrocinadores."

 

"A música que veio da África se espalhou pelo mundo, criando estilos diferentes nos diversos países para onde nossos ancestrais foram levados. Vale lembrar também que a música negra, além de melódica, é rica em ritmos e que vários estilos de dança surgiram também a partir dos movimentos naturais do povo negro”.

 

Uma das baladas mais tradicionais de São Paulo é a Dolores, há dez anos fazendo a galera dançar na pista ao som das melhores canções do gênero. A casa noturna iniciou sua trajetória de sucesso em agosto de 1995, na Vila Madalena, Zona Oeste da cidade. Consagrada como a primeira casa noturna voltada ao público e à cultura black, a Dolores Bar reúne, em um só ambiente, diversão e arte para todos os gostos e estilos.

 

Do topo dos seus 30 anos de carreira, Grand Master Ney, o Sidney Ubiratan Pereira (nome de batismo) se consagrou como DJ pioneiro que levou o som da música preta para as casas noturnas dos bairros dos Jardins, na região metropolitana de São Paulo. E confessa se orgulhar desse fato que contribuiu para abrir as portas a outros DJs. Ele é o responsável pelo desenvolvimento do sampleado na técnica de mixagem dos bailes blacks com o auge marcado nos anos de 1970. "O Brasil, nas décadas de 1970/80, tinha dificuldades para acompanhar os lançamentos lá de fora. Atualmente o acesso ficou fácil. Mas em minha opinião o público deveria saber filtrar e conhecer o que realmente carrega as raízes, ou seja, tem conteúdo, tanto nacional quanto internacionalmente", opina o DJ.

 

A história desse personagem é permeada por uma trilha de sucesso que tem como maior objetivo difundir o som de grandes nomes brasileiros, tais como: Cláudio Zoli, Tim Maia, Jorge Ben Jor, além dos não menos talentosos Simoninha, Seu Jorge, Max de Castro, Paula Lima, Luciana Mello, Rappin Hood, Th aíde, Botirô, entre outros. Grand Master Ney angariou nobres títulos ao longo da trajetória de "se fazer tocar"; no comando das noites de black music paulistanas.

 

"Calça boca de sino, cabelo black da hora, sapato era mocassin ou salto plataforma. Gerson Quincombo mandava mensagens ao seus, Toni Bizarro dizia com razão, vai com Deus, Tim Maia falava que só queria chocolate, Toni Tornado respondia: Podê Crê, Lady Zu avisava, a noite vai chegar, e com Totó inventou o samba soul, Jorge Ben entregava com Cosa Nostra, e ainda tinha o toque dos Originais, falador passa mal rapaz, saudosa maloca..."

 

No Rio de Janeiro não é diferente de São Paulo, a black music está ganhando espaço e adeptos a cada dia. Quem passa pela avenida 13 de Maio - esquina da Cinelândia - na noite de quinta-feira, fica sabendo que o Cordão da Bola Preta não é só da tradição do carnaval carioca há mais de 80 anos. O som que vem do 3° andar, a partir das 19 horas, anuncia a festa que se inicia; vai até 1 hora da madrugada. É um verdadeiro happy hour para amenizar o dia após o expediente no centro do Rio e redondezas. Ainda na calçada do prédio, alguns festeiros arriscam os primeiros passos ao ritmo do som que vem do alto, e os adeptos, anônimos e curiosos aglomerados na porta do edifício de número 13, esbanjando elegância, começam a subir até o tradicional salão.

 

Depois de ficar três anos fechado para reforma, o templo do Charme carioca, o Disco Voador, retornou as atividades há dois meses no subúrbio do Rio de Janeiro com os DJs Orlando, Marcelo Peixe e Jeff . Na reinauguração, cerca de seis mil pessoas dançaram ao som da black music. Segundo Zezinho Andrade, produtor musical da casa, o Disco Voador fica no subúrbio do Rio, mas atrai o público da zona sul, também. "Não existe mais a divisão entre o pobre e rico. A black music quebrou as barreiras e os amantes do som vêm beber da água direto da fonte."

 

Na Bahia, com a proteção de todos os orixás, também existe um cantinho dedicado à black music, a Borracharia. Um local pouco elegante e atraente. Mas é na falta de elegância que mora o charme da Borracharia - nas noites de sextas e sábados, fica lotada. Aberta em 2004, virou point de gente descolada e profissionais liberais, que não se importam com a descontração do lugar. O som é do estilo black music e soul, com uma pitada de músicas que foram sucesso entre as décadas de 1970 e 1990. No repertório, estão incluídas figuras como Tim Maia, James Brown e Stevie Wonder.

 

 

Mais um pouco da Black Music

 

A Black Music tem crescido e feito e história dentro do mercado fonográfico. Nos anos 60 a música negra tornou-se conhecida quando os cantos religiosos gospel começaram a ser divulgado nas rádios e conhecidos como Soul (alma). Com o seu crescimento cantores começaram a se destacar, como Cheryl Lynn, One Way, Anita Becker e James Brown.

Este, com seu estilo único de tocar guitarra, acelerou o ritmo do Soul, surgindo o Soul ritmado mais conhecido como Funk Soul. Das rádios, o Funk foi para os bailes e assim começaram a ser desenvolver as danças, em suas várias versões. Dos anos 1970 até hoje, a Black Music sofreu algumas evoluções enquanto ritmo e também enquanto dança. A Black Music contém muitas variações, mas só alguns marcaram realmente época em sua história:

 

FUNK SOUL

 

Retrata bem a década de 1970, o som psicodélico de James Brown dá origem a uma dança com estilo incomparável de deslizar os pés no chão com muita ginga e agilidade.

 

FLASHBACK

 

Os anos 1980 ficaram conhecidos como a época do passo marcado. Após os sucessos dos Jackson Five, nos bailes dançava-se pequenas coreografias criadas pela alegria e empolgação do momento.

 

CHARM

 

A melodia rítmica de R Kelly e Black Street ficou conhecida como Charm que originou o Floreado ou a famosa "lenta", quando dançada a dois em meados dos anos 1980.

 

R&B

 

A mistura do Charm com o ritmo contagiante do rap norte-americano dos anos 1990 fez com que Usher, Snoop Dog, Beyonce, Nelly e outros lançassem um ritmo envolvente que, quando dançado, revela toda arte e magia de dançar a dois com um contato visual bastante rico e cheio de alegria.

 

Silvana Regina Inácio e Vitório Silva





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