Beatles e Rolling Stones

Bandas muito amigas

  

 

  

The Beatles

No cenário roqueiro inglês dos anos 60, os Beatles e o Rolling Stones reinavam absolutos. Cultivavam, contudo imagens opostas - os Beatles se mostravam bons moços, e os Stones apresentavam uma postura de bad boys, que acabou mais tarde se voltando contra eles. Na turnê americana de 1966, catorze hotéis de Nova Iorque não quiseram hospedá-los, o que fez com que a banda acabasse se hospedando em um iate.

 

A história da amizade entre os dois grupos começa em um show dos Stones no início de 1963, ao qual os Beatles compareceram.

 

Após a apresentação, os nove músicos se reuniram para um bate papo, que esticou numa noitada descontraída e alegre, no apartamento dos Stones, com direito a uma farrinha bem oportuna.

 

AJUDA MUSICAL

 

Mais tarde, John Lennon e Paul McCartney, guitarrista base e baixista dos Beatles respectivamente, pegaram uma carona em um táxi que conduzia alguns membros dos Stones.

 

Conversa vai conversa vem, os Stones revelaram que estavam lançando um novo compacto e que precisavam de material novo.

 

Ao visitar o estúdio de ensaio dos Rolling Stones, John e Paul concluíram uma música nova a ser incluída no segundo álbum dos Beatles- With the Beatles. A canção I wanna be your man, ganhou um novo tratamento musical dos Stones e entrou bem nas paradas de sucesso.

 

George Harrison, guitarrista solo dos Beatles, ao visitar a gravadora Decca, aconselhou os executivos da empresa a contratar os Stones, para que não repetisse o mesmo erro de recusar os Beatles.

 

FARREANDO JUNTOS

 

A partir daí, em noitadas na boite londrina Ad Lib, ponto de encontro dos roqu

The Rolling Stones

eiros ingleses, era comum Beatles e Stones partilharem a mesma mesa.

 

Como dividiam os primeiros lugares nas paradas de sucesso, até combinavam para não lançarem os seus discos em datas muita próximas, para que ambas as bandas ocupassem os primeiros postos numa boa, sem competitividade e divisão de vendas de seus discos.

 

Estavam sempre se encontrando nas badaladas festas que reuniam a aristocracia do pop rock britânico, e Mick Jagger, vocalista e compositor dos Stones, até gostava de dar uma esticadinha com a namorada Marianne Faithful na mansão de Paul McCartney, na Cavendish Avenue. Tudo muito em família, portanto.

 

JUNTOS NO ESTÚDIO

 

No início de 1967, a Scotland Yard, polícia inglesa, deu uma batida na casa de campo de Keith Richards, guitarrista dos Stones, e fez uma apreensão de drogas. George Harrison, guitarrista solo dos Beatles, estava presente, e após a sua saída, a polícia chegou de repente, prendendo o marchand Robert Fraser com heroína, Mick Jagger com quatro tabletes de anfetaminas, e bem... O dono da casa não tinha nada, mas tanto ele, Richards, como Jagger foram processados, no caso de Richards, por ter consentido que usassem drogas em sua casa.

 

O caso teve muita repercussão, até o conservador jornal Times de Londres se manifestou em editorial a favor dos Stones criticando a severidade da lei.

 

Pois bem. John Lennon e Paul McCartney fizeram a vocalização em estúdio da música We Love You, gravadas pelos Stones em agradecimento às pessoas que os apoiaram em momento tão difícil.

 

Os Stones retribuíram a fineza com a participação de Mick Jagger e Keith Richards, entre outros amigos dos Beatles, na transmissão da BBC TV, no dia 26 de junho de 1967, quando os Beatles representaram a Grã-Bretanha no programa Our World, transmitido via satélite para vários países, com a música All You Need is Love.

 

Os Stones presentes participaram do vocal, a exemplo do que os dois Beatles fizeram em sua gravação.

 

Como pertenciam à outra gravadora, a Parlophone no caso, os créditos dos dois Beatles foram estrategicamente excluídos.

 

AMIGOS ATÉ O FIM

 

Os Stones se safaram da lei, e a amizade continuou plena e generosa. Brian Jones, guitarrista dos Stones, apareceu no estúdio de gravações onde os Beatles trabalhavam em Abbey Road, e empunhando um saxofone, fez um solo na música You Know my Name ( Look Up the Number) de autoria de Lennon e McCartney.

 

Jones era também um dos que freqüentavam a casa de Paul McCartney de quem era particularmente muito amigo.

 

No final de 1968, os Stones produziram um especial para a TV inglesa intitulado Rock and Roll Circus, com a presença de bandas de peso como The Who e Jethro Tull entre outros nomes do mesmo porte.

 

John Lennon formou uma banda com Keith Richards no baixo, Eric Clapton na guitarra, Alan White, baterista do grupo inglês Yes na bateria, Yoko Ono, no vocal e um violonista. Pela primeira vez um Beatle e um Rolling Stone dividiam historicamente o mesmo palco.

 

 O especial acabou não indo para o ar, sendo lançado em DVD muito mais tarde, mas o evento foi registrado para a posteridade.

 

Quando Brian Jones, estava para sair dos Stones, sempre telefonava para George ou John para chorar seus desajustes com a banda, sendo devidamente aconselhado e pacientemente escutado, principalmente por George.

 

Brian morreu em julho de 1969, afogado na piscina de sua casa em circunstâncias ainda não esclarecidas, mas a amizade Beatles e Stones continuou, tanto que por ocasião da  morte de John Lennon, assassinado no dia 08 de dezembro de 1980 em Nova Iorque aos quarenta anos, Mick Jagger se derreteu em elogios ao amigo falecido em em pesar pela sua perda. Por outro lado, Lennon, antes de morrer fez uns comentários irônicos acerca dos Stones em uma entrevista. Nada contudo, que abalasse uma amizade e admiração mútua marcantes e decisivas para a história inovadora do rock.

 

Luiz Antônio Alencar - Eterno Big Brasa, músico e jornalista.  

 





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