Brazilian Bitles

 

 

 

 

 

O toque roqueiro na Jovem Guarda.

 

Em 1965 os Beatles reinavam absolutos e eram o grande padrão para quem quisesse formar uma banda de música jovem. No Rio de Janeiro, os grupos proliferavam com a facilidade do contato facilitado com as gravadoras que se concentravam no eixo Rio São Paulo. Os jovens Jorge Eduardo de Almeida e Vítor Trucco tocavam na banda The Dangers, posteriormente The Lords, e ao manter contato com Luís Toth, se reuniram na casa deste com Eliseu da Silva Barra, o Ely Barra, e com Fábio Bloch, que havia chegado recentemente de São Paulo. A pauta da reunião foi a formação de uma banda cabeluda no estilo Beatles, o que todos concordaram no ato.

 

Ely Barra já cantava no Clube de Regatas Guanabara e tocava teclado, o que o colocou como cantor do grupo.

 

Tiveram a sorte de começar de cima. Contratados pela boate Le Candelabre em Copacabana, brilharam de saída tocando covers dos Beatles, Rolling Stones, e outras bandas anglo-americanas, com direito ainda a clássicos do rock tradicional dos anos 50. Seu empresário Glauco Pereira apostou fervendo na proposta explosiva dos BB.

 

A segunda apresentação já chamou a atenção da imprensa, o que os levou ao programa de TV Rio Hit Parade, onde tocaram “Help” dos Beatles, estrondoso sucesso na época.

 

Logo gravaram um compacto com as músicas “Help”!”e “Thank You Girl”, e até ganharam um programa só para eles,o BBC- Brazilian Bitles Club na TV Excelsior, que chegou ao segundo lugar de audiência nas tardes de sábado.

 

Participaram de quatro filmes entre 1965 e 1967- 007 e Meio no Carnaval, Rio Verão e Amor, Na Onda do Iê-Iê-iê, e o Adorável Trapalhão.

 

No mundo fonográfico,contudo, gravação do compacto “ Não Tem Jeito,” uma versão de Rossini Pinto bem personalizada e mais bombada de “Satisfaction” dos Rolling Stones, com “ Vem Meu Amor” um trabalho autoral da própria banda, levou os Brazilian Bitles de vez ao topo das paradas de sucesso e a serem requisitados para shows em várias capitais brasileiras.

 

Outro de seus feitos bem memoráveis foi tocar na primeira missa a contar com a presença de música pop, o iê-iê-iê, como ela era chamada na época na Igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema no dia 11 de julho de 1966. Os jovens transformaram o templo em uma festa só com o ritmo da moçada a contagiá-los.

 

Ainda em 1966, estiveram em Fortaleza numa apresentação no Estádio Presidente Vargas, onde entraram saindo do túnel, pulando, chutando a grama e dando cambalhotas, para tocaram no centro da praça de esportes, com amplificadores que mal davam conta do recado, dada a gritaria e a vibração da platéia. Abriram com “ Hang on Sloopy”, versão original dos Yardbirds de “Pobre Menina”, e o estádio quase veio abaixo, quando executaram “ Não tem Jeito”, já mencionada e “ Help!” e “Day Tripper” dos Beatles.

 

Uma apresentação na mesma ocasião na TV Ceará Canal 2, os consagrou junto ao público cearense, o qual foi brindado por apresentações no Clube Líbano em anos subseqüentes, e uma enxurrada de sucessos da banda em emissoras locais.

 

Gravaram três álbuns entre 1966 até 1969, o ano da dissolução definitiva do conjunto, e as músicas “Gata”, versão da banda inglesa “The Troggs”, “ É Onda” , composição da banda entre outras ficaram guardadas na memória da Jovem Guarda.

 

Apesar do nome, os Brazilian Bitles, estavam longe de ser uma imitação a mais do quarteto inglês, incursionando pela música sertaneja com “ O Barqueiro” e “ Para Pedro” e pelo cancioneiro romântico brasileiro,com canções como “ Rainha dos Meus Sonhos” de autoria da própria banda.

 

Em 1969, o grupo separou-se definitivamente com todos os membros tomando um destino diferente:

 

Luiz Toth, baterista, foi fazer um curso de pilotagem de helicóptero nos Estados Unidos. Jorge Eduardo, guitarra base, formou-se em arquitetura tocando vários projetos na Barra da Tijuca, RJ. Fábio Bloch, guitarra solo, viajou para Portugal, e em seguida para a Alemanha, onde formou o grupo “Buena Vida” de música latino-americana, lá casando e permanecendo definitivamente. Vítor Trucco, contrabaixo, viajou para a Argentina, lá permanecendo até 1986, quando retornou ao Brasil. Ely Barra fez algum sucesso em uma posterior carreira solo ,mas infelizmente veio a falecer em um acidente de carro em 1991.

 

Em 2004, Jorge, Vítor e Luiz realizaram um emocionante encontro facilitado pelo radialista Cirilo Reis e até tocaram juntos. Fábio como já estava estabelecido na Alemanha não pode participar.

 

Posteriormente a banda se firmou com Villas Boas, bateria, Vítor Trucco, baixo, Eduardo Ribeiro e Jorge Eduardo, guitarra e passou a se apresentar mantendo acesa a velha chama de grandes precursores do bom rock and roll no Brasil.

 

 

Luiz Antônio Alencar - Eterno Big Brasa, Músico e Jornalista.





Exibir todas as matérias da Central do Rock